Um Blog de poesia, imagens estudos das Escrituras, mensagens e textos engraçados
Ontem fui de Metrô até o Nova America e a Jess foi até lá de carro com as outras duas meninas.
E ontem pela primeira ve o Dragon foi no veterinário.
O coelho é todo errado. Uma das patas dele tá torta porque sofreu uma distensão e os musculos reforçaram-se de um lado que fez a patinha virar.
A criaturinha tem uma certa escoliose, meio torto a nivel de coluna.
Estava com anemia, necessitando rever a dieta.
E o veterinário olhando pras orelhas, uma em pé e outra deitada, pesando EXATOS 2 quilos, perguntou... qual a raça... Bem ai o choque...
Foi vendido como Fuzzy... Mas algo aconteceu nas noites lá na fazenda. Com 2 quilos de animal, o veterinário descobriu que o
Dragon é mestiço, ou seja, certo coelho normal numa noite densa lá na chácará teve um encontro secreto com a mãe fuzzy
do coelhudo. Vira-latas! O Dragon, um nobre dentre os nobres, tratado como se tivesse sangue real, de linhagem patriarcal que
remontava de antigos e sagrados animais da India, ou Sirilanca, seja como for, na verdade, não pertence a realeza!
Ai o veterinário tentou fazer o Dragon andar no chão. Ele, indignado, era solto no chão do consultório e retornava imediatamente para sua gaiola.
Detalhe importante. Quando as meninas chegaram no consultório, havia uma emergencia.
Tinha um Twister no oxigenio.
Continuando,
O coelho, em virtude de questões genéticas desenvolveu mais a musculatura de um lado do corpo que do outro. Ele é superforte nas patas direitas,
pra compensar o desequilibrio.
E apesar de tudo, anda muito bem...
E o coelho tentando morder o veterinário...de tanto que era mexido.
Ai o momento dramático da consulta:
O veterinário abriu uma ficha e perguntou para as três:




- Qual o nome do coelho?


A Jessica olhou pra Claudia, que olhou pra Jade e foi logo falando:


- Quem colocou o nome do coelho foi meu pai.


O veterinário ficou curioso. Que raio de nome era esse pra tanta hesitação
Ai a Jessica falou.


- Dragon.
- Dragon Warrior.


O veterinário começou a rir. E fez questão de anotar. A partir daí a consulta virou uma comédia. O veterinário: - Vamos guerreiro! Por isso que ele é tão forte!
Até o final da consulta era só pra exaltar as qualidades de batalha do corajoso animal.


Enquanto isso, o Twister no oxigenio.


E sai do veterinário o nobre animal. não tão nobre agora, quando então a Claudia num momento de ternura vira pra gaiola e diz:


- Nós te amamos assim mesmo, viu coelho?








Dragon.
Dragon Warrior
publicado por wellcorp às 09:29 | link do post
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Ontem fui de Metrô até o Nova America e a Jess foi até lá de carro com as outras duas meninas.
E ontem pela primeira ve o Dragon foi no veterinário.
O coelho é todo errado. Uma das patas dele tá torta porque sofreu uma distensão e os musculos reforçaram-se de um lado que fez a patinha virar.
A criaturinha tem uma certa escoliose, meio torto a nivel de coluna.
Estava com anemia, necessitando rever a dieta.
E o veterinário olhando pras orelhas, uma em pé e outra deitada, pesando EXATOS 2 quilos, perguntou... qual a raça... Bem ai o choque...
Foi vendido como Fuzzy... Mas algo aconteceu nas noites lá na fazenda. Com 2 quilos de animal, o veterinário descobriu que o
Dragon é mestiço, ou seja, certo coelho normal numa noite densa lá na chácará teve um encontro secreto com a mãe fuzzy
do coelhudo. Vira-latas! O Dragon, um nobre dentre os nobres, tratado como se tivesse sangue real, de linhagem patriarcal que
remontava de antigos e sagrados animais da India, ou Sirilanca, seja como for, na verdade, não pertence a realeza!
Ai o veterinário tentou fazer o Dragon andar no chão. Ele, indignado, era solto no chão do consultório e retornava imediatamente para sua gaiola.
Detalhe importante. Quando as meninas chegaram no consultório, havia uma emergencia.
Tinha um Twister no oxigenio.
Continuando,
O coelho, em virtude de questões genéticas desenvolveu mais a musculatura de um lado do corpo que do outro. Ele é superforte nas patas direitas,
pra compensar o desequilibrio.
E apesar de tudo, anda muito bem...
E o coelho tentando morder o veterinário...de tanto que era mexido.
Ai o momento dramático da consulta:
O veterinário abriu uma ficha e perguntou para as três:




- Qual o nome do coelho?


A Jessica olhou pra Claudia, que olhou pra Jade e foi logo falando:


- Quem colocou o nome do coelho foi meu pai.


O veterinário ficou curioso. Que raio de nome era esse pra tanta hesitação
Ai a Jessica falou.


- Dragon.
- Dragon Warrior.


O veterinário começou a rir. E fez questão de anotar. A partir daí a consulta virou uma comédia. O veterinário: - Vamos guerreiro! Por isso que ele é tão forte!
Até o final da consulta era só pra exaltar as qualidades de batalha do corajoso animal.


Enquanto isso, o Twister no oxigenio.


E sai do veterinário o nobre animal. não tão nobre agora, quando então a Claudia num momento de ternura vira pra gaiola e diz:


- Nós te amamos assim mesmo, viu coelho?








Dragon.
Dragon Warrior
publicado por wellcorp às 09:29 | link do post
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Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.


Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga “Isso é meu”,
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.

                            Victor Hugo – França - *1802 +1885

Desejo que vocês tenham pernas fortes e pés ligeiros,
De modo que correndo contra o vento,
Seja mais difícil serem alcançados
Por eventuais leões famintos

Desejo que haja gigantes absolutamente monstruosos
Destes cuja feiúra faz manter a respiração suspensa
Olhando fixamente nos olhos de vocês
Com certo respeito

Desejo que no inventário
Do que podia ter sido e não foi
Tua balança penda pro lado do ter sido

Desejo que você veja
Não o que pode ser visto
Mas o invisível
Onde a verdadeira vida
Te aguarda ansiosa


Desejo que você tenha certeza
De coisas que se esperam
E receba a prova daquelas
Que ainda  não podem ser vistas

Desejo que os leões que te perseguiam
No primeiro parágrafo
Te alcancem finalmente.
Porque não gosto de ver animais infelizes

E que você esteja impregnado
Da certeza das coisas que se esperam
Que transforma animais ferozes
Em animais de estimação

Desejo que os gigantes absolutamente monstruosos
Destes cuja feiúra faz manter a respiração suspensa
Se curvem solenemente
Deste coração cheio de fé

Desejo que nas anotações dos anjos
No inventário de tudo que há
Você não seja achado
Inadimplente

E desejo que a vida escondida
Que te aguarda ansiosa
Se manifeste em toda sua glória
Pra que você compreenda
O que significa
Nascer de novo

Welington Ferreira  – Brasil - *1965 - Amanhã 

publicado por wellcorp às 09:24 | link do post


Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.


Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga “Isso é meu”,
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.

                            Victor Hugo – França - *1802 +1885

Desejo que vocês tenham pernas fortes e pés ligeiros,
De modo que correndo contra o vento,
Seja mais difícil serem alcançados
Por eventuais leões famintos

Desejo que haja gigantes absolutamente monstruosos
Destes cuja feiúra faz manter a respiração suspensa
Olhando fixamente nos olhos de vocês
Com certo respeito

Desejo que no inventário
Do que podia ter sido e não foi
Tua balança penda pro lado do ter sido

Desejo que você veja
Não o que pode ser visto
Mas o invisível
Onde a verdadeira vida
Te aguarda ansiosa


Desejo que você tenha certeza
De coisas que se esperam
E receba a prova daquelas
Que ainda  não podem ser vistas

Desejo que os leões que te perseguiam
No primeiro parágrafo
Te alcancem finalmente.
Porque não gosto de ver animais infelizes

E que você esteja impregnado
Da certeza das coisas que se esperam
Que transforma animais ferozes
Em animais de estimação

Desejo que os gigantes absolutamente monstruosos
Destes cuja feiúra faz manter a respiração suspensa
Se curvem solenemente
Deste coração cheio de fé

Desejo que nas anotações dos anjos
No inventário de tudo que há
Você não seja achado
Inadimplente

E desejo que a vida escondida
Que te aguarda ansiosa
Se manifeste em toda sua glória
Pra que você compreenda
O que significa
Nascer de novo

Welington Ferreira  – Brasil - *1965 - Amanhã 

publicado por wellcorp às 09:24 | link do post

DUAS LÍNGUAS*

Vivi muitos anos com a língua entortada,
porque fui obrigado a falar palavras estranhas de uma outra língua.
Queriam que eu falasse uma língua que eu não falava,
que eu dissesse o que não dizia, que eu calasse o que sabia.
Por isso, durante muito tempo fiquei emudecido.
A língua presa, travada, reprimida.
A palavra entalada na garganta, o não-dito.
Tentaram tirar de mim aquilo que havia guardado como um tesouro:
a palavra, que é o arco da memória.
Diziam que me faltava inteligência,
porque antes de gaguejar as palavras certas
eu tinha de pensar, duas vezes, numa língua estranha.
O tempo passou. Agora, tenho duas línguas.
Uma língua nasceu comigo, no colo da minha mãe.
É a língua que expressa a alma guarani.
É a língua do tekoha, da opy,
onde as palavras se abrem em flor e se convertem em sabedoria,
as belas palavras, nhe´en porãngue´i,
palavras indestrutíveis, sem mal, ayvu marã´ey.
O nome que tenho, foi ela quem me deu na cerimônia do Nhemongarai.
É nela que ouço as divinas palavras do maino´i.
Com ela nomeio as plantas, as flores, os pássaros, os peixes,
os rios e as pedras, o sol e a chuva, a roça e a caça.
Com ela, faço soar o mbaraka, aspiro o pityngua,
danço xondaro, canto pra Nhanderu e rezo nhembo´e.
Bebo kaguy, como avaxi e jety, aprendo jopói e potirõ,
tudo isso com ela eu faço: rio e choro, rezo e canto.
Com ela, eu sou o que falo: guarani.
A outra língua que tenho é a que sobrou
de uma guerra de muitas batalhas.
Ela trouxe a espada e a cruz, o livro e as imagens,
o sermão, o catecismo, a doutrina, as leis.
Ela me ensinou a aprisionar o som,
como quem pega a fumaça com a mão e a guarda no adjaká.
Com ela, aprendi riscar as letras,
e a desenhar as palavras no papel.
Quando saio da aldeia, é ela quem me ajuda.
Com ela, procuro escola e biblioteca, mercado e igreja,
posto de saúde e hospital, cartório e tribunal.
É com ela que me comunico com índios de outras línguas.
Com ela navego na internet,
descubro o pensamento do juruá,
caminho pelas ruas, leio as cidades, entro nos ônibus,
embarco e desembarco na rodoviária,
vendo o artesanato e converso com as pessoas.
Agora já não posso mais viver sem as duas.
Estou sempre trocando de língua com um pouco de medo,
como se fosse um caso de bigamia.
Uma língua sabe coisas que a outra desconhece,
acham graça uma da outra, fazem gozação e às vezes se zangam.
afora isso, elas se dão tão bem, que sonho nas duas ao mesmo tempo.
Às vezes, a palavra de uma soa engraçado na outra.
Às vezes, quero falar uma e me sai a outra.
Às vezes, quando me perguntam numa, respondo na outra.
Às vezes fico com uma delas tão engasgada que se permaneço calado
tenho a impressão de que vou explodir.
Algumas vezes elas se enredam e se entrelaçam uma na outra
e depois disputam uma corrida para ver quem chega primeiro,
e muitas vezes permanecem misturadas uma na outra
que me dá até vontade de rir.
Há dias em que as palavras não ditas me pesam tanto,
que eu libero todas elas, deixando-as voar como música,
com medo que fiquem enferrujadas as cordas que as sabem tocar.
Há dias em que quero traduzir uma para a outra,
mas as palavras se escondem de mim, fogem para bem longe
e gasto muito tempo correndo atrás delas.
Entre elas, dividem o meu mundo
e quando atravessam a fronteira se sentem meio perdidas
e não se cansam de roubar palavras uma da outra.
Ambas pensam,
mas há partes do coração em que uma delas não consegue entrar
e quando se aproxima da porta, o sangue se põe a jorrar com as palavras
Cada uma foi professora da outra:
o guarani nasceu primeiro e eu me habituei a dormir
embalado por sua suave sonoridade musical.
O guarani não tinha a letra, é verdade, mas era o dono da palavra falada.
Ensinou ao português os segredos da oralidade, guiando-lhe a voz.
Já o português, nascido na ponta dos meus dedos,
ensinou o guarani a escrever, porque este nunca havia freqüentado a escola.
Tenho duas línguas comigo
duas línguas que me fizeram
e já não vivo sem elas, nem sou eu, sem as duas.

* Participaram da elaboração do poema os seguintes professores guarani : Algemiro da Silva (Karai Mirim), Alessandro Mimbi da Silva (Vera Mirim) e Valdir da Silva (Vera Poty) da aldeia Sapukai; Sérgio Silva (Nhamandu Mirim), Darcy Nunes de Oliveira (Tupã) e Isaac de Souza (Kuaray Poty) da aldeia Itachim; Nirio da Silva (Karai Mirim) da Aldeia Araponga e Neusa Mendonça Martins (Kunhá Tacuá) da aldeia Rio Pequeno. Também os seguintes agentes de saneamento:Adílio da Silva (Kuara´y) e Aldo Fernandes Ribeiro (Karai Mirim) da aldeia Sapukai; Hélio Vae (Karai Tupã Mirim) da aldeia Itachim;Jorge Mendonça Martins (Wera) da aldeia Rio Pequeno e Vilmar Vilhares (Tupã) da aldeia Araponga. A tradução ao guarani foi revisada por Marcelo Werá, da aldeia Três Palmeiras (ES). Depois, o mesmo texto foi trabalhado com os Guarani em Faxinal do Céu (Paraná) pelos professores José R. Bessa e Ruth Monserrat. Os guaranis e não-guaranis agradecem a Amadeu Ferreira a generosidade em ceder o seu poema para ser trabalhado dessa forma.
publicado por wellcorp às 15:21 | link do post

DUAS LÍNGUAS*

Vivi muitos anos com a língua entortada,
porque fui obrigado a falar palavras estranhas de uma outra língua.
Queriam que eu falasse uma língua que eu não falava,
que eu dissesse o que não dizia, que eu calasse o que sabia.
Por isso, durante muito tempo fiquei emudecido.
A língua presa, travada, reprimida.
A palavra entalada na garganta, o não-dito.
Tentaram tirar de mim aquilo que havia guardado como um tesouro:
a palavra, que é o arco da memória.
Diziam que me faltava inteligência,
porque antes de gaguejar as palavras certas
eu tinha de pensar, duas vezes, numa língua estranha.
O tempo passou. Agora, tenho duas línguas.
Uma língua nasceu comigo, no colo da minha mãe.
É a língua que expressa a alma guarani.
É a língua do tekoha, da opy,
onde as palavras se abrem em flor e se convertem em sabedoria,
as belas palavras, nhe´en porãngue´i,
palavras indestrutíveis, sem mal, ayvu marã´ey.
O nome que tenho, foi ela quem me deu na cerimônia do Nhemongarai.
É nela que ouço as divinas palavras do maino´i.
Com ela nomeio as plantas, as flores, os pássaros, os peixes,
os rios e as pedras, o sol e a chuva, a roça e a caça.
Com ela, faço soar o mbaraka, aspiro o pityngua,
danço xondaro, canto pra Nhanderu e rezo nhembo´e.
Bebo kaguy, como avaxi e jety, aprendo jopói e potirõ,
tudo isso com ela eu faço: rio e choro, rezo e canto.
Com ela, eu sou o que falo: guarani.
A outra língua que tenho é a que sobrou
de uma guerra de muitas batalhas.
Ela trouxe a espada e a cruz, o livro e as imagens,
o sermão, o catecismo, a doutrina, as leis.
Ela me ensinou a aprisionar o som,
como quem pega a fumaça com a mão e a guarda no adjaká.
Com ela, aprendi riscar as letras,
e a desenhar as palavras no papel.
Quando saio da aldeia, é ela quem me ajuda.
Com ela, procuro escola e biblioteca, mercado e igreja,
posto de saúde e hospital, cartório e tribunal.
É com ela que me comunico com índios de outras línguas.
Com ela navego na internet,
descubro o pensamento do juruá,
caminho pelas ruas, leio as cidades, entro nos ônibus,
embarco e desembarco na rodoviária,
vendo o artesanato e converso com as pessoas.
Agora já não posso mais viver sem as duas.
Estou sempre trocando de língua com um pouco de medo,
como se fosse um caso de bigamia.
Uma língua sabe coisas que a outra desconhece,
acham graça uma da outra, fazem gozação e às vezes se zangam.
afora isso, elas se dão tão bem, que sonho nas duas ao mesmo tempo.
Às vezes, a palavra de uma soa engraçado na outra.
Às vezes, quero falar uma e me sai a outra.
Às vezes, quando me perguntam numa, respondo na outra.
Às vezes fico com uma delas tão engasgada que se permaneço calado
tenho a impressão de que vou explodir.
Algumas vezes elas se enredam e se entrelaçam uma na outra
e depois disputam uma corrida para ver quem chega primeiro,
e muitas vezes permanecem misturadas uma na outra
que me dá até vontade de rir.
Há dias em que as palavras não ditas me pesam tanto,
que eu libero todas elas, deixando-as voar como música,
com medo que fiquem enferrujadas as cordas que as sabem tocar.
Há dias em que quero traduzir uma para a outra,
mas as palavras se escondem de mim, fogem para bem longe
e gasto muito tempo correndo atrás delas.
Entre elas, dividem o meu mundo
e quando atravessam a fronteira se sentem meio perdidas
e não se cansam de roubar palavras uma da outra.
Ambas pensam,
mas há partes do coração em que uma delas não consegue entrar
e quando se aproxima da porta, o sangue se põe a jorrar com as palavras
Cada uma foi professora da outra:
o guarani nasceu primeiro e eu me habituei a dormir
embalado por sua suave sonoridade musical.
O guarani não tinha a letra, é verdade, mas era o dono da palavra falada.
Ensinou ao português os segredos da oralidade, guiando-lhe a voz.
Já o português, nascido na ponta dos meus dedos,
ensinou o guarani a escrever, porque este nunca havia freqüentado a escola.
Tenho duas línguas comigo
duas línguas que me fizeram
e já não vivo sem elas, nem sou eu, sem as duas.

* Participaram da elaboração do poema os seguintes professores guarani : Algemiro da Silva (Karai Mirim), Alessandro Mimbi da Silva (Vera Mirim) e Valdir da Silva (Vera Poty) da aldeia Sapukai; Sérgio Silva (Nhamandu Mirim), Darcy Nunes de Oliveira (Tupã) e Isaac de Souza (Kuaray Poty) da aldeia Itachim; Nirio da Silva (Karai Mirim) da Aldeia Araponga e Neusa Mendonça Martins (Kunhá Tacuá) da aldeia Rio Pequeno. Também os seguintes agentes de saneamento:Adílio da Silva (Kuara´y) e Aldo Fernandes Ribeiro (Karai Mirim) da aldeia Sapukai; Hélio Vae (Karai Tupã Mirim) da aldeia Itachim;Jorge Mendonça Martins (Wera) da aldeia Rio Pequeno e Vilmar Vilhares (Tupã) da aldeia Araponga. A tradução ao guarani foi revisada por Marcelo Werá, da aldeia Três Palmeiras (ES). Depois, o mesmo texto foi trabalhado com os Guarani em Faxinal do Céu (Paraná) pelos professores José R. Bessa e Ruth Monserrat. Os guaranis e não-guaranis agradecem a Amadeu Ferreira a generosidade em ceder o seu poema para ser trabalhado dessa forma.
publicado por wellcorp às 15:21 | link do post
Ficou tão bom, que não poderia deixar para que o internauta usasse como modelo para seus/suas amigos/as...






Dileta matriarca Renata:









- Todos nós congratulamos nossa matriarca. Desde muito cedo, dormíamos ouvindo antiquissimas histórias, as quais
nossa amada predecessora testemunhou e nos narrou, emocionada pelas lembranças vívidas, para que dormissemos, quando ainda éramos crianças.







Sentimos saudades dos passeios que dávamos nos mais modernos carros da época,
e da grande habilidade com nossa amada companheira nos conduzia.



 


Já acostumada a outros veículos, desde a época em que o tio Chico nos visitava, juntamente com nosso
grupo rival...
 


  

Por isso não poderíamos deixar de felicitá-la por mais essa data,
esse momento único, em que tantos momentos bonitos de festas
e convivência nos vêem à memória.

Como por exemplo, aquelas férias em Esparta
 

  

e as férias naquela cidade francesa estranha, onde estavam montando uma estrutura metálica pra uma feira mundial
que iria acontecer.


  


Foram tantos dias de aventura memoráveis, como aquele em que subimos aquela montanha no Rio de Janeiro para ver a construção
daquela estátua de braços abertos, que hoje é cartão postal da cidade, tantas emoções...


  


Não sem razão nessa data natalícia, desejamos que todas as infusões e chás (mágicos) possam preservar a naturalidade de
nossa aniversariante.

Vida longa...quer dizer, mais longa ainda, imemorial matriarca.


De todos os seus amigos
nós,
os monstros.


Parabéns.














publicado por wellcorp às 04:24 | link do post
Ficou tão bom, que não poderia deixar para que o internauta usasse como modelo para seus/suas amigos/as...






Dileta matriarca Renata:









- Todos nós congratulamos nossa matriarca. Desde muito cedo, dormíamos ouvindo antiquissimas histórias, as quais
nossa amada predecessora testemunhou e nos narrou, emocionada pelas lembranças vívidas, para que dormissemos, quando ainda éramos crianças.







Sentimos saudades dos passeios que dávamos nos mais modernos carros da época,
e da grande habilidade com nossa amada companheira nos conduzia.



 


Já acostumada a outros veículos, desde a época em que o tio Chico nos visitava, juntamente com nosso
grupo rival...
 


  

Por isso não poderíamos deixar de felicitá-la por mais essa data,
esse momento único, em que tantos momentos bonitos de festas
e convivência nos vêem à memória.

Como por exemplo, aquelas férias em Esparta
 

  

e as férias naquela cidade francesa estranha, onde estavam montando uma estrutura metálica pra uma feira mundial
que iria acontecer.


  


Foram tantos dias de aventura memoráveis, como aquele em que subimos aquela montanha no Rio de Janeiro para ver a construção
daquela estátua de braços abertos, que hoje é cartão postal da cidade, tantas emoções...


  


Não sem razão nessa data natalícia, desejamos que todas as infusões e chás (mágicos) possam preservar a naturalidade de
nossa aniversariante.

Vida longa...quer dizer, mais longa ainda, imemorial matriarca.


De todos os seus amigos
nós,
os monstros.


Parabéns.














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