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Atendendo ao pedido de Natalia:

Marcos 12:38/44
38 E dizia no seu ensinamento: “Guardai-vos dos escribas que gostam de circular de toga, de ser saudados nas praças públicas, 39 e de ocupar os primeiros lugares nas sinagogas e os lugares de honra nos banquetes, 40 mas devoram as casas das viúvas e simulam fazer longas preces. Esses receberão condenação mais severa.”
41 E, sentado frente ao Tesouro do Templo, observava como a multidão lançava pequenas moedas no Tesouro, e muitos ricos lançavam muitas moedas. 42 Vindo uma pobre viúva, lançou duas moedinhas, isto é, um quadrante. 43 E chamando a si os discípulos, disse-lhes: “Em verdade eu vos digo que esta viúva que é pobre lançou mais do que todos os que ofereceram moedas ao Tesouro. 44 Pois todos os outros deram do que lhes sobrava. Ela, porém, na sua penúria, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver.”


Quando a história de Israel se inicia como nação livre do julgo egípcio, liderada pelo profeta Moisés, é instituido um sacerdócio hereditário através da tribo dos Levitas (um dos grandes grupos que formavam o povo Israelita, tribo a qual Moisés fazia parte. Seu irmão Aarão foi o primeiro sumo-sacerdote de Israel). Esta tribo teria o privilégio, ao mesmo tempo a obrigação, de cuidar das coisas relativas ao tabernáculo, uma enorme tenda, que simbolizava a presença e a misericórdia de Deus para com o povo.
Por milhares de anos, os únicos bens dos descendentes de Levi (Levitas), os sacerdotes e seus filhos, e os outros auxiliares levitas que cuidariam das coisas sagradas, seriam os que pudessem usar das ofertas e sacrifícios feitos por sua nação diante deste tabernáculo. Os sacerdotes não poderiam possuir vinhais, terras cultiváveis ou possessões, não receberiam uma herança em terras, porque o sacerdócio seria a sua herança. Suas vidas dependiam da generosidade dos ofertantes e igualmente da fidelidade ao cumprimento da Lei dada através de Moisés. As ofertas poderiam ser em porções de carne dos cordeiros e de reses ofertados, ou em grãos, cereais, azeite, farinha, trigo ou porções das diversas especiarías cultiváveis. Além dessas ofertas, os sacerdotes recebiam ofertas em pedras preciosas, ouro, prata, utensílios para o templo, do qual deveriam tirar o suficiente para viverem e o restante seria para conservação de suas casas, para conservação dos objetos do santuário, de suas roupas rituais e seculares.
Quando Jesus viveu entre os israelitas, o tabernáculo já não existia mais. Mil anos antes de Cristo, um rei chamado Davi sentiu que a arca do concerto deveria estar num lugar melhor do que o palácio onde ele morava. O Israelita entendia que de certo modo, Deus morava naquele lugar, naquela tenda envelhecida. Salomão, filho de Davi ergueu um templo magnífico e levou para dentro dele as coisas que eram guardadas na velha tenda. Por séculos os israelitas adorarariam agora naquele templo espetacular. Com a dominação babilônica, este templo foi queimado e destruido. Após o retorno do exílio, um segundo templo, mais simples, destituido da beleza e dos materiais caríssimos do primeiro templo, foi reerguido em seu lugar. Na época de Jesus, ele fora reformado por Herodes, que intentou torná-lo tão belo quanto o templo original. O templo de Jerusalém era um prédio magnífico, umas das maiores construções da antiguidade. Milhares de peregrinos vinham todo ano de todas as partes do mundo para a comemoração das festas judaicas ao redor daquele templo.
Embora os sacerdotes não tivessem a necessidade do sustento através das ofertas, como nos tempos da antiguidade, os grupos religiosos que dominavam o sacerdócio na época instituiram leis rígidas a respeito das ofertas. O judaísmo, que reinterpretava os escritos de Moisés, estava a cargo de uma elite sacerdotal, que via no templo um grande negócio. As famílias sacerdotais da época de Cristo eram as que possuíam o monopólio da venda de animais para os sacrifícios, os mesmos animais que enchiam regiões santas do templo, negociadas a alto custo para os peregrinos, quase que forçados a execução de sacrifícios. A instituição da oferta ganhou uma conotação de veneração. dezenas de escritos rabínicos e de escribas, os intérpretes oficiais das escrituras hebraicas, veneravam a oferta, incentivando-a e até tornando-a de maior importancia que os sacrifícios do próprio templo. A oferta na época de Cristo na passagem das festas era um negócio semelhante a venda de indulgencias na idade média. Como esta se revestia de importancia sagradada, o ato era acompanhado de observação faustosa. Grupos de fariseus acompanhavam até a quantia que ali era colocada, aplaudindo ou celebrando e cobrindo de "bençãos" aqueles que muito ofertavam. Quando um rico se aproximava do local onde a oferta era realizada, era energicamente saudado.
Havia uma segunda intenção dos que assim ofertavam. Vaidade humana, o reconhecimento de sua generosidade diante das autoridades religiosas. faziam questão de serem vistos quando assim o faziam. Quantias pequenas de dinheiro eram desprezadas. Valores mínimos foram instituidos por um clero avarento. A concorrencia entre os ofertantes era incentivada. Perdeu-se o caráter e a razão da contribuição voluntária. Jesus observava a festa mundana no que se transformou aquilo que era fruto de corações agradecidos, para o sustento do templo, numa festa podre.
Quando uma viúva se aproximou do altar das ofertas, a multidão de fariseus gelou. A viúva no tempo de Cristo era uma mulher quase que desamparada. Se não tivesse filhos que a sustentassem, suas condições seriam quase de uma mendicante. A condição de mulher no oriente médio somada a condição social de pobreza a tornavam quase que indigna de estar ali. Quando ela se aproxima do templo é completamente ignorada. Quando suas mãos lançam as duas pequenas moedas, não há alarde, não há festa, não há anúncio, só há silencio. Seria uma cena para ser esquecida pelos religiosos. mas os olhos de Jesus observavam atento aquele humilde gesto. Não poderíamos precisar quantas horas Jesus esperou, observando pessoas ofertando diante do templo. Algumas genuinamente sinceras, outras igualmente generosas. Porém nenhuma quantia, nenhuma oferta tocaria ao Senhor de toda a vida. Quando seus olhos se fixaram na viúva, ele sabia que aquilo seria realizado naquele instante seria extraordinário. Aquela oferta possui um significado especial. Nunca, nem através dos santos do Velho Testamento ou nos dias em que vivemos, nas milhares de igrejas que foram fundadas sobre a terra, uma oferta tão magnífica aconteceu. Aquela mulher ofereceu o que tinha sem saber se iria comer na manhã seguinte. Ela enfrentou a vergonha instituida por uma visão capitalista da religião e fixou seu olhar no que estava fazendo, com o coração desprovido de liturgias, mas inundado de fé. Embora fosse uma quantia risível, era o que podia fazer, entendia que DEUS receberia de bom grado o que estava realizando, mesmo contra todas as convenções humanas. vigentes. Mesmo que não houvesse um jornal para noticiar sua obra de filantropia, mesmo que não houvessem parentes ou amigos que pudessem testemunhar sua oferta solitária. Mesmo que não houvesse um amanhã como fruto de alguma promessa atrelada a oferta, o que tinha, ela o faria, para que de algum modo, o sacerdócio que ela acreditava ser segundo Deus (ainda), pudesse ser auxiliado por sua pobreza. Ela, que não tinha onde cair morta, cria que faria diferença a limitada oferta do quase nada que possuía. Ninguém a notara. Não havia um cartaz, uma faixa saudando sua chegada, um abraço carinhoso agradecendo seu gesto. Não esperava recompensa. Fêz o que cria que deveria ter sido feito. E Jesus a viu fazer. E seu coração se encheu de alegria. O templo era a casa de Cristo. Ele a chamava de "a casa de meu Pai". Lá, apesar do paradoxo, o que Jesus viu foi a exploração humana. Lá, o que ele viu foi desprezo às leis divinas. Lá, o que Ele encontrou foi irreverencia e religiosidade morta.
Certa feita, Jesus sentiu tanta raiva daquilo que faziam, do tamanho desrespeito com as coisas divinas, que expulsou os cambistas, aos vendedores de pombos, bodes, ovelhas; expulsou ao imenso grupo que loteava o templo como uma feira, misto de extorquidores e extorquidos. Construindo apressadamente um chicote de cordas, na mais cinematogárfica cena dos evangelhos, sozinho, contra dezenas, em minutos, a todos expulsou.
Outra feita Jesus discutira com os Escribas que haviam transformado uma ordem divina, que dizia que era obrigação dos filhos o sustento dos pais quando estes envelhecessem, em "oferta" ao santuário. A "Corbã" era o nome do ato em que os israelitas eram incentivados a substituir a obrigação deste sustento aos seus pais, por uma oferta continua ao templo, anulando o bem que poderiam trazer aos seus familiares, por um gesto de aparencia de piedade, só que destituido de valor. Os fariseus desenvolveram várias técnicas estelionatárias para conseguir benefícios das famílias religiosas. Aproveitando momentos de perdas, entravam nas casas das viúvas após o enterro de seus familiares com o pretexto de um período de "Consolação" onde passavam dias "orando" para receberem gratuitamente o almoço e o jantar. A viúva representava exclusão social, desamparo, tragédia. Agora, do lado de fora, uma tragédia, que não possuia sequer o suficiente para comprar o menor dos pombos (o ofertante de sacrifícios que não possuía condições de sacrificar uma ovelha, oferecia um passarinho) honrava ao Pai, sem saber que ela também seria honrada pelo Filho (para todo o sempre), que tàquela que não tinha valor, seria valorizada diante de milhões; que aquela que chegou sem alarde, seria proclamada pelo próprio Messias.
Ela ainda caminhava em silencio, voltando para sua humilde casa, quando por detrás de si, Jesus a reconhecia diante de todos. Ela não pediu tal reconhecimento. Entretanto, por toda a eternidade será lembrada. Porque ousou colocar a disposição de Deus o seu presente, sem se importar com as perdas do seu passado, e sem se incomodar com o sustento do seu amanhã.



Welington José Ferreira
publicado por wellcorp às 11:49 | link do post
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