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Li...essa...tragédia curta...


O menino de vidro se aproximou da luz, que refletiu inteira pelo seu corpo diáfano. Ele estava triste, cansado, pesaroso. Não suportava mais permanecer naquele mesmo quarto. Queria sair, entrar em contato com a vida que pulsava fora dali. Mas tinha medo. Sabia que seria visto como uma aberração. Um ser incomum, translúcido, diferente de tudo que todos já viram. Mas ele era só um menino, cheio de desejos de menino, idéias de menino, sonhos de menino. Seus pais eram pessoas adoráveis e faziam de tudo para agradá-lo. Ele sabia que o seu quarto não era um cárcere. Era mais como uma bolha, um escudo, uma forma de protegê-lo do mundo. Só que a sua vida começava a exigir mais, e ele decidiu sair de seu quarto, de seu apartamento, de seu mundinho, descendo as escadarias para encarar a vida de frente. E por um instante, conseguiu esquecer que era um menino de vidro. Saiu para a rua e, ao andar pela calçada, tropeçou, caiu e se quebrou.
publicado por wellcorp às 11:14 | link do post

Li...essa...tragédia curta...


O menino de vidro se aproximou da luz, que refletiu inteira pelo seu corpo diáfano. Ele estava triste, cansado, pesaroso. Não suportava mais permanecer naquele mesmo quarto. Queria sair, entrar em contato com a vida que pulsava fora dali. Mas tinha medo. Sabia que seria visto como uma aberração. Um ser incomum, translúcido, diferente de tudo que todos já viram. Mas ele era só um menino, cheio de desejos de menino, idéias de menino, sonhos de menino. Seus pais eram pessoas adoráveis e faziam de tudo para agradá-lo. Ele sabia que o seu quarto não era um cárcere. Era mais como uma bolha, um escudo, uma forma de protegê-lo do mundo. Só que a sua vida começava a exigir mais, e ele decidiu sair de seu quarto, de seu apartamento, de seu mundinho, descendo as escadarias para encarar a vida de frente. E por um instante, conseguiu esquecer que era um menino de vidro. Saiu para a rua e, ao andar pela calçada, tropeçou, caiu e se quebrou.
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1. Descoberto um fragmento do Evangelho entre os documentos do Mar Morto.Um evento de uma importância histórica sem precedentes acaba de se dar, quando o papirólogo alemão Carsten Peter Thiede identificou entre os documentos encontrados na gruta 7 de Qumran, o mais antigo fragmento do Evangelho, no caso o evangelho de Marcos. Mais precisamente se trata dos versículos 52-53 do capítulo 6 deste evangelho. Outra papiróloga, a mais conceituada, confirma em caráter definitivo esta descoberta. Thiede foi mais além; examinou três fragmentos de um códex conservados na Universidade de Oxford, do evangelho de Matheus, capítulo 26, e os fez examinar pelo processo do Carbono 26, afim de determinar a sua idade que foi fixada no início do primeiro século da nossa era, em torno de 40 e 70dC. Como este manuscrito é escrito em forma de livro, isto indica que o evangelho é bem mais antigo pois os originais eram apresentados sob a forma de rolos. Além disto o conteúdo dos evangelhos se referem ao templo antes da destruição, isto é, mesmo antes de 41, isto é, a época de Herodes Antipas citado pelos evangelistas que ignoram totalmente Herodes Agrippa, rei da Judéia de 41 a 44dC, enquanto que o primeiro é situado entre 22 e 29dC.
Claude Tresmontant, da Sorbonne, defende a tese de que os evangelistas, foram contemporâneos de Jesus e verdadeiros repórteres da sua existência. Esta tese derruba a tese da teologia oficial segundo a qual os evangelhos foram escritos muito tempo depois da morte de Jesus. Estas descobertas reforçam ainda mais a versão histórica da existência de Jesus.Muito mais que isto; a descoberta integra Jesus à história de Israel. Pois como se sabe, a Escola dos Essênios era uma das correntes religiosas de Israel, ao mesmo título que os Saduceus e Fariseus. O seu mosteiro se situa à beira do Mar Morto em Qumran. Foi perto de lá que, em 1947, um beduíno de uma tribo nômade encontra dentro de grutas o que é conhecido hoje como os documentos do mar morto. Até agora, estes documentos continham entre outros, trechos do antigo testamento. Isto provocou grande entusiasmo nos meios religiosos judaicos, pois são os mais antigos documentos da Bíblia, sem os Evangelhos. Até agora inexistia prova histórica de qualquer ligação ou conhecimento de Jesus pelos praticantes da religião judaica da época.
publicado por wellcorp às 10:18 | link do post

1. Descoberto um fragmento do Evangelho entre os documentos do Mar Morto.Um evento de uma importância histórica sem precedentes acaba de se dar, quando o papirólogo alemão Carsten Peter Thiede identificou entre os documentos encontrados na gruta 7 de Qumran, o mais antigo fragmento do Evangelho, no caso o evangelho de Marcos. Mais precisamente se trata dos versículos 52-53 do capítulo 6 deste evangelho. Outra papiróloga, a mais conceituada, confirma em caráter definitivo esta descoberta. Thiede foi mais além; examinou três fragmentos de um códex conservados na Universidade de Oxford, do evangelho de Matheus, capítulo 26, e os fez examinar pelo processo do Carbono 26, afim de determinar a sua idade que foi fixada no início do primeiro século da nossa era, em torno de 40 e 70dC. Como este manuscrito é escrito em forma de livro, isto indica que o evangelho é bem mais antigo pois os originais eram apresentados sob a forma de rolos. Além disto o conteúdo dos evangelhos se referem ao templo antes da destruição, isto é, mesmo antes de 41, isto é, a época de Herodes Antipas citado pelos evangelistas que ignoram totalmente Herodes Agrippa, rei da Judéia de 41 a 44dC, enquanto que o primeiro é situado entre 22 e 29dC.
Claude Tresmontant, da Sorbonne, defende a tese de que os evangelistas, foram contemporâneos de Jesus e verdadeiros repórteres da sua existência. Esta tese derruba a tese da teologia oficial segundo a qual os evangelhos foram escritos muito tempo depois da morte de Jesus. Estas descobertas reforçam ainda mais a versão histórica da existência de Jesus.Muito mais que isto; a descoberta integra Jesus à história de Israel. Pois como se sabe, a Escola dos Essênios era uma das correntes religiosas de Israel, ao mesmo título que os Saduceus e Fariseus. O seu mosteiro se situa à beira do Mar Morto em Qumran. Foi perto de lá que, em 1947, um beduíno de uma tribo nômade encontra dentro de grutas o que é conhecido hoje como os documentos do mar morto. Até agora, estes documentos continham entre outros, trechos do antigo testamento. Isto provocou grande entusiasmo nos meios religiosos judaicos, pois são os mais antigos documentos da Bíblia, sem os Evangelhos. Até agora inexistia prova histórica de qualquer ligação ou conhecimento de Jesus pelos praticantes da religião judaica da época.
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Cronologia bíblica
publicado por wellcorp às 10:04 | link do post
Cronologia bíblica
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ENCONTRADAS AS DEZ TRIBOS PERDIDAS

Por Asher Intrater O reino de Israel atingiu seu auge na época de Davi e Salomão, aproximadamente 1000 anos antes do tempo de Yeshua. Durante o reino do filho de Salomão, Roboão, as dez tribos do norte de Israel se separaram de Judá e Benjamim. Desse modo, o reino foi dividido em tribos do norte em Israel e tribos do sul em Judá. Esta divisão tornou-se o objeto da esperança messiânica de serem reunificadas pelo futuro Messias (Ezequiel 37:12). Há também um sentido simbólico de que as tribos do norte representem a igreja internacional, enquanto as tribos de Judá representem o povo judeu e a nação de Israel. Todavia, esses dois pontos de vista são proféticos e simbólicos, não históricos ou genealógicos. As tribos de Israel ao norte foram levadas ao exílio pelos assírios no século oitavo AC, e as tribos de Judá ao sul foram levados ao exílio durante o século sexto. A Bíblia registra que, após o exílio, Judá voltou para a terra de Israel durante o século quinto AC. Uma vez que não há uma descrição maior da restauração das tribos do norte, muita especulação e curiosidade têm surgido no decorrer dos anos com relação à pergunta: “Onde estão as dez tribos perdidas?” Uma tendência interessante, contudo perigosa, é que muitos grupos de seitas cristãs alegam ser descendentes das dez tribos do norte. Isso abrange desde grupos do Japão aos nativos americanos. Existem alguns elementos no Mormonismo e nas Testemunhas de Jeová que fazem reivindicação semelhante. Isso já chegou a afetar até mesmo partes do movimento Sionista Cristão. A verdade é que não existem dez tribos perdidas. Na ocasião da divisão do reino e dos exílios, uma determinada porcentagem de cada uma das tribos do norte desceu e fixou residência na área de Judá. Depois desse tempo, o nome Judá ou Judeus referia-se não apenas à tribo específica de Judá, mas também à tribo de Benjamim, os Levitas e o remanescente de todas as tribos do norte. Não existem dez tribos perdidas. Todas as tribos de Israel estão incluídas no que hoje chamamos o povo judeu. Existem sete evidências bíblicas básicas que provam essa posição. O RESTO DE ISRAEL EM JUDÁ (II CRÔNICAS) O livro de II Crônicas registra diversas vezes que os membros das tribos do norte imigraram para Judá depois da divisão do reino. Isso ocorreu logo depois do momento da divisão. II Crônicas 10:16-17 diz: “Então, Israel se foi às suas tendas. QUANTO AOS FILHOS DE ISRAEL, PORÉM, QUE HABITAVAM NAS CIDADES DE JUDÁ, sobre eles reinou Roboão.” Não poderia ser explicado mais claramente que existiam membros das tribos israelenses vivendo no território de Judá. II Crônicas 11:3 declara que Roboão era o rei não apenas de Judá, mas de TODO o Israel em Judá e Benjamim. II Crônicas 11:16-17 afirma que os membros de TODAS as tribos de Israel que eram leais a D-us desceram a Jerusalém e fortaleceram o reino de Judá. II Crônicas 15:9 nos conta que durante o reavivamento do Rei Asa existiam “muitos de Israel” que vieram para Judá. II Crônicas 24:5 fala dos membros reunidos de todas as tribos de Israel. II Crônicas 30:21 e 25 fala dos filhos das tribos israelenses que vieram para Judá durante o tempo do Rei Ezequias. II Crônicas 31:6 fala novamente dos filhos de Israel que habitavam nas cidades de Judá. II Crônicas 30:10 faia dos membros das tribos de Efraim, Manassés, Zehulom e Aser vindo para Jerusalém. II Crônicas 30:18 também menciona a tribo de Isacar. II Crônicas 34:6 acrescenta a isso membros de uma lista dc tribos de Simeão e Naftali. II Crônicas 34:9 afirma claramente que existiam membros de ‘TODO O RESTO DE ISRAEL”, que estavam vivendo em Jerusalém depois do período de exílio assírio. II Crônicas 35:3 menciona novamente que existiam membros de “todo o Israel” que faziam parte de Judá. EXÍLIO RESTAURADO (ESDRAS E NEEMIAS) Depois do exílio babilônico, a nação de Israel foi restaurada sob a liderança de Esdras e Neemias. Nesses livros encontram-se vastos registros. O fato de que existiam cuidadosos registros genealógicos prova que não apenas eram os israelitas do norte parte da restauração, mas também que mantinham registros de suas famílias e sabiam a que tribo pertenciam. Esdras 2:2 começa com os registros do “numero dos homens do povo de ISRAEL”. Esse mesmo capítulo 2 de Esdras declara que o povo tinha registros genealógicos específicos não apenas com relação à qual das tribos do norte eles pertenciam, mas também a que família pertenciam: “provar que as suas famílias e a sua linhagem eram de Israel.” Aqueles que possuíam registros, mas não estavam perfeitamente documentados, eram desqualificados e tinham de esperar por uma verificação sobrenatural por Urim e Tumim (se eles aparecessem). Isso prova o quanto meticulosos e bem documentados eram os registros de famílias em sua maioria (Esdras 2:62-63). Esdras 2:70 fala novamente de “todo” Israel que habitava em Judá depois da restauração de Esdras e Neemias. Esdras 6:16 e 21 fala especificamente dos “filhos de Israel que tinham voltado do exílio”. Esdras 7:7, 9:1, 10:1 e 10:25 fala do problema que os israelitas tiveram com os casamentos com povos de outras terras. Neemias 7:7-73 repete a genealogia das tribos israelitas que foi registrada em Esdras 2. Neemias 9:2, 11:3 e 11:20 fala do “restante de Israel em todas as cidades de Judá”. Neemias 13:3 fala de separação dos gentios, de forma a não haver confusão nos registros genealógicos de Israel. O TESTEMUNHO DE ANA (LUCAS 2) Em Lucas 2:36 a profetisa Ana é relacionada como proveniente da tribo de Aser, uma das tribos mais ao norte e menos povoada de Israel. Em outras palavras, temos uma declaração clara no Novo Testamento de que as pessoas que eram consideradas judias no tempo de Yeshua incluíam pessoas das dez tribos do norte de Israel, e que elas possuíam documentação genealógica com respeito a quais tribos pertenciam. Como poderia a tribo de Aser, por exemplo, estar perdida” 700 anos antes de Yeshua, se Ana conhecia sua descendência de Aser durante a época do Novo Testamento? YESHUA E OS APÓSTOLOS (EVANGELHOS E ATOS) Yeshua ministrou por toda a terra de Israel. Levou em conta o povo judeu desse lugar. Em todos os seus discursos, pressupõe-se que Ele estava falando a todos os descendentes de Israel. Yeshua nunca mencionou a possibilidade de haver algum outro grupo ou alguma tribo perdida de Israel circulando em alguma parte. Na pregação aos judeus do primeiro século, Yeshua disse que Ele foi chamado para “procurar as ovelhas perdidas da casa de Israel.” (Mateus 10:6). Da mesma forma, os apóstolos se dirigiram às multidões de judeus no primeiro século, presumindo que eram todos descendentes de Israel. Em Atos 2:22 Pedro se volta para os “judeus” que viviam em Jerusalém e se refere a eles como “varões israelitas”. Pedro conclui seu sermão dirigindo-se à multidão como “toda a casa de Israel” (Atos 2:36). Em outras palavras, aos olhos de Pedro, o povo judeu no primeiro século incluía todas as tribos de Israel. Pedro manteve essa forma de abordar as pessoas, como “toda a casa de Israel”, em seus outros discursos (Atos 3:12, 4:8,4:10,4:27,5:21,5:31,5:35, 10:36). Paulo também se dirigiu aos judeus do primeiro século como “varões israelitas”. Continuou a se referir aos judeus como israelitas em todas suas mensagens (Atos 13:23-24, Atos 21:28, Atos 28:20). Os doze discípulos eram vistos como futuros líderes para “se assentarem nas doze tronos para julgar as doze tribos de Israel.” (Mateus 19:28). AS DOZE TRIBOS DE TIAGO A carta de Tiago é endereçada às “doze tribos que se encontram na Dispersão” Tiago 1:1. Ele não está se referindo a algumas tribos perdidas, mas ao público de judeus dispersos que acreditavam em Yeshua no primeiro século. O mesmo argumento é verdadeiro, conforme observamos a carta aos Hebreus. o grupo aqui chamado “Hebreus” não era alguma tribo de japoneses ou nativos americanos, pelo contrário, tratava-se do povo judeu do primeiro século. O REMANESCENTE DE ISRAEL (ROMANOS 9-11) Este argumento possui importância específica quando observamos as promessas de restauração do remanescente de Israel, referido no livro de Romanos, Capítulo 9 a 11. Aqui Paulo expressa sua oração para que os filhos de Israel sejam salvos (Romanos 9:14, 10:1-4). Esse remanescente a ser restaurado é o remanescente bíblico de Israel que cumpre as profecias. Eles são as mesmas pessoas que rejeitaram Yeshua no primeiro século. Não foi alguma tribo perdida que O rejeitou, porém os judeus que viviam em Israel naquela ocasião. Paulo declara que D-us não rejeitou o povo de Israel (Romanos 11:1). Há um remanescente de Israel pela graça (Romanos 11:5). “O que Israel não conseguiu, a eleição o alcançou.” (Romanos 11:7). A transgressão de Israel significou a salvação das nações dos gentios (Romanos 11:11). Seu restabelecimento será a ressurreição dentre os mortos (Romanos 11:12, 15). O texto inteiro de Romanos 9-11 apenas faz sentido se estiver falando a respeito do povo que conhecemos hoje como o povo judeu. Se alguém pensar que está se referindo aos Mórmons, ou Testemunhas de Jeová, ou aos Sionistas Cristãos, ou a algum outro grupo de povo nativo, o significado todo da passagem estará perdido. Esse ponto de vista irá destruir as promessas de D-us para Israel, o propósito do evangelismo em Israel, e o significado da reconciliação entre Israel e a igreja no final dos tempos. VISÃO DOS CULTOS Não é uma coincidência que tantos cultos chegaram à conclusão de que eles sejam de uma das dez tribos “perdidas” de Israel. Esse ponto de vista está confundindo seus membros e está incorreto de acordo com as Escrituras. Essa teologia é perigosa e enganosa à medida que tentamos compreender as profecias da restauração de Israel, que levam à segunda vinda do Messias Yeshua.
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ENCONTRADAS AS DEZ TRIBOS PERDIDAS

Por Asher Intrater O reino de Israel atingiu seu auge na época de Davi e Salomão, aproximadamente 1000 anos antes do tempo de Yeshua. Durante o reino do filho de Salomão, Roboão, as dez tribos do norte de Israel se separaram de Judá e Benjamim. Desse modo, o reino foi dividido em tribos do norte em Israel e tribos do sul em Judá. Esta divisão tornou-se o objeto da esperança messiânica de serem reunificadas pelo futuro Messias (Ezequiel 37:12). Há também um sentido simbólico de que as tribos do norte representem a igreja internacional, enquanto as tribos de Judá representem o povo judeu e a nação de Israel. Todavia, esses dois pontos de vista são proféticos e simbólicos, não históricos ou genealógicos. As tribos de Israel ao norte foram levadas ao exílio pelos assírios no século oitavo AC, e as tribos de Judá ao sul foram levados ao exílio durante o século sexto. A Bíblia registra que, após o exílio, Judá voltou para a terra de Israel durante o século quinto AC. Uma vez que não há uma descrição maior da restauração das tribos do norte, muita especulação e curiosidade têm surgido no decorrer dos anos com relação à pergunta: “Onde estão as dez tribos perdidas?” Uma tendência interessante, contudo perigosa, é que muitos grupos de seitas cristãs alegam ser descendentes das dez tribos do norte. Isso abrange desde grupos do Japão aos nativos americanos. Existem alguns elementos no Mormonismo e nas Testemunhas de Jeová que fazem reivindicação semelhante. Isso já chegou a afetar até mesmo partes do movimento Sionista Cristão. A verdade é que não existem dez tribos perdidas. Na ocasião da divisão do reino e dos exílios, uma determinada porcentagem de cada uma das tribos do norte desceu e fixou residência na área de Judá. Depois desse tempo, o nome Judá ou Judeus referia-se não apenas à tribo específica de Judá, mas também à tribo de Benjamim, os Levitas e o remanescente de todas as tribos do norte. Não existem dez tribos perdidas. Todas as tribos de Israel estão incluídas no que hoje chamamos o povo judeu. Existem sete evidências bíblicas básicas que provam essa posição. O RESTO DE ISRAEL EM JUDÁ (II CRÔNICAS) O livro de II Crônicas registra diversas vezes que os membros das tribos do norte imigraram para Judá depois da divisão do reino. Isso ocorreu logo depois do momento da divisão. II Crônicas 10:16-17 diz: “Então, Israel se foi às suas tendas. QUANTO AOS FILHOS DE ISRAEL, PORÉM, QUE HABITAVAM NAS CIDADES DE JUDÁ, sobre eles reinou Roboão.” Não poderia ser explicado mais claramente que existiam membros das tribos israelenses vivendo no território de Judá. II Crônicas 11:3 declara que Roboão era o rei não apenas de Judá, mas de TODO o Israel em Judá e Benjamim. II Crônicas 11:16-17 afirma que os membros de TODAS as tribos de Israel que eram leais a D-us desceram a Jerusalém e fortaleceram o reino de Judá. II Crônicas 15:9 nos conta que durante o reavivamento do Rei Asa existiam “muitos de Israel” que vieram para Judá. II Crônicas 24:5 fala dos membros reunidos de todas as tribos de Israel. II Crônicas 30:21 e 25 fala dos filhos das tribos israelenses que vieram para Judá durante o tempo do Rei Ezequias. II Crônicas 31:6 fala novamente dos filhos de Israel que habitavam nas cidades de Judá. II Crônicas 30:10 faia dos membros das tribos de Efraim, Manassés, Zehulom e Aser vindo para Jerusalém. II Crônicas 30:18 também menciona a tribo de Isacar. II Crônicas 34:6 acrescenta a isso membros de uma lista dc tribos de Simeão e Naftali. II Crônicas 34:9 afirma claramente que existiam membros de ‘TODO O RESTO DE ISRAEL”, que estavam vivendo em Jerusalém depois do período de exílio assírio. II Crônicas 35:3 menciona novamente que existiam membros de “todo o Israel” que faziam parte de Judá. EXÍLIO RESTAURADO (ESDRAS E NEEMIAS) Depois do exílio babilônico, a nação de Israel foi restaurada sob a liderança de Esdras e Neemias. Nesses livros encontram-se vastos registros. O fato de que existiam cuidadosos registros genealógicos prova que não apenas eram os israelitas do norte parte da restauração, mas também que mantinham registros de suas famílias e sabiam a que tribo pertenciam. Esdras 2:2 começa com os registros do “numero dos homens do povo de ISRAEL”. Esse mesmo capítulo 2 de Esdras declara que o povo tinha registros genealógicos específicos não apenas com relação à qual das tribos do norte eles pertenciam, mas também a que família pertenciam: “provar que as suas famílias e a sua linhagem eram de Israel.” Aqueles que possuíam registros, mas não estavam perfeitamente documentados, eram desqualificados e tinham de esperar por uma verificação sobrenatural por Urim e Tumim (se eles aparecessem). Isso prova o quanto meticulosos e bem documentados eram os registros de famílias em sua maioria (Esdras 2:62-63). Esdras 2:70 fala novamente de “todo” Israel que habitava em Judá depois da restauração de Esdras e Neemias. Esdras 6:16 e 21 fala especificamente dos “filhos de Israel que tinham voltado do exílio”. Esdras 7:7, 9:1, 10:1 e 10:25 fala do problema que os israelitas tiveram com os casamentos com povos de outras terras. Neemias 7:7-73 repete a genealogia das tribos israelitas que foi registrada em Esdras 2. Neemias 9:2, 11:3 e 11:20 fala do “restante de Israel em todas as cidades de Judá”. Neemias 13:3 fala de separação dos gentios, de forma a não haver confusão nos registros genealógicos de Israel. O TESTEMUNHO DE ANA (LUCAS 2) Em Lucas 2:36 a profetisa Ana é relacionada como proveniente da tribo de Aser, uma das tribos mais ao norte e menos povoada de Israel. Em outras palavras, temos uma declaração clara no Novo Testamento de que as pessoas que eram consideradas judias no tempo de Yeshua incluíam pessoas das dez tribos do norte de Israel, e que elas possuíam documentação genealógica com respeito a quais tribos pertenciam. Como poderia a tribo de Aser, por exemplo, estar perdida” 700 anos antes de Yeshua, se Ana conhecia sua descendência de Aser durante a época do Novo Testamento? YESHUA E OS APÓSTOLOS (EVANGELHOS E ATOS) Yeshua ministrou por toda a terra de Israel. Levou em conta o povo judeu desse lugar. Em todos os seus discursos, pressupõe-se que Ele estava falando a todos os descendentes de Israel. Yeshua nunca mencionou a possibilidade de haver algum outro grupo ou alguma tribo perdida de Israel circulando em alguma parte. Na pregação aos judeus do primeiro século, Yeshua disse que Ele foi chamado para “procurar as ovelhas perdidas da casa de Israel.” (Mateus 10:6). Da mesma forma, os apóstolos se dirigiram às multidões de judeus no primeiro século, presumindo que eram todos descendentes de Israel. Em Atos 2:22 Pedro se volta para os “judeus” que viviam em Jerusalém e se refere a eles como “varões israelitas”. Pedro conclui seu sermão dirigindo-se à multidão como “toda a casa de Israel” (Atos 2:36). Em outras palavras, aos olhos de Pedro, o povo judeu no primeiro século incluía todas as tribos de Israel. Pedro manteve essa forma de abordar as pessoas, como “toda a casa de Israel”, em seus outros discursos (Atos 3:12, 4:8,4:10,4:27,5:21,5:31,5:35, 10:36). Paulo também se dirigiu aos judeus do primeiro século como “varões israelitas”. Continuou a se referir aos judeus como israelitas em todas suas mensagens (Atos 13:23-24, Atos 21:28, Atos 28:20). Os doze discípulos eram vistos como futuros líderes para “se assentarem nas doze tronos para julgar as doze tribos de Israel.” (Mateus 19:28). AS DOZE TRIBOS DE TIAGO A carta de Tiago é endereçada às “doze tribos que se encontram na Dispersão” Tiago 1:1. Ele não está se referindo a algumas tribos perdidas, mas ao público de judeus dispersos que acreditavam em Yeshua no primeiro século. O mesmo argumento é verdadeiro, conforme observamos a carta aos Hebreus. o grupo aqui chamado “Hebreus” não era alguma tribo de japoneses ou nativos americanos, pelo contrário, tratava-se do povo judeu do primeiro século. O REMANESCENTE DE ISRAEL (ROMANOS 9-11) Este argumento possui importância específica quando observamos as promessas de restauração do remanescente de Israel, referido no livro de Romanos, Capítulo 9 a 11. Aqui Paulo expressa sua oração para que os filhos de Israel sejam salvos (Romanos 9:14, 10:1-4). Esse remanescente a ser restaurado é o remanescente bíblico de Israel que cumpre as profecias. Eles são as mesmas pessoas que rejeitaram Yeshua no primeiro século. Não foi alguma tribo perdida que O rejeitou, porém os judeus que viviam em Israel naquela ocasião. Paulo declara que D-us não rejeitou o povo de Israel (Romanos 11:1). Há um remanescente de Israel pela graça (Romanos 11:5). “O que Israel não conseguiu, a eleição o alcançou.” (Romanos 11:7). A transgressão de Israel significou a salvação das nações dos gentios (Romanos 11:11). Seu restabelecimento será a ressurreição dentre os mortos (Romanos 11:12, 15). O texto inteiro de Romanos 9-11 apenas faz sentido se estiver falando a respeito do povo que conhecemos hoje como o povo judeu. Se alguém pensar que está se referindo aos Mórmons, ou Testemunhas de Jeová, ou aos Sionistas Cristãos, ou a algum outro grupo de povo nativo, o significado todo da passagem estará perdido. Esse ponto de vista irá destruir as promessas de D-us para Israel, o propósito do evangelismo em Israel, e o significado da reconciliação entre Israel e a igreja no final dos tempos. VISÃO DOS CULTOS Não é uma coincidência que tantos cultos chegaram à conclusão de que eles sejam de uma das dez tribos “perdidas” de Israel. Esse ponto de vista está confundindo seus membros e está incorreto de acordo com as Escrituras. Essa teologia é perigosa e enganosa à medida que tentamos compreender as profecias da restauração de Israel, que levam à segunda vinda do Messias Yeshua.
publicado por wellcorp às 09:59 | link do post
Israel ainda... não consegue reconhecer a Jesus como sendo o Messias.
Cumpre-se neles as Escrituras:
" Veio para os que eram seus, mas os seus não o receberam"
Muitos motivos levaram ao clero e aristocracia judaica à rejeição de Jesus em sua época.
Porém, a visão moderna nos situa com pistas claras sobre os motivos.
Conforme o estudo "Tudo sobre o Messias" do Rabino Aryeh Kaplan
Descendente do Rei David, ele profetizará uma era de paz mundial.
O Messias será um ser humano normal, nascido de pais humanos. Conseqüentemente, é possível que até já tenha nascido.
Semelhantemente, o Messias será mortal. Finalmente, morrerá e deixará seu reino como herança para seu filho ou sucessor.
A tradição menciona que este será um descendente direto do Rei David, filho de Jesse, como está escrito, "Do tronco de Jessé sairá um rebento, e das suas raízes um renovo." (Isaías 11:1). Da mesma forma, em nossas orações, pedimos, "que o filho de David floresça," e "que a memória de Mashiach Ben David surja... perante você." Existem inúmeras famílias judias hoje que podem traçar sua descendência diretamente ao Rei David.
O Messias será o maior líder e gênio político que o mundo já viu. E, igualmente será o homem mais sábio que já existiu. Usará seus talentos extraordinários para precipitar uma revolução mundial que trará a justiça social perfeita para a humanidade, e influenciará todas as pessoas a servirem a D’us com coração puro.
O Messias também alcançara a profecia e se tornará o maior profeta da história, segundo somente para Moisés.
Qualidades especiaisO profeta Isaías descreveu seis qualidades com as quais o Messias será santificado: "o espírito do D’us descansará nele, (1) o espírito de sabedoria e (2) compreensão, (3) o espírito do aconselhamento e (4) grandeza, (5) o espírito do conhecimento e (6) o temor a D’us" (Isaías 11:2). Em todas estas qualidades, o Messias superará qualquer outro ser humano.
O Messias não se deixará iludir pela falsidade e hipocrisia deste mundo. Terá o poder para entender o espírito da pessoa, conhecendo assim, seu registro espiritual completo podendo então julgar se é culpado ou não. Com relação a este poder, está escrito, "Deleitará-se pelo temor a D’us; não julgará pelo que seus olhos vêem, ou repreenderá pelo que seus ouvidos ouvem" (Isaías 11:3). Este é um sinal pelo qual o Messias será reconhecido. Porém, similarmente como o presente da profecia, este poder se desenvolverá gradualmente.
O Messias usará este poder para determinar em qual tribo cada judeu pertence. Então, dividirá a Terra de Israel em heranças terrestres onde cada tribo receberá sua parte. Começará com a tribo de Levi, determinando a legitimidade de cada Cohen e Levi. Com relação a isso o profeta escreve, "Ele purificará as crianças de Levi, e refinará-las como ouro e prata, para se tornarem portadoras de uma oferenda para D’us com honradez" (Malachi 3:3).
Metas e MissãoA missão do Messias tem seis partes. Sua tarefa principal é fazer com que todo o mundo retorne para D’us e Seus ensinamentos.
Ele também restabelecerá a dinastia real para os descendentes de David.
Ele supervisionará a reconstrução de Jerusalém, inclusive o Terceiro Templo.
Ele juntará o povo judeu na Terra de Israel.
Ele restabelecerá o Sanhedrin, o supremo tribunal religioso e as leis do povo judeu. Esta é uma condição necessária para a reconstrução do Terceiro Templo, como está escrito, "restituirei os teus juízes, como eram antigamente, os teus conselheiros, como no princípio; depois te chamarão cidade de justiça, cidade fiel. Sião será redimida pelo direito, e os que se arrependem, pela justiça “(Isaías 1:26-27). Este Sanhedrin também poderá reconhecer formalmente o Messias como rei de Israel.
Ele restabelecerá o sistema sacrifícios, como também as práticas do Ano Sabático (Shmitá) e o Ano Jubileu (Iovel).
Portanto, como Maimonides declara, "Se surgir um governador da família de David, submerso em Torá e em seus Mandamentos como David e seu antepassado, que siga tanto a Torá Escrita como a Oral, que conduza Israel de volta a Torá, fortalecendo a observância de suas leis e lutando em batalhas por D’us, então podemos assumir que ele é o Messias. E se for bem sucedido na reconstrução do Templo em seu local original e juntar o povo dispersado de Israel, sua identidade como Messias passa a ser uma certeza."
Influência mundialAssim como os poderes do Messias se desenvolverão, sua fama também o fará. O mundo começará a reconhecer sua profunda sabedoria e virá buscar seu conselho. Portanto, ensinará toda a humanidade a viver em paz e seguir os ensinamentos de D’us. Os profetas, deste modo, prenunciam, "Nos últimos dias acontecerá que o monte da casa do Eterno será estabelecido no cume dos montes, e se elevará sobre os outeiros, e para ele afluirão todos os povos. Irão muitas nações, e dirão: Vinde e subamos ao monte do Eterno, e à casa de D’us de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos e andemos pelas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e as palavras do Eterno de Jerusalém. Ele (o Messias) julgará entre os povos e corrigirá muitas nações; estes converterão as suas espadas em relhas de arados, e suas lanças em podadeiras: uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra." (Isaías 2:2-4, Miquéias 4:1-3)
Na Era Messiânica muitas pessoas não-judias se sentirão compelidas a se converter ao Judaísmo como o profeta prenuncia, “Darei a todas as pessoas uma língua pura, para que possam chamar o nome de D’us, e todos possam servi-Lo de uma só forma” (Zacarias 3:9). Uma vez que o Messias se revele, todavia, convertidos não serão aceitos.
Ainda, Jerusalém se tornará o centro de adoração e instrução para toda humanidade. Deste modo D’us disse a Seu profeta, "Voltarei para Sião, e habitarei no meio de Jerusalém; Jerusalém se chamará cidade fiel; e o monte do Eterno, monte santo " (Zacarias 8:3).
Então começará o período em que os ensinamentos de D’us serão supremos sobre toda humanidade, como está escrito, "O Eterno reinará no monte Sião e em Jerusalém; perante os seus anciãos (ele revelará sua) glória " (Isaías 24:23). Todas as pessoas virão para Jerusalém buscando D’us. O profeta Zacarias descreve este fato graficamente quando diz, "Virão muitos povos, e poderosas nações buscar em Jerusalém o Eterno e suplicar a Seu favor...naquele dia sucederá que pegarão dez homens, de todas as línguas das nações, pegarão, sim, na orla da veste de um judeu, e lhe dirão: Iremos convosco, porque temos ouvido que D’us está convosco." (Zacarias 8:22-23).
Em Jerusalém, o povo judeu será estabelecido como professores espirituais e morais de toda humanidade. Naquele tempo, Jerusalém se tornará a capital espiritual do mundo.
Na Era Messiânica, todas as pessoas acreditarão em D’us e proclamarão Sua Unidade. Desta forma, diz o profeta, "O Eterno será rei sobre toda terra; naquele dia um só será o Eterno, e um só será seu nome.”(Zacarias 14:9).
Paz e HarmoniaNa Era Messiânica, inveja e competições pararão de existir, e no lugar delas haverá abundância de coisas boas e todos os tipos de gentilezas serão tão normais quanto a poeira. Os homens não travarão ou se prepararão para guerra, como o profeta prenuncia, ". Uma Nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra.” (Isaías 2:4).
Na Era Messiânica, todas as nações viverão pacificamente juntas. Semelhantemente, pessoas de todas os níveis viverão juntas em harmonia. O profeta comenta este fato alegoricamente quando diz, "O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal cevado andarão juntos, e um pequenino os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; o leão comerá palha como o boi.” (Isaías 11:6-7).
Embora o Messias influencie e ensine toda humanidade, sua missão principal será trazer o povo judeu a D’us. Deste modo, o profeta diz, "Porque os filhos de Israel ficarão por muitos dias sem rei, sem príncipe, sem sacrifício, sem coluna, sem estola sacerdotal ou ídolos do lar. Depois tornarão os filhos de Israel e buscarão ao Eterno seu D’us, e a Davi, seu rei; e nos últimos dias, tremendo se aproximarão do Eterno e de sua bondade" (Oséias 3:4-5). Igualmente lemos, "O meu servo Davi reinará sobre eles; todos eles terão um só pastor, andarão nos meus juízos, guardarão os meus estatutos e os observarão.” (Ezequiel 37:24).
Ao passo que a sociedade avança em direção a perfeição e o mundo se torna cada vez mais religioso, a principal ocupação da humanidade será conhecer a D’us. A verdade será revelada e o mundo inteiro reconhecerá que a Torá é o verdadeiro ensinamento de D’us. É o que o profeta quer dizer quando escreve, "...a terra se encherá de conhecimento do Eterno, como as águas cobrem o mar” (Isaías 11:9). Da mesma forma, toda a humanidade atingirá os níveis mais altos de Inspiração Divina sem qualquer dificuldade.
Embora o homem ainda tenha o livre arbítrio na Idade Messiânica, ele terá todo o incentivo para fazer o bem e seguir os ensinamentos de D’us. Será como se o poder do mal estivesse totalmente aniquilado. É o que o profeta prenuncia, "porque está é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Eterno. Na mente lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei...não ensinará jamais cada um ao seu irmão dizendo: conheça D’us, porque todos Me conhecerão, desde o menor até o maior deles” (Jeremias 31:33-34).
O profeta também diz em nome de D’us, "Darei vos um coração novo, e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne” (Ezequiel 36:26), ou seja, a inclinação em direção ao bem estará tão fortalecida no homem que este não seguirá suas tentações físicas. Pelo contrário, irá constantemente se fortalecer espiritualmente e andará em direção a servir a D’us e seguir Sua Torá. Este é o significado da promessa da Torá: "E abrirá o Eterno, teu D’us, teu coração e o coração de tua descendência, para amares ao Eterno, teu D’us, com todo o coração e com toda tua alma, para que vivas” (Deuteronômio. 30:6).
Prática religiosa. O Messias não mudará nossa religião de forma alguma. Todos os mandamentos vão estar ligados à Era Messiânica. Nada será adicionado ou extraído da Torá.
Há uma opinião que diz que os únicos livros da Bíblia que serão regularmente estudados na Era Messiânica são os Cinco Livros de Moisés (o Pentateuco) e o Livro de Ester (Meguilat Ester). A razão para isto é que todos os outros ensinamentos dos profetas são derivados da Torá, e já que o Messias revelará todos os significados da Torá à perfeição, a escrita profética não será mais necessária.
O sistema de sacrifícios será restabelecido na Era Messiânica. Porém, só será aceito o sacrifício de ação de graças, pois já que o coração do homem será circuncidado o desejo de pecar não mais existirá e os sacrifícios que serviam para se reconciliar e reparar o erro não serão necessários. Conseqüentemente as únicas rezas que existirão serão as de ação de graças.
Nossos profetas e sábios não anseiam pela Era Messiânica para que possam mandar no mundo e dominar a humanidade. Também não desejam que as nações os honre, ou que possam ser capazes de comer, beber e serem felizes. Só desejam uma coisa: estarem livres para poderem se envolver com a Torá e sua sabedoria. Não querem que nada os atrapalhe ou distraia, pois, desta forma podem se empenhar para serem merecedores da vida no Mundo Vindouro.
Do livro: “The Handbook of Jewish Thought” (Vol. 2). Publicado pela Maznaim.
Contudo, lendo atentamente as profecias das Escrituras, como não enxergar EXATAMENTE de
quem os profetas estão falando?


John Ankerberg & John Weldon
"E sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o espírito de graça e de súplicas; olharão para mim, a quem traspassaram; pranteá-lo-ão como quem pranteia por um unigênito, e chorarão por ele, como se chora amargamente pelo primogênito"
(Zc 12.10, 500 a. C.).
O Contexto Dessa Passagem
Esse texto diz que em algum dia futuro Deus irá derramar o Seu Espírito sobre Israel e levar a nação a compreender e lamentar um evento crucial ocorrido no passado. O que irão compreender? Esta é uma das declarações mais surpreendentes feitas por Deus nas Escrituras. Ele diz: "Olharão para mim, a quem traspassaram, e chorarão por ele, como se chora amargamente pelo primogênito..." A pergunta é: quem é este a quem Israel vai olhar e, por causa do que virem, começarão a chorar?
A explicação desse texto
Zacarias é um livro-chave messiânico, oferecendo evidências adicionais de que o Messias judeu não era apenas um homem, mas a encarnação do próprio Deus. "Talvez em nenhum outro livro das Escrituras do Antigo Testamento a divindade do Messias seja tão claramente ensinada como em Zacarias."
[1] Em Zacarias 2.10, o profeta já enfatizou a surpreendente revelação de que Deus iria viver entre o povo judeu: "Canta e exulta, ó filha de Sião, porque eis que venho, e habitarei no meio de ti, diz o Senhor".
Zacarias relata aqui as palavras de Deus Jeová, que diz: "Olharão para mim, a quem traspassaram". O próprio Jeová afirma ser aquele a quem Israel traspassou. Mas, quando Israel traspassou Jeová?
Note que no meio da declaração: "Olharão para mim, a quem traspassaram, e chorarão por Ele", os pronomes são significativamente mudados. Eles se referem a pessoas diferentes. O que era a princípio uma referência a Jeová torna-se agora uma referência a um "Ele" não identificado, por quem toda a nação de Israel irá chorar. Novamente, duas pessoas específicas são mencionadas: (1) o Senhor que é traspassado e
(2) um Ele desconhecido que será pranteado como Filho unigênito.
Delitzsch e Gloag comentam:
Alguns tentam escapar da aplicação messiânica da predição, supondo que a palavra "traspassado" deva ser considerada em um sentido metafórico... Mas é duvidoso que possa ser tomada nesse... sentido; ela significa "atravessar", "perfurar como com uma lança". Além disso, o pranto aqui é aquele expresso pelos mortos: "como quem pranteia por um unigênito, e chorarão por ele, como se chora amargamente pelo primogênito."
[2] Essa passagem faz certamente surgir perguntas importantes. Se o termo hebraico para "traspassar" é "atravessar, matar",
[3] então quando Israel matou Jeová? E como o Criador do céu e da terra poderia ser morto por homens? Ao que parece, essa passagem, como Isaías 9.6, Miquéias 5.2, e outras, só pode ser explicada mediante a encarnação do próprio Deus: o Messias seria tanto Deus como homem.
Zacarias diz então que Israel irá compreender algum dia que na verdade mataram o seu Deus Jeová, e a nação começará a chorar amargamente por Ele, assim como uma família iria chorar a morte de seu único filho muito amado.
Essa profecia só se ajusta a Jesus Cristo. Por quê? Jesus Cristo é o único em toda a história israelita que
(1) afirmou ser Deus,
(2) afirmou ser o Messias, e
(3) foi realmente crucificado e morto pelos habitantes de Jerusalém.
Assim sendo, os judeus do Novo Testamento reconheceram que só Jesus cumpre as palavras dessa profecia. O apóstolo João escreveu: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus... E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai" (Jo 1.1,14). Jesus Cristo era a própria encarnação de Deus.
O apóstolo Paulo cria que Jesus era Deus e que Ele se propôs a morrer pelos nossos pecados. Paulo ensinou que Jesus era aquele que "subsistindo em forma de Deus... a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens... a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz" (Fp 2.6-8).
Finalmente, a profecia diz que toda a nação irá prantear e chorar amargamente pela morte deste que foi traspassado, "como se chora amargamente pelo primogênito". O povo judeu iria chorar por Ele como pela morte de um filho único se Ele não fosse realmente um de seus filhos judeus – como Jesus Cristo era?
E se o povo judeu viesse a reconhecer algum dia que Jesus era na verdade o seu Messias? E se eles compreendessem quem Ele realmente é? E se olhassem algum dia para Ele como Deus, "aquele a quem traspassaram"? Então a profecia de Zacarias não seria cumprida? Não haveria terrível choro em Jerusalém?
Lembre-se, Deus derrama o Seu Espírito sobre o Seu povo, a fim de que as pessoas venham a conhecer o Seu verdadeiro Messias, que as amou tanto que deu a Sua vida (traspassada) por elas. Nas palavras de Isaías: "o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos" (Is 53.6).
Zacarias 12.10 foi reconhecido como messiânico pelos judeus?
O fato dessa profecia se referir ao Messias foi admitido pelos rabinos.
[4] Por exemplo, essa profecia, "...como também o versículo 12, foi aplicada ao Messias Filho de José, no Talmude (Sukk. 52a)..."
[5] Vemos aqui que alguns intérpretes, procurando evitar a clara implicação das palavras, tentaram aplicar essa passagem ao "outro" Messias que iria sofrer, o Messias Ben Joseph.
...os intérpretes posteriores aplicaram-na ao Messias Ben Joseph, ou ao Messias sofredor, a quem inventaram para satisfazer as passagens da Escritura que falam tão claramente dessa característica do Redentor prometido. Mas, como criam que esse Messias, filho de José, era um simples homem, viram-se frente à dificuldade de Jeová ter declarado "olharão para MIM, a quem traspassaram"; portanto, se ela se refere ao Messias, ele não pode ser um simples homem, mas deve ser divino.
[6] Enfatizamos novamente que, quando Jeová diz: "olharão para mim, a quem traspassaram", essa profecia se ajusta singularmente apenas a Jesus Cristo em toda a História humana.
A evidência nas Escrituras hebraicas prova que Jesus é o Messias. Deus deu essa evidência com centenas de anos de antecipação, a fim de podermos identificar o Seu Messias. As Escrituras ensinam que o Messias deu a Sua vida pagando o preço que a justiça divina exigia pelos nossos pecados. Jesus, o Messias, disse: "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3.16). Para receber Jesus como seu Messias, seu Senhor e Salvador neste momento, você pode orar a Ele, entregando-Lhe sua vida. (John Ankerberg & John Weldon - http://www.ajesus.com.br/)
Notas:
1. Baron, Rays, 77.2. Delitzsch e Gloag, The Messiahship, Livro 2, 121.3. Keil e Delitzsch, The Minor Prophets, 388.4. T. V. Moore, (Zechariah, Haggai and Malachi (Carlisle, PA: Banner of Truth Trust, 1974), 199.5. Edersheim, The Life and Times of Jesus the Messiah (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1972), 737.6. Moore, Zechariah, 199-200.
publicado por wellcorp às 09:21 | link do post
Israel ainda... não consegue reconhecer a Jesus como sendo o Messias.
Cumpre-se neles as Escrituras:
" Veio para os que eram seus, mas os seus não o receberam"
Muitos motivos levaram ao clero e aristocracia judaica à rejeição de Jesus em sua época.
Porém, a visão moderna nos situa com pistas claras sobre os motivos.
Conforme o estudo "Tudo sobre o Messias" do Rabino Aryeh Kaplan
Descendente do Rei David, ele profetizará uma era de paz mundial.
O Messias será um ser humano normal, nascido de pais humanos. Conseqüentemente, é possível que até já tenha nascido.
Semelhantemente, o Messias será mortal. Finalmente, morrerá e deixará seu reino como herança para seu filho ou sucessor.
A tradição menciona que este será um descendente direto do Rei David, filho de Jesse, como está escrito, "Do tronco de Jessé sairá um rebento, e das suas raízes um renovo." (Isaías 11:1). Da mesma forma, em nossas orações, pedimos, "que o filho de David floresça," e "que a memória de Mashiach Ben David surja... perante você." Existem inúmeras famílias judias hoje que podem traçar sua descendência diretamente ao Rei David.
O Messias será o maior líder e gênio político que o mundo já viu. E, igualmente será o homem mais sábio que já existiu. Usará seus talentos extraordinários para precipitar uma revolução mundial que trará a justiça social perfeita para a humanidade, e influenciará todas as pessoas a servirem a D’us com coração puro.
O Messias também alcançara a profecia e se tornará o maior profeta da história, segundo somente para Moisés.
Qualidades especiaisO profeta Isaías descreveu seis qualidades com as quais o Messias será santificado: "o espírito do D’us descansará nele, (1) o espírito de sabedoria e (2) compreensão, (3) o espírito do aconselhamento e (4) grandeza, (5) o espírito do conhecimento e (6) o temor a D’us" (Isaías 11:2). Em todas estas qualidades, o Messias superará qualquer outro ser humano.
O Messias não se deixará iludir pela falsidade e hipocrisia deste mundo. Terá o poder para entender o espírito da pessoa, conhecendo assim, seu registro espiritual completo podendo então julgar se é culpado ou não. Com relação a este poder, está escrito, "Deleitará-se pelo temor a D’us; não julgará pelo que seus olhos vêem, ou repreenderá pelo que seus ouvidos ouvem" (Isaías 11:3). Este é um sinal pelo qual o Messias será reconhecido. Porém, similarmente como o presente da profecia, este poder se desenvolverá gradualmente.
O Messias usará este poder para determinar em qual tribo cada judeu pertence. Então, dividirá a Terra de Israel em heranças terrestres onde cada tribo receberá sua parte. Começará com a tribo de Levi, determinando a legitimidade de cada Cohen e Levi. Com relação a isso o profeta escreve, "Ele purificará as crianças de Levi, e refinará-las como ouro e prata, para se tornarem portadoras de uma oferenda para D’us com honradez" (Malachi 3:3).
Metas e MissãoA missão do Messias tem seis partes. Sua tarefa principal é fazer com que todo o mundo retorne para D’us e Seus ensinamentos.
Ele também restabelecerá a dinastia real para os descendentes de David.
Ele supervisionará a reconstrução de Jerusalém, inclusive o Terceiro Templo.
Ele juntará o povo judeu na Terra de Israel.
Ele restabelecerá o Sanhedrin, o supremo tribunal religioso e as leis do povo judeu. Esta é uma condição necessária para a reconstrução do Terceiro Templo, como está escrito, "restituirei os teus juízes, como eram antigamente, os teus conselheiros, como no princípio; depois te chamarão cidade de justiça, cidade fiel. Sião será redimida pelo direito, e os que se arrependem, pela justiça “(Isaías 1:26-27). Este Sanhedrin também poderá reconhecer formalmente o Messias como rei de Israel.
Ele restabelecerá o sistema sacrifícios, como também as práticas do Ano Sabático (Shmitá) e o Ano Jubileu (Iovel).
Portanto, como Maimonides declara, "Se surgir um governador da família de David, submerso em Torá e em seus Mandamentos como David e seu antepassado, que siga tanto a Torá Escrita como a Oral, que conduza Israel de volta a Torá, fortalecendo a observância de suas leis e lutando em batalhas por D’us, então podemos assumir que ele é o Messias. E se for bem sucedido na reconstrução do Templo em seu local original e juntar o povo dispersado de Israel, sua identidade como Messias passa a ser uma certeza."
Influência mundialAssim como os poderes do Messias se desenvolverão, sua fama também o fará. O mundo começará a reconhecer sua profunda sabedoria e virá buscar seu conselho. Portanto, ensinará toda a humanidade a viver em paz e seguir os ensinamentos de D’us. Os profetas, deste modo, prenunciam, "Nos últimos dias acontecerá que o monte da casa do Eterno será estabelecido no cume dos montes, e se elevará sobre os outeiros, e para ele afluirão todos os povos. Irão muitas nações, e dirão: Vinde e subamos ao monte do Eterno, e à casa de D’us de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos e andemos pelas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e as palavras do Eterno de Jerusalém. Ele (o Messias) julgará entre os povos e corrigirá muitas nações; estes converterão as suas espadas em relhas de arados, e suas lanças em podadeiras: uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra." (Isaías 2:2-4, Miquéias 4:1-3)
Na Era Messiânica muitas pessoas não-judias se sentirão compelidas a se converter ao Judaísmo como o profeta prenuncia, “Darei a todas as pessoas uma língua pura, para que possam chamar o nome de D’us, e todos possam servi-Lo de uma só forma” (Zacarias 3:9). Uma vez que o Messias se revele, todavia, convertidos não serão aceitos.
Ainda, Jerusalém se tornará o centro de adoração e instrução para toda humanidade. Deste modo D’us disse a Seu profeta, "Voltarei para Sião, e habitarei no meio de Jerusalém; Jerusalém se chamará cidade fiel; e o monte do Eterno, monte santo " (Zacarias 8:3).
Então começará o período em que os ensinamentos de D’us serão supremos sobre toda humanidade, como está escrito, "O Eterno reinará no monte Sião e em Jerusalém; perante os seus anciãos (ele revelará sua) glória " (Isaías 24:23). Todas as pessoas virão para Jerusalém buscando D’us. O profeta Zacarias descreve este fato graficamente quando diz, "Virão muitos povos, e poderosas nações buscar em Jerusalém o Eterno e suplicar a Seu favor...naquele dia sucederá que pegarão dez homens, de todas as línguas das nações, pegarão, sim, na orla da veste de um judeu, e lhe dirão: Iremos convosco, porque temos ouvido que D’us está convosco." (Zacarias 8:22-23).
Em Jerusalém, o povo judeu será estabelecido como professores espirituais e morais de toda humanidade. Naquele tempo, Jerusalém se tornará a capital espiritual do mundo.
Na Era Messiânica, todas as pessoas acreditarão em D’us e proclamarão Sua Unidade. Desta forma, diz o profeta, "O Eterno será rei sobre toda terra; naquele dia um só será o Eterno, e um só será seu nome.”(Zacarias 14:9).
Paz e HarmoniaNa Era Messiânica, inveja e competições pararão de existir, e no lugar delas haverá abundância de coisas boas e todos os tipos de gentilezas serão tão normais quanto a poeira. Os homens não travarão ou se prepararão para guerra, como o profeta prenuncia, ". Uma Nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra.” (Isaías 2:4).
Na Era Messiânica, todas as nações viverão pacificamente juntas. Semelhantemente, pessoas de todas os níveis viverão juntas em harmonia. O profeta comenta este fato alegoricamente quando diz, "O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal cevado andarão juntos, e um pequenino os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; o leão comerá palha como o boi.” (Isaías 11:6-7).
Embora o Messias influencie e ensine toda humanidade, sua missão principal será trazer o povo judeu a D’us. Deste modo, o profeta diz, "Porque os filhos de Israel ficarão por muitos dias sem rei, sem príncipe, sem sacrifício, sem coluna, sem estola sacerdotal ou ídolos do lar. Depois tornarão os filhos de Israel e buscarão ao Eterno seu D’us, e a Davi, seu rei; e nos últimos dias, tremendo se aproximarão do Eterno e de sua bondade" (Oséias 3:4-5). Igualmente lemos, "O meu servo Davi reinará sobre eles; todos eles terão um só pastor, andarão nos meus juízos, guardarão os meus estatutos e os observarão.” (Ezequiel 37:24).
Ao passo que a sociedade avança em direção a perfeição e o mundo se torna cada vez mais religioso, a principal ocupação da humanidade será conhecer a D’us. A verdade será revelada e o mundo inteiro reconhecerá que a Torá é o verdadeiro ensinamento de D’us. É o que o profeta quer dizer quando escreve, "...a terra se encherá de conhecimento do Eterno, como as águas cobrem o mar” (Isaías 11:9). Da mesma forma, toda a humanidade atingirá os níveis mais altos de Inspiração Divina sem qualquer dificuldade.
Embora o homem ainda tenha o livre arbítrio na Idade Messiânica, ele terá todo o incentivo para fazer o bem e seguir os ensinamentos de D’us. Será como se o poder do mal estivesse totalmente aniquilado. É o que o profeta prenuncia, "porque está é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Eterno. Na mente lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei...não ensinará jamais cada um ao seu irmão dizendo: conheça D’us, porque todos Me conhecerão, desde o menor até o maior deles” (Jeremias 31:33-34).
O profeta também diz em nome de D’us, "Darei vos um coração novo, e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne” (Ezequiel 36:26), ou seja, a inclinação em direção ao bem estará tão fortalecida no homem que este não seguirá suas tentações físicas. Pelo contrário, irá constantemente se fortalecer espiritualmente e andará em direção a servir a D’us e seguir Sua Torá. Este é o significado da promessa da Torá: "E abrirá o Eterno, teu D’us, teu coração e o coração de tua descendência, para amares ao Eterno, teu D’us, com todo o coração e com toda tua alma, para que vivas” (Deuteronômio. 30:6).
Prática religiosa. O Messias não mudará nossa religião de forma alguma. Todos os mandamentos vão estar ligados à Era Messiânica. Nada será adicionado ou extraído da Torá.
Há uma opinião que diz que os únicos livros da Bíblia que serão regularmente estudados na Era Messiânica são os Cinco Livros de Moisés (o Pentateuco) e o Livro de Ester (Meguilat Ester). A razão para isto é que todos os outros ensinamentos dos profetas são derivados da Torá, e já que o Messias revelará todos os significados da Torá à perfeição, a escrita profética não será mais necessária.
O sistema de sacrifícios será restabelecido na Era Messiânica. Porém, só será aceito o sacrifício de ação de graças, pois já que o coração do homem será circuncidado o desejo de pecar não mais existirá e os sacrifícios que serviam para se reconciliar e reparar o erro não serão necessários. Conseqüentemente as únicas rezas que existirão serão as de ação de graças.
Nossos profetas e sábios não anseiam pela Era Messiânica para que possam mandar no mundo e dominar a humanidade. Também não desejam que as nações os honre, ou que possam ser capazes de comer, beber e serem felizes. Só desejam uma coisa: estarem livres para poderem se envolver com a Torá e sua sabedoria. Não querem que nada os atrapalhe ou distraia, pois, desta forma podem se empenhar para serem merecedores da vida no Mundo Vindouro.
Do livro: “The Handbook of Jewish Thought” (Vol. 2). Publicado pela Maznaim.
Contudo, lendo atentamente as profecias das Escrituras, como não enxergar EXATAMENTE de
quem os profetas estão falando?


John Ankerberg & John Weldon
"E sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o espírito de graça e de súplicas; olharão para mim, a quem traspassaram; pranteá-lo-ão como quem pranteia por um unigênito, e chorarão por ele, como se chora amargamente pelo primogênito"
(Zc 12.10, 500 a. C.).
O Contexto Dessa Passagem
Esse texto diz que em algum dia futuro Deus irá derramar o Seu Espírito sobre Israel e levar a nação a compreender e lamentar um evento crucial ocorrido no passado. O que irão compreender? Esta é uma das declarações mais surpreendentes feitas por Deus nas Escrituras. Ele diz: "Olharão para mim, a quem traspassaram, e chorarão por ele, como se chora amargamente pelo primogênito..." A pergunta é: quem é este a quem Israel vai olhar e, por causa do que virem, começarão a chorar?
A explicação desse texto
Zacarias é um livro-chave messiânico, oferecendo evidências adicionais de que o Messias judeu não era apenas um homem, mas a encarnação do próprio Deus. "Talvez em nenhum outro livro das Escrituras do Antigo Testamento a divindade do Messias seja tão claramente ensinada como em Zacarias."
[1] Em Zacarias 2.10, o profeta já enfatizou a surpreendente revelação de que Deus iria viver entre o povo judeu: "Canta e exulta, ó filha de Sião, porque eis que venho, e habitarei no meio de ti, diz o Senhor".
Zacarias relata aqui as palavras de Deus Jeová, que diz: "Olharão para mim, a quem traspassaram". O próprio Jeová afirma ser aquele a quem Israel traspassou. Mas, quando Israel traspassou Jeová?
Note que no meio da declaração: "Olharão para mim, a quem traspassaram, e chorarão por Ele", os pronomes são significativamente mudados. Eles se referem a pessoas diferentes. O que era a princípio uma referência a Jeová torna-se agora uma referência a um "Ele" não identificado, por quem toda a nação de Israel irá chorar. Novamente, duas pessoas específicas são mencionadas: (1) o Senhor que é traspassado e
(2) um Ele desconhecido que será pranteado como Filho unigênito.
Delitzsch e Gloag comentam:
Alguns tentam escapar da aplicação messiânica da predição, supondo que a palavra "traspassado" deva ser considerada em um sentido metafórico... Mas é duvidoso que possa ser tomada nesse... sentido; ela significa "atravessar", "perfurar como com uma lança". Além disso, o pranto aqui é aquele expresso pelos mortos: "como quem pranteia por um unigênito, e chorarão por ele, como se chora amargamente pelo primogênito."
[2] Essa passagem faz certamente surgir perguntas importantes. Se o termo hebraico para "traspassar" é "atravessar, matar",
[3] então quando Israel matou Jeová? E como o Criador do céu e da terra poderia ser morto por homens? Ao que parece, essa passagem, como Isaías 9.6, Miquéias 5.2, e outras, só pode ser explicada mediante a encarnação do próprio Deus: o Messias seria tanto Deus como homem.
Zacarias diz então que Israel irá compreender algum dia que na verdade mataram o seu Deus Jeová, e a nação começará a chorar amargamente por Ele, assim como uma família iria chorar a morte de seu único filho muito amado.
Essa profecia só se ajusta a Jesus Cristo. Por quê? Jesus Cristo é o único em toda a história israelita que
(1) afirmou ser Deus,
(2) afirmou ser o Messias, e
(3) foi realmente crucificado e morto pelos habitantes de Jerusalém.
Assim sendo, os judeus do Novo Testamento reconheceram que só Jesus cumpre as palavras dessa profecia. O apóstolo João escreveu: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus... E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai" (Jo 1.1,14). Jesus Cristo era a própria encarnação de Deus.
O apóstolo Paulo cria que Jesus era Deus e que Ele se propôs a morrer pelos nossos pecados. Paulo ensinou que Jesus era aquele que "subsistindo em forma de Deus... a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens... a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz" (Fp 2.6-8).
Finalmente, a profecia diz que toda a nação irá prantear e chorar amargamente pela morte deste que foi traspassado, "como se chora amargamente pelo primogênito". O povo judeu iria chorar por Ele como pela morte de um filho único se Ele não fosse realmente um de seus filhos judeus – como Jesus Cristo era?
E se o povo judeu viesse a reconhecer algum dia que Jesus era na verdade o seu Messias? E se eles compreendessem quem Ele realmente é? E se olhassem algum dia para Ele como Deus, "aquele a quem traspassaram"? Então a profecia de Zacarias não seria cumprida? Não haveria terrível choro em Jerusalém?
Lembre-se, Deus derrama o Seu Espírito sobre o Seu povo, a fim de que as pessoas venham a conhecer o Seu verdadeiro Messias, que as amou tanto que deu a Sua vida (traspassada) por elas. Nas palavras de Isaías: "o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos" (Is 53.6).
Zacarias 12.10 foi reconhecido como messiânico pelos judeus?
O fato dessa profecia se referir ao Messias foi admitido pelos rabinos.
[4] Por exemplo, essa profecia, "...como também o versículo 12, foi aplicada ao Messias Filho de José, no Talmude (Sukk. 52a)..."
[5] Vemos aqui que alguns intérpretes, procurando evitar a clara implicação das palavras, tentaram aplicar essa passagem ao "outro" Messias que iria sofrer, o Messias Ben Joseph.
...os intérpretes posteriores aplicaram-na ao Messias Ben Joseph, ou ao Messias sofredor, a quem inventaram para satisfazer as passagens da Escritura que falam tão claramente dessa característica do Redentor prometido. Mas, como criam que esse Messias, filho de José, era um simples homem, viram-se frente à dificuldade de Jeová ter declarado "olharão para MIM, a quem traspassaram"; portanto, se ela se refere ao Messias, ele não pode ser um simples homem, mas deve ser divino.
[6] Enfatizamos novamente que, quando Jeová diz: "olharão para mim, a quem traspassaram", essa profecia se ajusta singularmente apenas a Jesus Cristo em toda a História humana.
A evidência nas Escrituras hebraicas prova que Jesus é o Messias. Deus deu essa evidência com centenas de anos de antecipação, a fim de podermos identificar o Seu Messias. As Escrituras ensinam que o Messias deu a Sua vida pagando o preço que a justiça divina exigia pelos nossos pecados. Jesus, o Messias, disse: "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3.16). Para receber Jesus como seu Messias, seu Senhor e Salvador neste momento, você pode orar a Ele, entregando-Lhe sua vida. (John Ankerberg & John Weldon - http://www.ajesus.com.br/)
Notas:
1. Baron, Rays, 77.2. Delitzsch e Gloag, The Messiahship, Livro 2, 121.3. Keil e Delitzsch, The Minor Prophets, 388.4. T. V. Moore, (Zechariah, Haggai and Malachi (Carlisle, PA: Banner of Truth Trust, 1974), 199.5. Edersheim, The Life and Times of Jesus the Messiah (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1972), 737.6. Moore, Zechariah, 199-200.
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O ABC de Shavout
Rabino Shraga Simmons
Um dos dias mais sagrados do ano judaico é também um dos menos conhecidos. Do que realmente se trata Shavuot?
É irônico saber que Shavuot seja um feriado tão pouco conhecido. Porque de fato, Shavuot celebra o único evento importante da história Judaica: a entrega da Torá no Monte Sinai.
Shavuot é a culminação das sete longas semanas da "contagem do Omer" que acontece depois de Pessach. O simples nome "Shavuot" quer dizer "semanas," em reconhecimento às semanas anteriores que prepararam o caminho para a experiência no Sinai. (Já que Shavuot ocorre 50 dias depois do primeiro dia de Páscoa, é às vezes conhecida como "Pentecostes," uma palavra grega que significa "o feriado de 50 dias”).
3,300 anos atrás, depois de deixar o Egito na noite de Pessach, os judeus viajaram no deserto de Sinai. Lá, toda a nação judaica, ou seja, 3 milhões de homens, mulheres e crianças, experimentaram diretamente a revelação divina:
E vos falou o Eterno no meio do fogo; som de palavras vós ouvistes, porém imagem alguma não vistes, tão somente uma voz. E vos anunciou a Sua aliança, que vos ordenou que a guardásseis, os dez pronunciamentos; e escreveu-os sobre duas tábuas de pedras. (Deuteronômio 4:12-13)
A entrega da Torá foi um evento de incríveis proporções que indelevelmente estamparam a nação judaica com um caráter, fé e destino singular. E nos 3,300 anos desde este evento, ideais da Torá como: monoteísmo, justiça, responsabilidade, se tornaram a base moral para a civilização Ocidental.
COMO COMEMORARTalvez a razão para a obscuridade de Shavuot seja porque este feriado não tem nenhum símbolo “óbvio" do dia, isto é, não tem Shofar, Sucá, Chanuká ou Menorá.
Em Shavuot, não há nenhum símbolo para nos distrair do foco central de vida judaica: a Torá. Então como comemoramos Shavuot? É um costume comum ficar acordado a noite inteira estudando Torá. E como a Torá é o caminho para a auto-perfeição,ou seja, para que melhoremos ainda mais, a noite de estudo de Shavuot é chamada Tikun Leil Shavuot, que significa "um ato de auto-aperfeiçoamento na noite de Shavuot."
Na sinagoga, na manhã de Shavuot, lemos o livro Bíblico de Ruth. Ruth era uma moça não-judia cujo amor por D’us e pela Torá a levou a se converter para o Judaísmo. A Torá insinua que as almas dos convertidos também estavam presentes no Sinai, como diz neste trecho: "E não somente convosco eu faço esta aliança e este juramento, mas com aquele que hoje está aqui presente diante do Eterno, nosso D’us, e com aquele que hoje não está aqui conosco”. (Deuteronômio. 29:13-14)
Ruth tem uma grande conexão com Shavuot, pois se tornou o antepassado do Rei David, que nasceu e morreu em Shavuot.
Em Shavuot é costume decorar a sinagoga com galhos e flores. Isto é porque no dia do recebimento da Torá, nasceram flores. A Bíblia também associa Shavuot com a colheita de trigo e frutas, e marca o oferecimento das primeiras frutas ao Templo Sagrado como uma expressão de ação de graças. (veja Êxodo 23:16, 34:22, Números 28:26)
COMIDAS DERIVADAS DE LEITEHá uma tradição judaica universal de que devemos comer comidas de leite em Shavuot. Há várias razões oferecidas por muitos estudiosos, umas mais convincentes do que as outras. Apresentamos aqui uma seleção:
1. O livro Bíblico Cântico dos Cânticos (4:11) se refere ao doce valor nutritivo da Torá dizendo: "Ela goteja de seus lábios, como mel e leite sob sua língua."
2. O verso em Êxodo 23:19 aproxima o feriado de Shavuot com a proibição de misturar carne e leite. Conseqüentemente em Shavuot, comemos refeições separadas, uma de leite e uma de carne.
Ao receber a Torá no Monte Sinai, os judeus ficaram, imediatamente, obrigados a cumprir as leis de Sh 'chitá, o abatimento de animais. Já que não tinham tempo para preparar a carne casher, comeram comidas de leite ao invés da carne.
PEREGRINAÇÃO AO MURO DAS LAMENTAÇÕESEm 1967, a Guerra dos Seis Dias terminou poucos dias antes de Shavuot. Israel recuperou o Muro das Lamentações, e pela primeira vez em 20 anos, os judeus puderam ter acesso ao seu local mais santo. Em Shavuot, o Muro das Lamentações foi aberto para visitas, e naquele memorável dia, mais de 200,000 judeus fizeram a pé, o trajeto até o Muro das lamentações. (Em Jerusalém, nos feriados judaicos, os carros e ônibus não funcionam).
Nos anos seguintes, esta "peregrinação pedestre" se tornou uma tradição que ocorre periodicamente. Logo cedo, na manhã de Shavuot, depois de uma noite cheia de estudos de Torá, as ruas de Jerusalém ficam repletas com dezenas de milhares de judeus que caminham para o Muro das Lamentações.
Esta tradição tem precedência Bíblica. Shavuot é um de três mais importantes festivais de peregrinação do Judaísmo, onde a nação inteira se junta em Jerusalém para celebrar e estudar.
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O ABC de Shavout
Rabino Shraga Simmons
Um dos dias mais sagrados do ano judaico é também um dos menos conhecidos. Do que realmente se trata Shavuot?
É irônico saber que Shavuot seja um feriado tão pouco conhecido. Porque de fato, Shavuot celebra o único evento importante da história Judaica: a entrega da Torá no Monte Sinai.
Shavuot é a culminação das sete longas semanas da "contagem do Omer" que acontece depois de Pessach. O simples nome "Shavuot" quer dizer "semanas," em reconhecimento às semanas anteriores que prepararam o caminho para a experiência no Sinai. (Já que Shavuot ocorre 50 dias depois do primeiro dia de Páscoa, é às vezes conhecida como "Pentecostes," uma palavra grega que significa "o feriado de 50 dias”).
3,300 anos atrás, depois de deixar o Egito na noite de Pessach, os judeus viajaram no deserto de Sinai. Lá, toda a nação judaica, ou seja, 3 milhões de homens, mulheres e crianças, experimentaram diretamente a revelação divina:
E vos falou o Eterno no meio do fogo; som de palavras vós ouvistes, porém imagem alguma não vistes, tão somente uma voz. E vos anunciou a Sua aliança, que vos ordenou que a guardásseis, os dez pronunciamentos; e escreveu-os sobre duas tábuas de pedras. (Deuteronômio 4:12-13)
A entrega da Torá foi um evento de incríveis proporções que indelevelmente estamparam a nação judaica com um caráter, fé e destino singular. E nos 3,300 anos desde este evento, ideais da Torá como: monoteísmo, justiça, responsabilidade, se tornaram a base moral para a civilização Ocidental.
COMO COMEMORARTalvez a razão para a obscuridade de Shavuot seja porque este feriado não tem nenhum símbolo “óbvio" do dia, isto é, não tem Shofar, Sucá, Chanuká ou Menorá.
Em Shavuot, não há nenhum símbolo para nos distrair do foco central de vida judaica: a Torá. Então como comemoramos Shavuot? É um costume comum ficar acordado a noite inteira estudando Torá. E como a Torá é o caminho para a auto-perfeição,ou seja, para que melhoremos ainda mais, a noite de estudo de Shavuot é chamada Tikun Leil Shavuot, que significa "um ato de auto-aperfeiçoamento na noite de Shavuot."
Na sinagoga, na manhã de Shavuot, lemos o livro Bíblico de Ruth. Ruth era uma moça não-judia cujo amor por D’us e pela Torá a levou a se converter para o Judaísmo. A Torá insinua que as almas dos convertidos também estavam presentes no Sinai, como diz neste trecho: "E não somente convosco eu faço esta aliança e este juramento, mas com aquele que hoje está aqui presente diante do Eterno, nosso D’us, e com aquele que hoje não está aqui conosco”. (Deuteronômio. 29:13-14)
Ruth tem uma grande conexão com Shavuot, pois se tornou o antepassado do Rei David, que nasceu e morreu em Shavuot.
Em Shavuot é costume decorar a sinagoga com galhos e flores. Isto é porque no dia do recebimento da Torá, nasceram flores. A Bíblia também associa Shavuot com a colheita de trigo e frutas, e marca o oferecimento das primeiras frutas ao Templo Sagrado como uma expressão de ação de graças. (veja Êxodo 23:16, 34:22, Números 28:26)
COMIDAS DERIVADAS DE LEITEHá uma tradição judaica universal de que devemos comer comidas de leite em Shavuot. Há várias razões oferecidas por muitos estudiosos, umas mais convincentes do que as outras. Apresentamos aqui uma seleção:
1. O livro Bíblico Cântico dos Cânticos (4:11) se refere ao doce valor nutritivo da Torá dizendo: "Ela goteja de seus lábios, como mel e leite sob sua língua."
2. O verso em Êxodo 23:19 aproxima o feriado de Shavuot com a proibição de misturar carne e leite. Conseqüentemente em Shavuot, comemos refeições separadas, uma de leite e uma de carne.
Ao receber a Torá no Monte Sinai, os judeus ficaram, imediatamente, obrigados a cumprir as leis de Sh 'chitá, o abatimento de animais. Já que não tinham tempo para preparar a carne casher, comeram comidas de leite ao invés da carne.
PEREGRINAÇÃO AO MURO DAS LAMENTAÇÕESEm 1967, a Guerra dos Seis Dias terminou poucos dias antes de Shavuot. Israel recuperou o Muro das Lamentações, e pela primeira vez em 20 anos, os judeus puderam ter acesso ao seu local mais santo. Em Shavuot, o Muro das Lamentações foi aberto para visitas, e naquele memorável dia, mais de 200,000 judeus fizeram a pé, o trajeto até o Muro das lamentações. (Em Jerusalém, nos feriados judaicos, os carros e ônibus não funcionam).
Nos anos seguintes, esta "peregrinação pedestre" se tornou uma tradição que ocorre periodicamente. Logo cedo, na manhã de Shavuot, depois de uma noite cheia de estudos de Torá, as ruas de Jerusalém ficam repletas com dezenas de milhares de judeus que caminham para o Muro das Lamentações.
Esta tradição tem precedência Bíblica. Shavuot é um de três mais importantes festivais de peregrinação do Judaísmo, onde a nação inteira se junta em Jerusalém para celebrar e estudar.
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O ABC de Purim
por Rabino Shraga Simons
Purim é o feriado judaico mais dramático e repleto de alegria. Pois, em que outra data podemos nos vestir de coelhinho e comer doces em forma de triângulos recheados com ameixas secas e sementes de papoula?
Purim acontece no dia 14 de Adar. (Nas cidades cercadas como Jerusalém, "Shushan Purim" é comemorado no dia 15 de Adar.)O principal evento é a leitura do Livro de Esther. Localizada na Pérsia, há 2,300 anos atrás, a "Megillá" (como é denominada normalmente) reconta como uma série de acontecimentos aparentemente sem conexão ocorreu para salvar o povo judeu da aniquilação. A versão resumida é a seguinte:Quando o Rei Achashverosh fez uma longa festa de seis meses e a rainha se recusou a obedecer a suas ordens, ela foi substituída por uma nova rainha: Esther, a judia. O tio de Esther, Mordechai, o líder dos judeus, descobre uma conspiração para matar o rei, o que o coloca numa posição favorável com o rei. Tudo isso acontece ao mesmo tempo em Haman, o mais importante conselheiro do rei, consegue um decreto para matar todos os judeus. No final, através de uma complexa mistura de eventos, Esther consegue inverter o decreto de Haman e este é enforcado, tornando Mordechai o Primeiro Ministro.O nome Megillat Esther (pergaminho do de Esther) significa "revelar o que está escondido." E diferentemente dos outros livros da Bíblia, na Megillat Esther o nome de D’us não é mencionado nenhuma vez. A mão escondida de D’us é revelada pelo labirinto de eventos. Não existem coincidências.A Megillat Esther nos ensina que a vida nos desafia para que possamos dar o que há de melhor em nós, e o que parece como obstáculos são realmente oportunidades para nos desenvolvermos para melhor. E tudo isso vem da mão invisível de D’us, que guia nosso destino e cada passo que damos.
A CELEBRAÇÃO DE PURIM HOJE EM DIA
Há quatro mitzvot específicas para o feriado de Purim:
Ouvir a leitura da Megillá (pergaminho de Esther)
“Comer, beber e estar alegre (a refeição festiva de Purim)”.
Enviar comida para os amigos (Mishloach Manot)
Dar presente aos pobres (Matanot La 'evionim)
A leitura do Livro de Esther é feita na noite de Purim e novamente no dia seguinte. Cada palavra deve ser claramente ouvida. A leitura é feita na sinagoga, porque quanto maior for o público, maior é a publicidade que o milagre de nossa salvação recebe. Na manhã de Purim, corremos pela cidade visitando amigos e entregando saborosos presentes: o Mishloach Manot. Purim é o dia em que estendemos a mão e abraçamos nossos companheiros judeus, independente de quaisquer diferenças religiosas ou sociais. Afinal, Haman não nos discriminou... e é por isso que é bom darmos presentes particularmente às pessoas as quais tivemos uma discussão ou para alguém novo na comunidade que precisa de um novo amigo. Também é uma mitzvá especial de Purim darmos presentes normalmente em dinheiro para os pobres. Pois o povo judeu é um só, não podemos desfrutar o feriado se as pessoas mais necessitadas não têm o suficiente para fazê-lo.Aí vem o final do dia, a refeição festiva. Comemos o máximo que podemos, tudo o que for possível, e suprimimos nossos corpos, pois eram os corpos dos judeus que Haman queria destruir. Também deve-se beber em Purim até não se saber a diferença entre “amaldiçoado Haman” e “abençoado Mordechai”. Em outras palavras, somos obrigados a beber até o momento em que não saibamos mais a diferença entre o bem e o mal.
Vestimos fantasias para enfraquecermos nossas defesas e nos abrirmos para a realidade mais profunda de nós mesmos e do mundo. Todos nossos problemas e imperfeições na vida se misturam em bondade até que se tornem uma expressão unificada da infinita perfeição de D’us. Não existe nenhum outro feriado como Purim!

http://www.aishbrasil.com.br/new/artigo_abc.asp
publicado por wellcorp às 09:16 | link do post
O ABC de Purim
por Rabino Shraga Simons
Purim é o feriado judaico mais dramático e repleto de alegria. Pois, em que outra data podemos nos vestir de coelhinho e comer doces em forma de triângulos recheados com ameixas secas e sementes de papoula?
Purim acontece no dia 14 de Adar. (Nas cidades cercadas como Jerusalém, "Shushan Purim" é comemorado no dia 15 de Adar.)O principal evento é a leitura do Livro de Esther. Localizada na Pérsia, há 2,300 anos atrás, a "Megillá" (como é denominada normalmente) reconta como uma série de acontecimentos aparentemente sem conexão ocorreu para salvar o povo judeu da aniquilação. A versão resumida é a seguinte:Quando o Rei Achashverosh fez uma longa festa de seis meses e a rainha se recusou a obedecer a suas ordens, ela foi substituída por uma nova rainha: Esther, a judia. O tio de Esther, Mordechai, o líder dos judeus, descobre uma conspiração para matar o rei, o que o coloca numa posição favorável com o rei. Tudo isso acontece ao mesmo tempo em Haman, o mais importante conselheiro do rei, consegue um decreto para matar todos os judeus. No final, através de uma complexa mistura de eventos, Esther consegue inverter o decreto de Haman e este é enforcado, tornando Mordechai o Primeiro Ministro.O nome Megillat Esther (pergaminho do de Esther) significa "revelar o que está escondido." E diferentemente dos outros livros da Bíblia, na Megillat Esther o nome de D’us não é mencionado nenhuma vez. A mão escondida de D’us é revelada pelo labirinto de eventos. Não existem coincidências.A Megillat Esther nos ensina que a vida nos desafia para que possamos dar o que há de melhor em nós, e o que parece como obstáculos são realmente oportunidades para nos desenvolvermos para melhor. E tudo isso vem da mão invisível de D’us, que guia nosso destino e cada passo que damos.
A CELEBRAÇÃO DE PURIM HOJE EM DIA
Há quatro mitzvot específicas para o feriado de Purim:
Ouvir a leitura da Megillá (pergaminho de Esther)
“Comer, beber e estar alegre (a refeição festiva de Purim)”.
Enviar comida para os amigos (Mishloach Manot)
Dar presente aos pobres (Matanot La 'evionim)
A leitura do Livro de Esther é feita na noite de Purim e novamente no dia seguinte. Cada palavra deve ser claramente ouvida. A leitura é feita na sinagoga, porque quanto maior for o público, maior é a publicidade que o milagre de nossa salvação recebe. Na manhã de Purim, corremos pela cidade visitando amigos e entregando saborosos presentes: o Mishloach Manot. Purim é o dia em que estendemos a mão e abraçamos nossos companheiros judeus, independente de quaisquer diferenças religiosas ou sociais. Afinal, Haman não nos discriminou... e é por isso que é bom darmos presentes particularmente às pessoas as quais tivemos uma discussão ou para alguém novo na comunidade que precisa de um novo amigo. Também é uma mitzvá especial de Purim darmos presentes normalmente em dinheiro para os pobres. Pois o povo judeu é um só, não podemos desfrutar o feriado se as pessoas mais necessitadas não têm o suficiente para fazê-lo.Aí vem o final do dia, a refeição festiva. Comemos o máximo que podemos, tudo o que for possível, e suprimimos nossos corpos, pois eram os corpos dos judeus que Haman queria destruir. Também deve-se beber em Purim até não se saber a diferença entre “amaldiçoado Haman” e “abençoado Mordechai”. Em outras palavras, somos obrigados a beber até o momento em que não saibamos mais a diferença entre o bem e o mal.
Vestimos fantasias para enfraquecermos nossas defesas e nos abrirmos para a realidade mais profunda de nós mesmos e do mundo. Todos nossos problemas e imperfeições na vida se misturam em bondade até que se tornem uma expressão unificada da infinita perfeição de D’us. Não existe nenhum outro feriado como Purim!

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Cronologia de Daniel

Ano A.C.
Ano D.C.
Evento
3398
605
Daniel foi levado en cativeiro para Babilonia, 1:1-7.
3399
604
O pai de Nabucodonosor morre
3401
602
Joaquimse rebelou contra Nabucodonosor, 2 Reis 24:1.
3402
601
Nabucodonosor teve o sonho da estatua de materiais diferentes, capitulo 2
Daniel e seus companheiros recebem una promoção do Rei Nabucodonosor.
Nascimento de Ciro, filho de Cambyses e Mandane.
3405
598
Joaquim foi morto pelos Caldeus. Joaquim foi feito rei, somente por tres meses e dez dias.
(S)Zedequías, o ultimo rei de Judá, o substituiu e reinou por onze anos.
3416
587
Jerusalen cai. A destruição do templo, 2 Cronicas 36.
3434
569
O regreso de Nabucodonosor a Babilonia depois de suas grandes conquistas na Fenicia, Judá, e Egito.
Nabucodonosor tem o sonho dal grande árvore, 4:7, etc.
3435
568
Nabucodonosor enlouquece por sete anos, 4:32, 33.
3442
561
Nabucodonosor recupera sua sanidade e é elevado ao trono outra vez.
A imagem (ídolo) de ouro é levantada. Os três amigos de Daniel são lançados ao forno, capitulo 3
Morte de Nabucodonosor depois de seu reino de quarenta e três anos, segundo Berosus (historiador).
Malo-Merodac siguió a Nabucodonosor y reinó dos años — segun Berosus.
Malo-Merodach dió libertad a Rey Joacim, Jeremías 52:31.
3444
559
Belsasar el hijo de Merodach siguió a su padre como rey, Daniel 7:1.
La vision de Daniel de los cuatro bestias, representada por los cuatro grandes imperios, capitulo 7.
3447
556
La vision de Daniel del carnero y la cabra, capitulo 8
Belsasar murió, capitulo 5.
3449
554
Darius el Medo, llamado Cyaxares por Xenophon, y Astyages en la Apocryfia, hijo de Astyages, rey de los Medos, y bistio maternal a Belshazzar, el lo reemplace en el gobierno de Chaldea, 5:30, 31.Vea Isaias 13:1, etc.
Las visiones de Daniel en los capitulos 9, 10, 11, 12
Ciro atacó a los Medos en el primero o segundo año de Darío el Medo, capitulo 10:1.
3455
548
Daniel fue lanzado al foso de los leones, capitulo 6.
3456
547
Darío murió. Crio siguió como rey.
3457
546
Fin de la cautividad a los Babilonianos declarado por Crio en el primero año de su reino, 2 Cronicas 36:22, y Esdras 1:1; pero, es interrumpido. Vea abajo.
3485
518
Fin de los setenta años profetisados por Jeremías. Darío Hystaspes mandó la continuación de la construcción del templo en Jerusalén.
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Cronologia de Daniel

Ano A.C.
Ano D.C.
Evento
3398
605
Daniel foi levado en cativeiro para Babilonia, 1:1-7.
3399
604
O pai de Nabucodonosor morre
3401
602
Joaquimse rebelou contra Nabucodonosor, 2 Reis 24:1.
3402
601
Nabucodonosor teve o sonho da estatua de materiais diferentes, capitulo 2
Daniel e seus companheiros recebem una promoção do Rei Nabucodonosor.
Nascimento de Ciro, filho de Cambyses e Mandane.
3405
598
Joaquim foi morto pelos Caldeus. Joaquim foi feito rei, somente por tres meses e dez dias.
(S)Zedequías, o ultimo rei de Judá, o substituiu e reinou por onze anos.
3416
587
Jerusalen cai. A destruição do templo, 2 Cronicas 36.
3434
569
O regreso de Nabucodonosor a Babilonia depois de suas grandes conquistas na Fenicia, Judá, e Egito.
Nabucodonosor tem o sonho dal grande árvore, 4:7, etc.
3435
568
Nabucodonosor enlouquece por sete anos, 4:32, 33.
3442
561
Nabucodonosor recupera sua sanidade e é elevado ao trono outra vez.
A imagem (ídolo) de ouro é levantada. Os três amigos de Daniel são lançados ao forno, capitulo 3
Morte de Nabucodonosor depois de seu reino de quarenta e três anos, segundo Berosus (historiador).
Malo-Merodac siguió a Nabucodonosor y reinó dos años — segun Berosus.
Malo-Merodach dió libertad a Rey Joacim, Jeremías 52:31.
3444
559
Belsasar el hijo de Merodach siguió a su padre como rey, Daniel 7:1.
La vision de Daniel de los cuatro bestias, representada por los cuatro grandes imperios, capitulo 7.
3447
556
La vision de Daniel del carnero y la cabra, capitulo 8
Belsasar murió, capitulo 5.
3449
554
Darius el Medo, llamado Cyaxares por Xenophon, y Astyages en la Apocryfia, hijo de Astyages, rey de los Medos, y bistio maternal a Belshazzar, el lo reemplace en el gobierno de Chaldea, 5:30, 31.Vea Isaias 13:1, etc.
Las visiones de Daniel en los capitulos 9, 10, 11, 12
Ciro atacó a los Medos en el primero o segundo año de Darío el Medo, capitulo 10:1.
3455
548
Daniel fue lanzado al foso de los leones, capitulo 6.
3456
547
Darío murió. Crio siguió como rey.
3457
546
Fin de la cautividad a los Babilonianos declarado por Crio en el primero año de su reino, 2 Cronicas 36:22, y Esdras 1:1; pero, es interrumpido. Vea abajo.
3485
518
Fin de los setenta años profetisados por Jeremías. Darío Hystaspes mandó la continuación de la construcción del templo en Jerusalén.
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Patomorphia

A Patilha (patilha: ao contrário do que o Aurélio diz, é uma mistura de patos com matilha) grasnava desconfiada na entrada do Curral dos Patos naquele sítio em Paty de Alferes. A chuva patente trazia consigo um patamar de patiferinas (essa eu inventei) trovoadas. A repórter se sentia como uma pata, sem entender patavina do que iria encontrar ali. O Portão rangeu demonstrando patologia de antigüidade, ferrugem. Abandonado. Patife. Aquela patuscada só poderia ter saído da mente sádica do seu editor chefe. Como era mesmo o assunto que ele se referiu? Patognoscia? Não. Patogênese? Ela já estava sentindo era uma patognomia alérgica. Bateu a porta do sítio abandonado. Grasnavam gansos distantes escondidos na penumbra. Alguém veio abrir, passos lépidos sobre o patíbulo. E ainda falavam sobre paternalismo no seu trabalho. Patetas. Era ela que estava ali no meio do nada, na chuva e não eles. Quem abriu a porta, ela não sabia quem, grasnou... Ou quase isso... ..
Com uma voz rouca: - Entra!
e antes que pudesse ser visto, sumiu pela escuridão fantasmagórica do patódromo. Só podia chamar aquela coisa de patódromo. Na verdade havia alguma luz. Uma lamparina iluminou um pouco o piso rústico de madeira desconhecida, coberto por penas. Penas? A voz rouca convocou a assustada repórter:- Venha até aqui.
Ela foi. Passou pelo primeiro patamar, ultrapassou o pórtico, pateando. O indivíduo não se mostrava. Ficava envolto na escuridão. Movia-se estranhamente. Patrícia iria agradecer pessoalmente essa patifaria do seu editor chefe se sobrevivesse.
- Patinha, essa entrevista vai ser a mais fácil de toda sua carreira. O Editor sorria. Odiava ser chamada por aquele apelido.
- o professor é meio excêntrico, e a muitos anos se isolou em seu sítio em Paty de alferes. Sua grande chance, Patinha. Minha grande chance. Pensava.
Ela imaginou a pátera (taça) contendo sangue para o sacrifício sendo erguida enquanto o editor emitia a autorização para sua saída. Ao ouvir a voz gutural da figura sombria que iria entrevistar era como se estivesse em pate
( jogada do xadrez em que o rei não pode se mover). Que situação patética.
Os gansos grasnavam mais alto que os trovões. A voz rouca e patibular (com certa intenção criminosa). Iniciou seu monólogo tão rapidamente que Patrícia quase não teve tempo de ligar o gravador.
- Meu nome você já sabe qual é. Eu sou Patelseer. Mc Voon Patelseer. Meus estudos genéticos sobre melhoria de linhagem dos anseriformes, da família dos anatídeos, vulgarmente conhecidos como patos, é reconhecida mundialmente. Nesse momento Patrícia julgou vislumbrar uma patorra. Um imenso pé. (Aquilo era um pé?) Estava assombrada com a situação.
Se sentia como uma pata-choca. Como levar a sério aquela patacoada? (coisa que não se leva a sério, disparate) Acreditar num vulto, numa voz na escuridão. Relampejava. Cada trovão era como uma patada na sua testa. Acalme-se, seja uma profissional, pensava. Prestaria atenção naquele grasnador.(aquele que grasna).
- Numa noite a anos atrás desenvolvi um composto para dar a patos domésticos a resistência contra doenças que os marrecos possuem. Trabalhava com um composto genético. Levava uma das cobaias juntamente com a injeção contendo o composto para o laboratório. Escorreguei numa poça causada pelo vazamento de uma mangueira e na queda, além de matar o pato, acidentalmente injetei em mim parte da solução.
O vento gelado sibilando apagou o lamparina.
Patrícia escutou um terrível grasnido. Com o susto deixou cair o gravador. A pancada do aparelho no chão assustou Von Patelseer. Grasnando ele gritou:
- Eu disse que não queria que minha entrevista fosse filmada ou gravada!
Esse sujeito devia ter alguma patogenia grave. Subitamente uma cortinada se rasgou, o barulho de vidros espatifando-se no chão desviou sua atenção. Patrícia correu para fora da casa, assustada no meio da chuva torrencial, olhou para o lado, o da janela quebrada e vislumbrou alguém correndo em meio as sombras, desajeitadamente. Então relampejou. Sob o clarão do relâmpago ela viu um imenso pato correndo. O maior de todos que ela já viu, sumindo em direção as colinas do curral dos patos. Ela não tinha entendido patavina. A não ser que...aquele pato não fosse um pato... Não. Chega de patranhas.
Dizendo adeus ao curral dos patos, entrou no carro e nunca mais voltou aquele lugar. O editor chefe ainda a chama de Patinha.
Ela ainda odeia esse apelido.
Patomorphia
"Não pergunte por quem os patos grasnam
Eles grasnam por ti"
Parafraseando o Ernest
vixe.


Seis meses depois.


- Patabéns pra você! nesta pata querida! Muitas patacidades! muitos patos de vida!
Patinha! Patinha! Patinha!
O barulho ensurdecedor daqueles apitos que imitam pato ainda iria tirar Patrícia do sério. Ela sabia que o apelido tinha começado na seção de homicídios lá na redação. E era justamente na seção de homicídios que ela iria aparecer, não como entrevistadora, se descobrisse de quem tinha sido a proeza. As paredes do escritório foram decoradas, como não poderia deixar de ser, com motivos patinos. Uma cena pintada a mão pelo Carl Barks com o Pato Donald descendo o Vale Perdido, onde iria encontrar um povo que nunca vira um objeto redondo, cobria a imensa janela de blindex cinza do lado do edifício. Até o palhaço do editor usava um boné de marinheiro. O bolo imenso com velas em forma de patinhos era trazido pelo oficce-boy do setor. Ele iria morrer.
- Patinha! Patinha! Patinha!
Aline, Vera e Célia, suas colegas de setor, Luciana, Angela e Michelle, do andar inferior, faziam a festa, em conjunto com Alexandre, o Borges, Oliva e o Márcio. O Márcio distribuíra os apitos. Márcio iria morrer juntamente com o oficce-boy. Patrícia se deleitava ao imaginar a cena da janela de blindex se estilhaçando enquanto o Borges e o Márcio eram atirados do oitavo andar da Redação. Só que nessa hora, o blindex se estilhaçou, MESMO. De verdade. A pintura do Carl Barks se rasgou enquanto os pequenos estilhaços voavam para dentro do setor aos gritos assustados de todos os que presenciavam a cena. Algo entrara no edifício, violentamente e agora estava de pé sobre a mesa próxima ao janelão.
- VEJAM! GENTE! QUE BARATO! É O PATO DONALD!
Os presentes abriram os olhos, ainda retirando os estilhaços de sobre o cabelo olhavam espantados o imenso bico do "fantasiado" a sua frente. Irromperam em aplausos.
- UAU! DEMAIS! Gritava o Borges.
O imenso pato com uma roupa estranha correu em direção a Patrícia. O pessoal estava exagerando naquela brincadeira. Todos iriam morrer, pensava. O 'pato' sem nenhuma parcimônia segurou seu braço, a jogou sobre os ombros, sobre os aplausos de toda a platéia forçada e se dirigiu ao janelão.
-PATINHA! PATINHA! PATINHA!
O fantasiado olhou para trás semicerrou os olhos sobre o bico amarelo e pulou, enroscou a mão com quatro dedos numa espécie de corda e pulou! O escritório explodiu em aplausos.
- PATINHA! PATINHA ! PATINHA!
O Márcio sorriu, virou para o Editor-chefe, cumprimentando-o:
- Foi a melhor festa de aniversário da minha vida!
Raptada pelo pato Donald. Era só o que lhe faltava. Todos iriam morrer. Patrícia fervia de raiva. Nunca imaginou que eles pudessem ir tão longe. Quanto se soltasse daquele artista circense, cabeças iriam rolar, a golpes de machado.
- Me solta seu pato ridículo, chega, o espetáculo terminou!
o grasnido familiar despertou as lembranças da jornalista.
- Ainda não. O espetáculo começa agora...
Um grito sufocado partiu das entranhas da jornalista
- Von Pateelser.








Patomorphia


- Patos! Eu odeio Patos.
Patrícia sempre manteve uma certa distância dos anatídeos anseriformes. Isso desde pequena; quando uma criatura branca de longo bico e aparência malévola correu atrás dela por trinta minutos no sítio de seus pais. O animal incansável a perseguiu inabalavelmente através da casa, atrás dos móveis, pôr sobre a cama, na cozinha, no milharal, no curral, na casa da árvore, no lago, na fonte, ao redor do poço, no estábulo, na adega, na dispensa.
- Patos, odeio patos!
Agora, adulta, recuperada, suportava a infeliz sina de ser {rapatada} por um sobrinho do tio Patinhas com excesso de hormônio de crescimento e certo complexo de homem-aranha, sendo carregada sobre telhados dos prédios ao redor de sua redação.
- Patos, odeio patos.
- Me larga seu pato nojento!
O pato impassível lançava os ganchos no próximo telhado e pulava para pegar a corda que pendia perigosamente a metros de distância entre os vãos que separavam os edifícios. Se o maldito errasse um daqueles saltos, era a morte certa. Dava para sentir o cheiro das penas das mãos da criatura queimando quando segurava novamente a corda após cada salto impressionante. Patrícia estava ficando enjoada.
- Paaaaaaaaatoooooo desgraçaado!
Foi muito complicado explicar para a polícia que uma das jornalistas foi raptada pelo sobrinho da vovó Donalda.
- Um pato? Vocês querem me fazer acreditar que um cara vestido de pato destruiu metade da redação e com uma jornalista sobre os ombros pulou pôr aquela vidraça espatifada a oito andares do nível da rua, fora as garagens?
O editor-chefe acenou com a cabeça, afirmativamente...
O Pato pateta parou. Num edifício qualquer. Respirava profundamente. Parecia cansado. Era sua chance. Ela dá uma cotovelada na cabeça do animal e um voleio com o corpo. O pato geme. O pato geme? Desde quando um pato gemia? Patrícia cai sobre uma parte do telhado, infelizmente uma clarabóia. Era um telhado de vidro, um "must" arquitetônico, com sérios problemas de resistência a choques. O período de tempo em que acontecem trinta metros de queda livre de um corpo, até um piso (do que parecia ser um Shopping Center) parece uma eternidade quando você cai envolta numa armação metálica coberta de vidro multicolor. O pato se atirou atrás da jornalista, agarrando uma corda de aço que amarrava a estrutura, conseguindo segura-la a dois metros do chão. Com o impulso os dois vão parar no segundo piso, enquanto o vidro do telhado se espatifa no meio do salão. Olhares espantados os cercam quando os dois caem dentro de uma loja da Boticário, estourando a vidraça e espalhando frascos de Insensatez, Freur e Florata in Blue sobre as lojistas aterrorizadas. Pelo menos iria morrer perfumada. Patrícia está zonza, mas percebe que a criatura está caída atrás do balcão. A questão não era se conseguiria correr... Mas... Se conseguiria correr muito...
O pato imortal levanta a cabeça...


Patrícia corria desesperada pelos corredores do shoping. O pato ia atrás.
- MAMÃE! MAMÃE OLHA LÁ, O PATO DONALD! Gritou uma criança extasiada com a imensa criatura correndo desajeitadamente na tentativa de capturar sua presa. Ela entrou numa loja da C & A, derrubando duas clientes e mais um pedestal tipo arara contendo blusas de Cotton. A criatura saiu arrastando vários pedestais. Chovia calças jeans no amplo salão da C & A. Patrícia queria gritar por socorro, todavia, pensava, o que iria gritar? Tem um pato psicopata querendo me raptar? Salvem-me do pato? Ajudem-me, um pato louco me persegue? Melhor correr. Dois seguranças verificando a baderna causada pela perseguição vão no encalço dos dois. Patrícia desce a escada rolante. A escada rolante errada. Aquela era a de subida.
- Com licença!
E saiu atropelando quem tentava ir par o segundo andar. Conseguiu. Atravessou como uma bala o térreo da loja, porém quando estava quase conseguindo sair foi barrada por dois corpulentos vigilantes. E lá vinha o pato. Os seguranças não sabiam exatamente o que fazer. Podia ser uma promoção qualquer da loja. Talvez não. O Pato se atirou sobre os três, deixando penas sobrevoando o salão, e lá se ia outro blindex. Os dois vigilantes voaram juntamente com os manequins pela vitrine enquanto o pato caía com Patrícia na parte externa da loja. Outro pontapé. Desta vez no bico do animal. Outros guardas ajuntaram-se no local. A polícia conseguiu chegar na parte externa do shopping e seis seguranças corriam em direção da estranhíssima cena. Três deles se jogaram sobre o "louco fantasiado" - conforme disseram nas entrevistas subseqüentes - nada conseguiram. O "fantasiado" se levantou com os três sobre si como se levantasse papel. Patrícia escapou, indo para a calçada na frente do shopping, descendo desenfreadamente as escadarias de acesso. Sentiu um profundo alívio quando se deparou com mais de doze viaturas da polícia fortemente armadas. Mais dois seguranças saíram do shopping. Só que não voluntariamente. O pato psicopata emergiu como um bólido penoso pelas portas semiabertas. Doze escopetas, quinze fuzis, sete metralhadoras e quatro pistolas calibre trinta e oito foram imediatamente apontadas em direção a bicuda e obstinada criatura.
- Paradas aí, mãos na cabeça! Veio a voz policial. O pato obstinado fez que não ouviu. O pato iria morrer. Patrícia ainda corria quando do alto da escadaria o anseriforme se atirou em sua direção. Neste momento o nome de Pateelseer ecoou na sua mente. Havia um homem no interior daquele pato. Aquele anatídeo era mais que um pato. As metralhadoras rugiram ameaçadoramente próximas atingindo a criatura que caía sobre Patrícia. Os dois quedaram como patos sobre o resto da escadaria, enquanto o comandante da operação dava ordens que não atirassem enquanto a jornalista estivesse próxima do animal. Como o bico de um animal pode ser tão duro assim? Pensava enquanto se recuperava do choque próxima ao final da escadaria. Se patofobia tivesse um significado mais literal, não o de “medo de doenças”, ela a teria contraído naquele entardecer. As penas brancas do pato patocida se tingiam de vermelho. Van Pateelseer tira alguma coisa de dentro do casaco e atira sobre os policiais. A explosão de fumaça torna todo o quarteirão, uma noite londrina em dia cerração intensa. Levou cerca de seis minutos para que pudessem começar a enxergar alguma coisa no meio da fumaceira toda. Patrícia estava caída, tossindo quando um policial a levantou.
As manchas de sangue pela calçada apontavam a direção que o pato havia tomado. Porém não conseguiram encontra-lo. Patos selvagens não morrem sem luta.
- Volta pato safado. Dessa vez eu vou estar te esperando.
Patrícia

Patomorphia

- Já falei pela décima vez que eu não sei quem era ou o que queria aquele maluco. Patrícia estava ficando irritada com o interrogatório. Já estava ali a cerca de três horas naquela maldita delegacia, tentando explicar o inexplicável. O que ela iria registrar como queixa? "Na verdade fui perseguida por um homem que eu acredito ter ser transformado num pato em virtude de um experimento científico mal sucedido?" Ou "Na verdade eu fui raptada por um pato que pensa que é um homem?" Melhor ficar calada. A administração do shopping fazia uma arruaça. Quem iria pagar os prejuízos? Lá fora estava pior. Colegas de profissão, as pencas, a esperavam, munidos da avidez com que os freqüentadores de rodízio de pizza esperam a primeira fatia. Ela era a fatia. Quando finalmente a liberaram, foi cercada de inúmeros repórteres.
- Como você se sente sendo perseguida pelo pato Donald?
- Isso é tudo uma promoção da Disney, não é mesmo?
- Essa propaganda politicamente incorreta da propagação da violência e do caos nos centros urbanos é financiada pelo César Maia?
- Isso é uma crítica a política econômica do governo, que age como um se fosse um pato fugindo do FMI em busca de uma resposta?
- O pato era teu amigo?
- É verdade que teu apelido é patinha? Como uma patinha se sente sendo agarrada por um...?
Patrícia não deu tempo para o último engraçadinho terminar com a "perguntinha cretina" a bofetada certeira jogou o entrevistador sobre o câmera da rede Globo e sobre a entrevistadora da Record.
Patrícia entrou na viatura preparada para leva-la até sua casa, do outro lado da cidade. Dois batedores iriam a frente e um camburão seguiria o comboio. Teria proteção policial naquela noite, pelo menos. A noite avançava. Devido a algum motivo, o engarrafamento no retorno era maior do que o de costume. O rádio da viatura avisou que teriam que desviar através duma rota alternativa. Outro comunicado. Um dos batedores aparentemente se perdeu e o seu rádio devia estar desligado. O segundo batedor desapareceu da vista no meio da escuridão do atalho e não deu mais sinal. O policial achou estranho perder contato visual por tanto tempo. O rádio do segundo também não respondia. Resolveu chamar o camburão que vinha logo atrás. O camburão também não retornou a comunicação. O policial resolveu parar. Deixou o carro ligado e em ponto morto. Os policiais com metralhadoras se levantaram e ficaram em pé do lado de fora do carro, assim como o que dirigia, no meio da estrada deserta. Um deles sorriu. Avistou o camburão se aproximando... Rápido... Demais. Deram sinal para que reduzisse a velocidade. Não reduziu. Só tiveram tempo de pular para o lado quando o camburão bateu na traseira da viatura, jogando-a metros de distancia para frente na estrada. Algo estava errado. Muito errado. O camburão parou. Os policiais aturdidos se levantaram sem entender o que acontecera. Dentro do carro Patrícia buscava os documentos espalhados no fundo do carro, colocando a mão na testa machucada. Sozinha no carro, olhou para trás do vidro traseiro espatifado, ouvindo o barulho das rodas do camburão comendo o asfalto, esfumaçando. Patrícia pulou para o volante. O carro ainda funcionava. Engrenou e pisou fundo no acelerador enquanto o enlouquecido motorista do camburão vinha a toda em sua direção, sob uma rajada de balas dos policiais na estrada.
Patrícia já sabia quem era que dirigia aquele camburão.
Pato patife.

Patomorphia

A duas quadras dali ficava a casa de seus pais. O pato já tinha dado duas batidas na sua traseira. Patrícia viu uma metralhadora no banco do carona. Tentou pegar com uma das mãos. O Pato bateu de novo na traseira da viatura com o camburão. A metralhadora caiu na frente do banco. O jeito era soltar o volante e tentar pegar ela assim mesmo. Foi o que fêz. Com o pé pisando fundo o acelerador ela soltou o volante e se inclinou para pegar a metralhadora. O carro desviou para a direita a uma quadra da casa de seus pais. Quando Patrícia ergueu a cabeça viu a praçinha e a feira artesanal. Infelizmente, era tarde para desviar. O carro subiu o meio-fio, entrou na praça, atropelou uma barraca de cachorro-quente, foi em direção ao tecladista que tocava para animar os presentes, que pulou desesperado para a esquerda. O teclado, um Roland Jv-1000, dois pedestais de microfone, uma torre de som (com processador de efeito da Alesis) e uma estante cromada voaram a treze metros de altura. [nota do autor: se eu fosse filmar essa cena, o teclado ia ser um Cassio e teria no máximo um amplificador sem-vergonha, destes, comprados de quinta mão] Mais duas barracas de salgados e o carro estava na rua novamente. Pelo retrovisor Patrícia ainda viu o teclado se espatifando sobre o camburão com o pato obstinado. Virou de costas com a metralhadora na mão direita e disparou. O que restava dos vidros traseiros espalhava-se na pista enquanto os faróis do camburão eram despedaçados. Acertou os pneus também. Pena não dar para dirigir e atirar ao mesmo tempo. A viatura entrou dentro de um supermercado. Atropelou uma estante de carrinhos e foi parar na seção de congelados. Duas toneladas de frios foram lançadas na panificadora do supermercado com a pancada. Sorte que era dia de limpeza. Patrícia saiu do carro, pisando em falso por causa do gelo espalhado pelo chão. A metralhadora ainda estava em suas mãos.
Silêncio.
Patrícia olhava ao redor esperando o camburão chegar. O camburão não chegou.
As luzes do supermercado se apagaram. O pato homicida chegou. O barulho de suas patas se arrastando pelo chão era inconfundível. Aproximando-se... Lentamente.... No meio da penumbra o pato apareceu. Arrastando uma das patas e encurvado. Patrícia mirou a metralhadora aterrorizada. As balas haviam acabado.
Largou a metralhadora no piso. Patrícia tentou correr, mas não conseguiu. Caiu no chão, uma das pernas não respondia mais. O pato veio se aproximando enquanto as cenas de sua infância inundavam sua mente. Van Patelseer parou do lado de Patrícia. Esta não se conteve e gritou:
- Vai, pato desgraçado! Termina logo com o que você queria fazer.
O Pato se inclina em direção a Patrícia. Ferido. Mortalmente. Segura sua mão direita e a arrasta para perto de si. Pega então uma minigravador contendo uma fita cassete. Abre a mão de Patrícia e o coloca ali.
Então fala com sua voz rouca:

- Sua entrevista, Patinha.

Levanta-se, ainda se arrastando, sumindo em meio da escuridão.
No meio do supermercado uma jornalista grita sendo ouvida somente pelos guardas que correm em sua direção:

- Patinha é a tua mãe!.... Seu pato miserável............................................




O Welington Institute language


Em co-produção com Mem Ex Group

apresentou

Patomorphia

"Não pergunte por quem os patos grasnam.
Os patos grasnam por ti."



By Well Welington J F 17/10/2000.
publicado por wellcorp às 04:50 | link do post

Patomorphia

A Patilha (patilha: ao contrário do que o Aurélio diz, é uma mistura de patos com matilha) grasnava desconfiada na entrada do Curral dos Patos naquele sítio em Paty de Alferes. A chuva patente trazia consigo um patamar de patiferinas (essa eu inventei) trovoadas. A repórter se sentia como uma pata, sem entender patavina do que iria encontrar ali. O Portão rangeu demonstrando patologia de antigüidade, ferrugem. Abandonado. Patife. Aquela patuscada só poderia ter saído da mente sádica do seu editor chefe. Como era mesmo o assunto que ele se referiu? Patognoscia? Não. Patogênese? Ela já estava sentindo era uma patognomia alérgica. Bateu a porta do sítio abandonado. Grasnavam gansos distantes escondidos na penumbra. Alguém veio abrir, passos lépidos sobre o patíbulo. E ainda falavam sobre paternalismo no seu trabalho. Patetas. Era ela que estava ali no meio do nada, na chuva e não eles. Quem abriu a porta, ela não sabia quem, grasnou... Ou quase isso... ..
Com uma voz rouca: - Entra!
e antes que pudesse ser visto, sumiu pela escuridão fantasmagórica do patódromo. Só podia chamar aquela coisa de patódromo. Na verdade havia alguma luz. Uma lamparina iluminou um pouco o piso rústico de madeira desconhecida, coberto por penas. Penas? A voz rouca convocou a assustada repórter:- Venha até aqui.
Ela foi. Passou pelo primeiro patamar, ultrapassou o pórtico, pateando. O indivíduo não se mostrava. Ficava envolto na escuridão. Movia-se estranhamente. Patrícia iria agradecer pessoalmente essa patifaria do seu editor chefe se sobrevivesse.
- Patinha, essa entrevista vai ser a mais fácil de toda sua carreira. O Editor sorria. Odiava ser chamada por aquele apelido.
- o professor é meio excêntrico, e a muitos anos se isolou em seu sítio em Paty de alferes. Sua grande chance, Patinha. Minha grande chance. Pensava.
Ela imaginou a pátera (taça) contendo sangue para o sacrifício sendo erguida enquanto o editor emitia a autorização para sua saída. Ao ouvir a voz gutural da figura sombria que iria entrevistar era como se estivesse em pate
( jogada do xadrez em que o rei não pode se mover). Que situação patética.
Os gansos grasnavam mais alto que os trovões. A voz rouca e patibular (com certa intenção criminosa). Iniciou seu monólogo tão rapidamente que Patrícia quase não teve tempo de ligar o gravador.
- Meu nome você já sabe qual é. Eu sou Patelseer. Mc Voon Patelseer. Meus estudos genéticos sobre melhoria de linhagem dos anseriformes, da família dos anatídeos, vulgarmente conhecidos como patos, é reconhecida mundialmente. Nesse momento Patrícia julgou vislumbrar uma patorra. Um imenso pé. (Aquilo era um pé?) Estava assombrada com a situação.
Se sentia como uma pata-choca. Como levar a sério aquela patacoada? (coisa que não se leva a sério, disparate) Acreditar num vulto, numa voz na escuridão. Relampejava. Cada trovão era como uma patada na sua testa. Acalme-se, seja uma profissional, pensava. Prestaria atenção naquele grasnador.(aquele que grasna).
- Numa noite a anos atrás desenvolvi um composto para dar a patos domésticos a resistência contra doenças que os marrecos possuem. Trabalhava com um composto genético. Levava uma das cobaias juntamente com a injeção contendo o composto para o laboratório. Escorreguei numa poça causada pelo vazamento de uma mangueira e na queda, além de matar o pato, acidentalmente injetei em mim parte da solução.
O vento gelado sibilando apagou o lamparina.
Patrícia escutou um terrível grasnido. Com o susto deixou cair o gravador. A pancada do aparelho no chão assustou Von Patelseer. Grasnando ele gritou:
- Eu disse que não queria que minha entrevista fosse filmada ou gravada!
Esse sujeito devia ter alguma patogenia grave. Subitamente uma cortinada se rasgou, o barulho de vidros espatifando-se no chão desviou sua atenção. Patrícia correu para fora da casa, assustada no meio da chuva torrencial, olhou para o lado, o da janela quebrada e vislumbrou alguém correndo em meio as sombras, desajeitadamente. Então relampejou. Sob o clarão do relâmpago ela viu um imenso pato correndo. O maior de todos que ela já viu, sumindo em direção as colinas do curral dos patos. Ela não tinha entendido patavina. A não ser que...aquele pato não fosse um pato... Não. Chega de patranhas.
Dizendo adeus ao curral dos patos, entrou no carro e nunca mais voltou aquele lugar. O editor chefe ainda a chama de Patinha.
Ela ainda odeia esse apelido.
Patomorphia
"Não pergunte por quem os patos grasnam
Eles grasnam por ti"
Parafraseando o Ernest
vixe.


Seis meses depois.


- Patabéns pra você! nesta pata querida! Muitas patacidades! muitos patos de vida!
Patinha! Patinha! Patinha!
O barulho ensurdecedor daqueles apitos que imitam pato ainda iria tirar Patrícia do sério. Ela sabia que o apelido tinha começado na seção de homicídios lá na redação. E era justamente na seção de homicídios que ela iria aparecer, não como entrevistadora, se descobrisse de quem tinha sido a proeza. As paredes do escritório foram decoradas, como não poderia deixar de ser, com motivos patinos. Uma cena pintada a mão pelo Carl Barks com o Pato Donald descendo o Vale Perdido, onde iria encontrar um povo que nunca vira um objeto redondo, cobria a imensa janela de blindex cinza do lado do edifício. Até o palhaço do editor usava um boné de marinheiro. O bolo imenso com velas em forma de patinhos era trazido pelo oficce-boy do setor. Ele iria morrer.
- Patinha! Patinha! Patinha!
Aline, Vera e Célia, suas colegas de setor, Luciana, Angela e Michelle, do andar inferior, faziam a festa, em conjunto com Alexandre, o Borges, Oliva e o Márcio. O Márcio distribuíra os apitos. Márcio iria morrer juntamente com o oficce-boy. Patrícia se deleitava ao imaginar a cena da janela de blindex se estilhaçando enquanto o Borges e o Márcio eram atirados do oitavo andar da Redação. Só que nessa hora, o blindex se estilhaçou, MESMO. De verdade. A pintura do Carl Barks se rasgou enquanto os pequenos estilhaços voavam para dentro do setor aos gritos assustados de todos os que presenciavam a cena. Algo entrara no edifício, violentamente e agora estava de pé sobre a mesa próxima ao janelão.
- VEJAM! GENTE! QUE BARATO! É O PATO DONALD!
Os presentes abriram os olhos, ainda retirando os estilhaços de sobre o cabelo olhavam espantados o imenso bico do "fantasiado" a sua frente. Irromperam em aplausos.
- UAU! DEMAIS! Gritava o Borges.
O imenso pato com uma roupa estranha correu em direção a Patrícia. O pessoal estava exagerando naquela brincadeira. Todos iriam morrer, pensava. O 'pato' sem nenhuma parcimônia segurou seu braço, a jogou sobre os ombros, sobre os aplausos de toda a platéia forçada e se dirigiu ao janelão.
-PATINHA! PATINHA! PATINHA!
O fantasiado olhou para trás semicerrou os olhos sobre o bico amarelo e pulou, enroscou a mão com quatro dedos numa espécie de corda e pulou! O escritório explodiu em aplausos.
- PATINHA! PATINHA ! PATINHA!
O Márcio sorriu, virou para o Editor-chefe, cumprimentando-o:
- Foi a melhor festa de aniversário da minha vida!
Raptada pelo pato Donald. Era só o que lhe faltava. Todos iriam morrer. Patrícia fervia de raiva. Nunca imaginou que eles pudessem ir tão longe. Quanto se soltasse daquele artista circense, cabeças iriam rolar, a golpes de machado.
- Me solta seu pato ridículo, chega, o espetáculo terminou!
o grasnido familiar despertou as lembranças da jornalista.
- Ainda não. O espetáculo começa agora...
Um grito sufocado partiu das entranhas da jornalista
- Von Pateelser.








Patomorphia


- Patos! Eu odeio Patos.
Patrícia sempre manteve uma certa distância dos anatídeos anseriformes. Isso desde pequena; quando uma criatura branca de longo bico e aparência malévola correu atrás dela por trinta minutos no sítio de seus pais. O animal incansável a perseguiu inabalavelmente através da casa, atrás dos móveis, pôr sobre a cama, na cozinha, no milharal, no curral, na casa da árvore, no lago, na fonte, ao redor do poço, no estábulo, na adega, na dispensa.
- Patos, odeio patos!
Agora, adulta, recuperada, suportava a infeliz sina de ser {rapatada} por um sobrinho do tio Patinhas com excesso de hormônio de crescimento e certo complexo de homem-aranha, sendo carregada sobre telhados dos prédios ao redor de sua redação.
- Patos, odeio patos.
- Me larga seu pato nojento!
O pato impassível lançava os ganchos no próximo telhado e pulava para pegar a corda que pendia perigosamente a metros de distância entre os vãos que separavam os edifícios. Se o maldito errasse um daqueles saltos, era a morte certa. Dava para sentir o cheiro das penas das mãos da criatura queimando quando segurava novamente a corda após cada salto impressionante. Patrícia estava ficando enjoada.
- Paaaaaaaaatoooooo desgraçaado!
Foi muito complicado explicar para a polícia que uma das jornalistas foi raptada pelo sobrinho da vovó Donalda.
- Um pato? Vocês querem me fazer acreditar que um cara vestido de pato destruiu metade da redação e com uma jornalista sobre os ombros pulou pôr aquela vidraça espatifada a oito andares do nível da rua, fora as garagens?
O editor-chefe acenou com a cabeça, afirmativamente...
O Pato pateta parou. Num edifício qualquer. Respirava profundamente. Parecia cansado. Era sua chance. Ela dá uma cotovelada na cabeça do animal e um voleio com o corpo. O pato geme. O pato geme? Desde quando um pato gemia? Patrícia cai sobre uma parte do telhado, infelizmente uma clarabóia. Era um telhado de vidro, um "must" arquitetônico, com sérios problemas de resistência a choques. O período de tempo em que acontecem trinta metros de queda livre de um corpo, até um piso (do que parecia ser um Shopping Center) parece uma eternidade quando você cai envolta numa armação metálica coberta de vidro multicolor. O pato se atirou atrás da jornalista, agarrando uma corda de aço que amarrava a estrutura, conseguindo segura-la a dois metros do chão. Com o impulso os dois vão parar no segundo piso, enquanto o vidro do telhado se espatifa no meio do salão. Olhares espantados os cercam quando os dois caem dentro de uma loja da Boticário, estourando a vidraça e espalhando frascos de Insensatez, Freur e Florata in Blue sobre as lojistas aterrorizadas. Pelo menos iria morrer perfumada. Patrícia está zonza, mas percebe que a criatura está caída atrás do balcão. A questão não era se conseguiria correr... Mas... Se conseguiria correr muito...
O pato imortal levanta a cabeça...


Patrícia corria desesperada pelos corredores do shoping. O pato ia atrás.
- MAMÃE! MAMÃE OLHA LÁ, O PATO DONALD! Gritou uma criança extasiada com a imensa criatura correndo desajeitadamente na tentativa de capturar sua presa. Ela entrou numa loja da C & A, derrubando duas clientes e mais um pedestal tipo arara contendo blusas de Cotton. A criatura saiu arrastando vários pedestais. Chovia calças jeans no amplo salão da C & A. Patrícia queria gritar por socorro, todavia, pensava, o que iria gritar? Tem um pato psicopata querendo me raptar? Salvem-me do pato? Ajudem-me, um pato louco me persegue? Melhor correr. Dois seguranças verificando a baderna causada pela perseguição vão no encalço dos dois. Patrícia desce a escada rolante. A escada rolante errada. Aquela era a de subida.
- Com licença!
E saiu atropelando quem tentava ir par o segundo andar. Conseguiu. Atravessou como uma bala o térreo da loja, porém quando estava quase conseguindo sair foi barrada por dois corpulentos vigilantes. E lá vinha o pato. Os seguranças não sabiam exatamente o que fazer. Podia ser uma promoção qualquer da loja. Talvez não. O Pato se atirou sobre os três, deixando penas sobrevoando o salão, e lá se ia outro blindex. Os dois vigilantes voaram juntamente com os manequins pela vitrine enquanto o pato caía com Patrícia na parte externa da loja. Outro pontapé. Desta vez no bico do animal. Outros guardas ajuntaram-se no local. A polícia conseguiu chegar na parte externa do shopping e seis seguranças corriam em direção da estranhíssima cena. Três deles se jogaram sobre o "louco fantasiado" - conforme disseram nas entrevistas subseqüentes - nada conseguiram. O "fantasiado" se levantou com os três sobre si como se levantasse papel. Patrícia escapou, indo para a calçada na frente do shopping, descendo desenfreadamente as escadarias de acesso. Sentiu um profundo alívio quando se deparou com mais de doze viaturas da polícia fortemente armadas. Mais dois seguranças saíram do shopping. Só que não voluntariamente. O pato psicopata emergiu como um bólido penoso pelas portas semiabertas. Doze escopetas, quinze fuzis, sete metralhadoras e quatro pistolas calibre trinta e oito foram imediatamente apontadas em direção a bicuda e obstinada criatura.
- Paradas aí, mãos na cabeça! Veio a voz policial. O pato obstinado fez que não ouviu. O pato iria morrer. Patrícia ainda corria quando do alto da escadaria o anseriforme se atirou em sua direção. Neste momento o nome de Pateelseer ecoou na sua mente. Havia um homem no interior daquele pato. Aquele anatídeo era mais que um pato. As metralhadoras rugiram ameaçadoramente próximas atingindo a criatura que caía sobre Patrícia. Os dois quedaram como patos sobre o resto da escadaria, enquanto o comandante da operação dava ordens que não atirassem enquanto a jornalista estivesse próxima do animal. Como o bico de um animal pode ser tão duro assim? Pensava enquanto se recuperava do choque próxima ao final da escadaria. Se patofobia tivesse um significado mais literal, não o de “medo de doenças”, ela a teria contraído naquele entardecer. As penas brancas do pato patocida se tingiam de vermelho. Van Pateelseer tira alguma coisa de dentro do casaco e atira sobre os policiais. A explosão de fumaça torna todo o quarteirão, uma noite londrina em dia cerração intensa. Levou cerca de seis minutos para que pudessem começar a enxergar alguma coisa no meio da fumaceira toda. Patrícia estava caída, tossindo quando um policial a levantou.
As manchas de sangue pela calçada apontavam a direção que o pato havia tomado. Porém não conseguiram encontra-lo. Patos selvagens não morrem sem luta.
- Volta pato safado. Dessa vez eu vou estar te esperando.
Patrícia

Patomorphia

- Já falei pela décima vez que eu não sei quem era ou o que queria aquele maluco. Patrícia estava ficando irritada com o interrogatório. Já estava ali a cerca de três horas naquela maldita delegacia, tentando explicar o inexplicável. O que ela iria registrar como queixa? "Na verdade fui perseguida por um homem que eu acredito ter ser transformado num pato em virtude de um experimento científico mal sucedido?" Ou "Na verdade eu fui raptada por um pato que pensa que é um homem?" Melhor ficar calada. A administração do shopping fazia uma arruaça. Quem iria pagar os prejuízos? Lá fora estava pior. Colegas de profissão, as pencas, a esperavam, munidos da avidez com que os freqüentadores de rodízio de pizza esperam a primeira fatia. Ela era a fatia. Quando finalmente a liberaram, foi cercada de inúmeros repórteres.
- Como você se sente sendo perseguida pelo pato Donald?
- Isso é tudo uma promoção da Disney, não é mesmo?
- Essa propaganda politicamente incorreta da propagação da violência e do caos nos centros urbanos é financiada pelo César Maia?
- Isso é uma crítica a política econômica do governo, que age como um se fosse um pato fugindo do FMI em busca de uma resposta?
- O pato era teu amigo?
- É verdade que teu apelido é patinha? Como uma patinha se sente sendo agarrada por um...?
Patrícia não deu tempo para o último engraçadinho terminar com a "perguntinha cretina" a bofetada certeira jogou o entrevistador sobre o câmera da rede Globo e sobre a entrevistadora da Record.
Patrícia entrou na viatura preparada para leva-la até sua casa, do outro lado da cidade. Dois batedores iriam a frente e um camburão seguiria o comboio. Teria proteção policial naquela noite, pelo menos. A noite avançava. Devido a algum motivo, o engarrafamento no retorno era maior do que o de costume. O rádio da viatura avisou que teriam que desviar através duma rota alternativa. Outro comunicado. Um dos batedores aparentemente se perdeu e o seu rádio devia estar desligado. O segundo batedor desapareceu da vista no meio da escuridão do atalho e não deu mais sinal. O policial achou estranho perder contato visual por tanto tempo. O rádio do segundo também não respondia. Resolveu chamar o camburão que vinha logo atrás. O camburão também não retornou a comunicação. O policial resolveu parar. Deixou o carro ligado e em ponto morto. Os policiais com metralhadoras se levantaram e ficaram em pé do lado de fora do carro, assim como o que dirigia, no meio da estrada deserta. Um deles sorriu. Avistou o camburão se aproximando... Rápido... Demais. Deram sinal para que reduzisse a velocidade. Não reduziu. Só tiveram tempo de pular para o lado quando o camburão bateu na traseira da viatura, jogando-a metros de distancia para frente na estrada. Algo estava errado. Muito errado. O camburão parou. Os policiais aturdidos se levantaram sem entender o que acontecera. Dentro do carro Patrícia buscava os documentos espalhados no fundo do carro, colocando a mão na testa machucada. Sozinha no carro, olhou para trás do vidro traseiro espatifado, ouvindo o barulho das rodas do camburão comendo o asfalto, esfumaçando. Patrícia pulou para o volante. O carro ainda funcionava. Engrenou e pisou fundo no acelerador enquanto o enlouquecido motorista do camburão vinha a toda em sua direção, sob uma rajada de balas dos policiais na estrada.
Patrícia já sabia quem era que dirigia aquele camburão.
Pato patife.

Patomorphia

A duas quadras dali ficava a casa de seus pais. O pato já tinha dado duas batidas na sua traseira. Patrícia viu uma metralhadora no banco do carona. Tentou pegar com uma das mãos. O Pato bateu de novo na traseira da viatura com o camburão. A metralhadora caiu na frente do banco. O jeito era soltar o volante e tentar pegar ela assim mesmo. Foi o que fêz. Com o pé pisando fundo o acelerador ela soltou o volante e se inclinou para pegar a metralhadora. O carro desviou para a direita a uma quadra da casa de seus pais. Quando Patrícia ergueu a cabeça viu a praçinha e a feira artesanal. Infelizmente, era tarde para desviar. O carro subiu o meio-fio, entrou na praça, atropelou uma barraca de cachorro-quente, foi em direção ao tecladista que tocava para animar os presentes, que pulou desesperado para a esquerda. O teclado, um Roland Jv-1000, dois pedestais de microfone, uma torre de som (com processador de efeito da Alesis) e uma estante cromada voaram a treze metros de altura. [nota do autor: se eu fosse filmar essa cena, o teclado ia ser um Cassio e teria no máximo um amplificador sem-vergonha, destes, comprados de quinta mão] Mais duas barracas de salgados e o carro estava na rua novamente. Pelo retrovisor Patrícia ainda viu o teclado se espatifando sobre o camburão com o pato obstinado. Virou de costas com a metralhadora na mão direita e disparou. O que restava dos vidros traseiros espalhava-se na pista enquanto os faróis do camburão eram despedaçados. Acertou os pneus também. Pena não dar para dirigir e atirar ao mesmo tempo. A viatura entrou dentro de um supermercado. Atropelou uma estante de carrinhos e foi parar na seção de congelados. Duas toneladas de frios foram lançadas na panificadora do supermercado com a pancada. Sorte que era dia de limpeza. Patrícia saiu do carro, pisando em falso por causa do gelo espalhado pelo chão. A metralhadora ainda estava em suas mãos.
Silêncio.
Patrícia olhava ao redor esperando o camburão chegar. O camburão não chegou.
As luzes do supermercado se apagaram. O pato homicida chegou. O barulho de suas patas se arrastando pelo chão era inconfundível. Aproximando-se... Lentamente.... No meio da penumbra o pato apareceu. Arrastando uma das patas e encurvado. Patrícia mirou a metralhadora aterrorizada. As balas haviam acabado.
Largou a metralhadora no piso. Patrícia tentou correr, mas não conseguiu. Caiu no chão, uma das pernas não respondia mais. O pato veio se aproximando enquanto as cenas de sua infância inundavam sua mente. Van Patelseer parou do lado de Patrícia. Esta não se conteve e gritou:
- Vai, pato desgraçado! Termina logo com o que você queria fazer.
O Pato se inclina em direção a Patrícia. Ferido. Mortalmente. Segura sua mão direita e a arrasta para perto de si. Pega então uma minigravador contendo uma fita cassete. Abre a mão de Patrícia e o coloca ali.
Então fala com sua voz rouca:

- Sua entrevista, Patinha.

Levanta-se, ainda se arrastando, sumindo em meio da escuridão.
No meio do supermercado uma jornalista grita sendo ouvida somente pelos guardas que correm em sua direção:

- Patinha é a tua mãe!.... Seu pato miserável............................................




O Welington Institute language


Em co-produção com Mem Ex Group

apresentou

Patomorphia

"Não pergunte por quem os patos grasnam.
Os patos grasnam por ti."



By Well Welington J F 17/10/2000.
publicado por wellcorp às 04:50 | link do post
Nasceria uma criança. Um anjo avisou isso aos seus pais. O anjo não disse seu nome, mas revelou o nome da criança. Jamais outro homem faria as coisas que ele haveria de fazer.

Jamais.

Assombrou as nações com feitos espantosos quase 20 anos. Seu nome virou uma lenda. Sua história uma canção. Por décadas as crianças do oriente médio só iriam dormir depois que os pais lhes falassem a mesma história que jamais cansavam de escutar. A vida era maior do que aquilo que podiam ver. Haviam poderes desconhecidos trabalhando na terra. Constatar que o mundo era sobrenatural. Se Deus pode fazer isso com um homem, tudo Deus pode fazer. Se um homem nasceu assim, outros poderiam nascer fazendo coisas semelhantes. Talvez maiores.

Bastava que existissem anjos para anuncia-lo.
Bastava que Deus assim o determinasse.

Foi assim com João Batista.
Foi assim com Jesus.
Pode ser assim conosco também.
Mesmo que não hajam anjos para anunciar.

Jz:16:
Jz:16:1: E FOI Sansão a Gaza, e viu ali uma mulher prostituta, e entrou a ela.
Jz:16:2: E foi dito aos gazitas: Sansão entrou aqui. Cercaram-no, e toda a noite lhe puseram espias à porta da cidade; porém toda a noite estiveram quietos, dizendo: Até à luz da manhã esperaremos; então o mataremos.
Jz:16:3: Porém Sansão deitou-se até à meia noite, e à meia noite se levantou, e arrancou as portas da entrada da cidade com ambas as umbreiras, e juntamente com a tranca as tomou, pondo-as sobre os ombros; e levou-as para cima até ao cume do monte que está defronte de Hebrom.

Os Portais (Jz 16.1-3)

Era por volta de dez horas da noite. O Aviso da presença do fanfarrão hebreu já havia sido anunciada por toda a fortemente armada guarda da semi-metrópole de Gaza. Havia chegado o tempo de desmistificar a lenda da invencibilidade daquele cananeu beberrão. Os muros altíssimos impediriam que ele pulasse e já que os relatos sobre ele não mencionavam nenhuma capacidade de vôo, dali o sujeito só sairia sem os olhos, devidamente decapitado. O cabra safado havia pernoitado com uma prostituta. Não sabia viver sem mulher. As mulheres ainda haveriam de ser sua perdição.

O tal renegado, conforme contaram, tivera sua esposa trucidada por gente do mesmo povo daquela cidadela. Talvez fosse esse o motivo de voltar vez por outra ali. Também havia sido execrado pelos pais. Triste curriculum. Os generais dos exércitos da Filístia tinham medo de um bêbado, fracassado no casamento, desprezado pelos pais, que pelas madrugadas se divertia com prostitutas de quinta categoria. Eu havia sido promovido naquele ano ao posto de comandante e tinha 400 homens ao meu dispor pronto a capturar o mais temido soldado do povo hebreu, embora pessoalmente considerasse um desperdício tamanho contingente para capturar somente um homem. A cidade estava fechada e só tinha saída pelos portões gigantescos que eram travados ao anoitecer. Duzentos homens não o arrastariam uma vez que as travas estivessem colocadas. O muro onde ele se engasta tem três metros de largura e os batentes e encaixes são de ferro. É o fim do tal imortal, conforme contavam as lendas a respeito dele. Pensei em enviar uns três grupos para cercar o tal prostíbulo, porém ele já havia saído em direção aos portais. Sem saída. Morto. Escreverei nos muros da cidade minha vitória com o sangue do infeliz. Já me imagino recebendo as chaves da cidade, o tribunal sagrado me concedendo o título de filiação divina. O cortejo com as dançarinas e as festas comemorativas à noite.

Por toda à noite a ordem era esperar em silencio até o momento de cair sobre ele e destroça-lo. Quando amanhecesse já não poderia mais se refugiar nas sombras para se esconder. Por volta da meia-noite nós o cercamos junto ao portão. Posso ver o medo nos olhos do desgraçado. Um rato na ratoeira. Os lanceiros se preparam, mas eu dou ordem de não atirarem. Mando pegar minha espada. Meu escudeiro trás a capa dourada com a empunhadura ricamente adornada de púrpura com os laços cor de carmesim. A lua é refletida no metal prateado da mais preciosa espada do reino da Filístia. Três gerações de guerreiros haviam empunhado a afiadíssima lamina em inúmeras e gloriosas batalhas. Levanto a espada pa o alto agradecendo a Dagom a honra de exterminar com o grande guerreiro dos hebreus. Eu mesmo vou arrancar a cabeça do condenado.
Meus soldados se afastam enquanto caminho com passos firmes em direção ao quase finado homem de guerra das tribos dálem do rio.
Pelo que observo, o pobre coitado enlouqueceu. Ainda estava um pouco distante dos portais, mas pelo que parece a infeliz criatura o está tentando abrir com as mãos. Sozinho. Um inseto burrinho, diante da imensidão dos portais, cujas asas vou arrancar.
Era pior do que eu pensava. O que é que o desespero não faz com um indivíduo. Ele não está tentando abrir; está tentando arrastar os portais. Animalzinho irritante. Dois meses de preparativos foram gastos para suspender os gloriosos portões de Gaza. Dezenas de escravos foram esmagados instantaneamente quando uma das folhas da porta magnífica arrebentou as grossas cordas que eram tencionadas pelos carros com animais. Eu era pequeno na época que os portões foram erguidos, dois anos após seu projeto e construção. E agora um único homem, filho de um povo sem honra, de uma tribo de beduínos, de errantes, tenta erguer as consagradas portas de Dagom, cujo peso excede o entendimento. Ainda me lembro do cheiro do azeite e do sangue de crianças imoladas na consagração dos portais. O som das trombetas da invencível Gaza reverberando a glória da mais poderosa fortaleza criada na terra desde a antiga cidadela de Jericó ainda estava nos meus ouvidos.
Foi quando escutei o barulho ensurdecedor de rochas se partindo. Foi quando, a belíssima e hereditária espada com meu nome gravado caiu da minha mão. O som era semelhante ao de um raio caindo, só que não haviam nuvens carregadas sobre o céu estrelado daquela noite.
Por detrás de mim o grito de terror de uma multidão de pessoas, (e não era dos civis da cidade). A visão era por demais aterradora. Os símbolos do Poderio de Gaza, uma das maiores cidades do império Filisteu, estavam sendo arrancados diante dos meus olhos estupefatos. Um único homem erguia sobre suas mãos ambas as folhas das portas, suas umbreiras e sua trave, Os engastes de ferro fundido e bronze se partiram diante daquela força gigantesca, enquanto pedaços do muro com três metros de pedras lavradas rolavam no instante em que os portais eram levados para fora da cidade. Em nenhum momento ele as arrastou pelo chão. Impassível ele as colocou sobre si e se foi. Correndo.
Ele se foi, levando em suas costas os portais.
Perguntei se havia algum voluntário para sair no seu encalço e o silencio foi minha resposta.
Três dias depois saímos com um grupo de patrulha a procura do semi-deus, parando aos pés da montanha que olha para o cume do Hermon, 36 Km da cidade de Gaza. Sobre o alto do monte havia algum tipo de fortificação. Quando subimos nele pela estrada que ia para o Hermon, encontramos os portões. Estavam lá, eu me lembro perfeitamente, iluminados pelo sol de um novo amanhecer. Estávamos assombrados demais para dizer alguma coisa. Resolvemos cessar imediatamente a perseguição.
Soube depois que o homem que fizera tal maravilha tinha cinqüenta anos na época em que fez tal coisa. A mesma idade que tenho hoje, quando visito de novo o Monte dos Portais. Os portais já não existem mais, foram queimados há dez anos atrás, quando finalmente conseguiram destruir o tal homem. Quatro mil pessoas pagaram com a vida a ousadia. Na época eu não acreditava em nada, somente na força de minha espada, que por sinal perdi na correria daquela noite miraculosa. Olho para o alto e adoro agradecido o Deus que permitiu que vivesse para contemplar tais coisas. A muito não sirvo mais ao sanguinário Dagom.
Hoje me dirijo ao santuário de tenda, erguido em Siló, como fazem todos os anos aqueles que como eu também fizeram o voto de nazireu.
A circuncisão foi a única coisa incômoda nessa nova etapa da minha vida...


(... E os cabelos compridos incomodam um pouco no verão).


publicado por wellcorp às 04:48 | link do post
Nasceria uma criança. Um anjo avisou isso aos seus pais. O anjo não disse seu nome, mas revelou o nome da criança. Jamais outro homem faria as coisas que ele haveria de fazer.

Jamais.

Assombrou as nações com feitos espantosos quase 20 anos. Seu nome virou uma lenda. Sua história uma canção. Por décadas as crianças do oriente médio só iriam dormir depois que os pais lhes falassem a mesma história que jamais cansavam de escutar. A vida era maior do que aquilo que podiam ver. Haviam poderes desconhecidos trabalhando na terra. Constatar que o mundo era sobrenatural. Se Deus pode fazer isso com um homem, tudo Deus pode fazer. Se um homem nasceu assim, outros poderiam nascer fazendo coisas semelhantes. Talvez maiores.

Bastava que existissem anjos para anuncia-lo.
Bastava que Deus assim o determinasse.

Foi assim com João Batista.
Foi assim com Jesus.
Pode ser assim conosco também.
Mesmo que não hajam anjos para anunciar.

Jz:16:
Jz:16:1: E FOI Sansão a Gaza, e viu ali uma mulher prostituta, e entrou a ela.
Jz:16:2: E foi dito aos gazitas: Sansão entrou aqui. Cercaram-no, e toda a noite lhe puseram espias à porta da cidade; porém toda a noite estiveram quietos, dizendo: Até à luz da manhã esperaremos; então o mataremos.
Jz:16:3: Porém Sansão deitou-se até à meia noite, e à meia noite se levantou, e arrancou as portas da entrada da cidade com ambas as umbreiras, e juntamente com a tranca as tomou, pondo-as sobre os ombros; e levou-as para cima até ao cume do monte que está defronte de Hebrom.

Os Portais (Jz 16.1-3)

Era por volta de dez horas da noite. O Aviso da presença do fanfarrão hebreu já havia sido anunciada por toda a fortemente armada guarda da semi-metrópole de Gaza. Havia chegado o tempo de desmistificar a lenda da invencibilidade daquele cananeu beberrão. Os muros altíssimos impediriam que ele pulasse e já que os relatos sobre ele não mencionavam nenhuma capacidade de vôo, dali o sujeito só sairia sem os olhos, devidamente decapitado. O cabra safado havia pernoitado com uma prostituta. Não sabia viver sem mulher. As mulheres ainda haveriam de ser sua perdição.

O tal renegado, conforme contaram, tivera sua esposa trucidada por gente do mesmo povo daquela cidadela. Talvez fosse esse o motivo de voltar vez por outra ali. Também havia sido execrado pelos pais. Triste curriculum. Os generais dos exércitos da Filístia tinham medo de um bêbado, fracassado no casamento, desprezado pelos pais, que pelas madrugadas se divertia com prostitutas de quinta categoria. Eu havia sido promovido naquele ano ao posto de comandante e tinha 400 homens ao meu dispor pronto a capturar o mais temido soldado do povo hebreu, embora pessoalmente considerasse um desperdício tamanho contingente para capturar somente um homem. A cidade estava fechada e só tinha saída pelos portões gigantescos que eram travados ao anoitecer. Duzentos homens não o arrastariam uma vez que as travas estivessem colocadas. O muro onde ele se engasta tem três metros de largura e os batentes e encaixes são de ferro. É o fim do tal imortal, conforme contavam as lendas a respeito dele. Pensei em enviar uns três grupos para cercar o tal prostíbulo, porém ele já havia saído em direção aos portais. Sem saída. Morto. Escreverei nos muros da cidade minha vitória com o sangue do infeliz. Já me imagino recebendo as chaves da cidade, o tribunal sagrado me concedendo o título de filiação divina. O cortejo com as dançarinas e as festas comemorativas à noite.

Por toda à noite a ordem era esperar em silencio até o momento de cair sobre ele e destroça-lo. Quando amanhecesse já não poderia mais se refugiar nas sombras para se esconder. Por volta da meia-noite nós o cercamos junto ao portão. Posso ver o medo nos olhos do desgraçado. Um rato na ratoeira. Os lanceiros se preparam, mas eu dou ordem de não atirarem. Mando pegar minha espada. Meu escudeiro trás a capa dourada com a empunhadura ricamente adornada de púrpura com os laços cor de carmesim. A lua é refletida no metal prateado da mais preciosa espada do reino da Filístia. Três gerações de guerreiros haviam empunhado a afiadíssima lamina em inúmeras e gloriosas batalhas. Levanto a espada pa o alto agradecendo a Dagom a honra de exterminar com o grande guerreiro dos hebreus. Eu mesmo vou arrancar a cabeça do condenado.
Meus soldados se afastam enquanto caminho com passos firmes em direção ao quase finado homem de guerra das tribos dálem do rio.
Pelo que observo, o pobre coitado enlouqueceu. Ainda estava um pouco distante dos portais, mas pelo que parece a infeliz criatura o está tentando abrir com as mãos. Sozinho. Um inseto burrinho, diante da imensidão dos portais, cujas asas vou arrancar.
Era pior do que eu pensava. O que é que o desespero não faz com um indivíduo. Ele não está tentando abrir; está tentando arrastar os portais. Animalzinho irritante. Dois meses de preparativos foram gastos para suspender os gloriosos portões de Gaza. Dezenas de escravos foram esmagados instantaneamente quando uma das folhas da porta magnífica arrebentou as grossas cordas que eram tencionadas pelos carros com animais. Eu era pequeno na época que os portões foram erguidos, dois anos após seu projeto e construção. E agora um único homem, filho de um povo sem honra, de uma tribo de beduínos, de errantes, tenta erguer as consagradas portas de Dagom, cujo peso excede o entendimento. Ainda me lembro do cheiro do azeite e do sangue de crianças imoladas na consagração dos portais. O som das trombetas da invencível Gaza reverberando a glória da mais poderosa fortaleza criada na terra desde a antiga cidadela de Jericó ainda estava nos meus ouvidos.
Foi quando escutei o barulho ensurdecedor de rochas se partindo. Foi quando, a belíssima e hereditária espada com meu nome gravado caiu da minha mão. O som era semelhante ao de um raio caindo, só que não haviam nuvens carregadas sobre o céu estrelado daquela noite.
Por detrás de mim o grito de terror de uma multidão de pessoas, (e não era dos civis da cidade). A visão era por demais aterradora. Os símbolos do Poderio de Gaza, uma das maiores cidades do império Filisteu, estavam sendo arrancados diante dos meus olhos estupefatos. Um único homem erguia sobre suas mãos ambas as folhas das portas, suas umbreiras e sua trave, Os engastes de ferro fundido e bronze se partiram diante daquela força gigantesca, enquanto pedaços do muro com três metros de pedras lavradas rolavam no instante em que os portais eram levados para fora da cidade. Em nenhum momento ele as arrastou pelo chão. Impassível ele as colocou sobre si e se foi. Correndo.
Ele se foi, levando em suas costas os portais.
Perguntei se havia algum voluntário para sair no seu encalço e o silencio foi minha resposta.
Três dias depois saímos com um grupo de patrulha a procura do semi-deus, parando aos pés da montanha que olha para o cume do Hermon, 36 Km da cidade de Gaza. Sobre o alto do monte havia algum tipo de fortificação. Quando subimos nele pela estrada que ia para o Hermon, encontramos os portões. Estavam lá, eu me lembro perfeitamente, iluminados pelo sol de um novo amanhecer. Estávamos assombrados demais para dizer alguma coisa. Resolvemos cessar imediatamente a perseguição.
Soube depois que o homem que fizera tal maravilha tinha cinqüenta anos na época em que fez tal coisa. A mesma idade que tenho hoje, quando visito de novo o Monte dos Portais. Os portais já não existem mais, foram queimados há dez anos atrás, quando finalmente conseguiram destruir o tal homem. Quatro mil pessoas pagaram com a vida a ousadia. Na época eu não acreditava em nada, somente na força de minha espada, que por sinal perdi na correria daquela noite miraculosa. Olho para o alto e adoro agradecido o Deus que permitiu que vivesse para contemplar tais coisas. A muito não sirvo mais ao sanguinário Dagom.
Hoje me dirijo ao santuário de tenda, erguido em Siló, como fazem todos os anos aqueles que como eu também fizeram o voto de nazireu.
A circuncisão foi a única coisa incômoda nessa nova etapa da minha vida...


(... E os cabelos compridos incomodam um pouco no verão).


publicado por wellcorp às 04:48 | link do post
A história de Rute


A leste de Canaã e a oeste das montanhas de Moabe, num dos terrenos mais ásperos do deserto da Judéia, vê-se um profundo canal no centro do qual existe um lago com uma área aproximada de 930 km2. Esse corpo d'agua é chamado, em hebraico, "Inhame Hamelah", que significa "o mar Salgado". São 77 km de comprimento (norte-sul) e cerca de 16 km, na maior largura. A profundidade máxima do lago é de cerca de 400 m, estando sua superfície a pouco mais de 400 metros abaixo do nível do mar. Trata-se do local mais baixo da terra. Por milhares de anos, as águas do Jordão, ricas em minerais, abasteceram o lago. A elevada evaporação provocada pelo clima do deserto aumentou a salinidade para índices próximos a 30% (nos demais mares, 3% a 6% ), o que favoreceu a formação de cristais na superfície. A composição mineral do lago é de: 67% de cloro, 17% de magnésio e 10% de sódio; além de outros sais em menor percentual. A presença do enxofre é de 0,2%.Belíssimas formações de sal cristalizado, na superfície do Mar Morto. Antigos escritos judeus identificam esse corpo d'água como "Inhame S'dom" - "o mar de Sodoma" -, nome da cidade destruída por Deus e que era localizada em suas margens meridionais (Gn 19). Alguns peregrinos, em tempos antigos, chamaram-no de "o Mar do Diabo" ao mentalizarem o diabo centelhando, ao tomar banho nas águas do lago". Os filósofos gregos Aristóteles e Strabo escreveram sobre o lugar e chamamdo-o de "Lacus Asphaltis", ou "Lago de Asfalto".Mas, para os gregos antigos, a desolação da área e a convicção que nenhuma vida poderia sobreviver nela, foi inspiração para um nome novo: "o Mar Morto".

Cerca de 900 anos antes de Rute nascer.

Um homem triste olha para uma formação de salitre que lembra um corpo feminino caído. Onde havia uma imensa campina, bosques verdejantes de beleza ímpar, agora se estendia um imenso mar. Às margens daquele mar estranho, ainda exalando vapores de ocre odor, com o corpo coberto de fina camada de sal trazido pelo vento inconstante, um homem chora a perda de sua esposa. Ele toca na formação de sal, que parece uma mulher caída, tremendo se levanta e caminha sem direção. Ainda tremia do estrondo e do clarão que transformou as cidades de sua moradia em lenda, em conto, em agouro, numa ruína de perdição, de ruas cobertas a quatrocentos metros abaixo de onde os olhos avistavam a superfície do mar morto.

Ele, caldeu, lembra da cidade de Ur, das cadeiras e mesas das salas de aula, das danças e festividades de sua terra natal. Da cidade dos mil deuses, que há tanto tempo deixara para trás. Desde que saíra tudo aconteceu de errado. Seguiu com seu tio que disse ter tido visões com um Deus desconhecido que o chamava para uma terra prometida, com a qual também desejou sonhar. E lembra que desobedeceu a ordem do Deus estranho, que só havia chamado a seu tio àquela estranha aventura. Ele não foi convidado. Por vinte anos ele vagueou sem rumo, porque simplesmente não tinha direção. Nenhuma direção.

Ló chegou as campinas de Moabe junto com suas duas filhas, poucos dias depois da hecatombe que sinistrou a Sodoma e Gomorra. Desiludido com os homens, dos quais ele, infelizmente, conheceu o lado pior, decidiu habitar os montes e as cavernas. Suas filhas sabiam que não se casariam, naquele ermo lugar, que só viria possuir cidades centenas de anos após a solitária peregrinação de Ló.
Numa noite sinistra, quando após alguns anos elas perderam a esperança de voltar a viver perto de alguma civilização, tomadas do horror de se transformarem em duas velhas desamparadas, como bruxas morando no interior de cavernas e temendo que após décadas de solidão, lobos as encontrassem já sem forças para se defender, elas decidem que devem gerar filhos, mesmo que seja a custa de seu próprio pai.
Nessa noite perdida entre as noites de antigos povos, elas embebedam seu pai, e na madrugada envoltas na escuridão, sem nenhum pudor se deitam com ele. Sem ter plena consciência do que faz, ele as engravida. Um dos filhos desta noite sinistra se chamou Moabe.


Cerca de 430 anos antes de Rute nascer:

Um imenso grupo de gente, incontável multidão se aproximava lentamente da antiga planície. Ali habitavam os descendentes da noite que se perdeu na história.

Os descendentes viram ao longe por semanas uma tocha de fogo que se elevava aos céus, como um redemoinho em chamas que anunciava que os que tinham destruído o Egito, agora se aproximavam. Quando amanheceu os reis do recém fundado reino de Moabe receberam a delegação dos forasteiros que solicitaram passagem por suas terras. Ao longe a multidão, agora guarnecida de uma imensa nuvem que como coluna de fumaça se elevava a frente de uma estranha tenda, uma enorme tenda que sobressaia sobre as outras, aguardava a resposta.
Os reis num misto de inveja e terror, disseram não. Não lhes importava as crianças, os idosos ou o quanto iriam ganhar de tempo. Não permitiriam que aqueles deuses estranhos, nem sua coluna de fogo, nem a tal coluna de nuvem, passassem pela terra dos seus ancestrais.

Os antigos reis observam quando o ancião com o cajado perto da imensa tenda recebe a notícia de que não poderiam passar.

A massa imensa de gente levou dias para se por em marcha. E levaria meses para chegar aonde pretendiam. Mas, isso não era da conta dos soberanos de Moabe.

Muitas noites com insônia se passaram. Depois de muitos dias a tal coluna de fogo e a tal coluna de nuvem reapareceram e com elas aquela inumerável multidão.

Os reis de Moabe e de outras terras chamadas Mídia em terror incalculável resolveram convocar o poder das trevas para impedir que aquela marcha insana continuasse. De boca em boca foi passada a torpe mensagem:

- Convoquem a Balaão.

Na densa escuridão da noite, durante o período que os trovões levam, antes do próximo relampejar, trepidavam patas ferradas dos corcéis negros, ferrando as poças da lama ocre no caminho lamacento até a lendário castelo do feiticeiro mais poderoso da terra. O alvo dos olhos dos animais resplandecia, junto a sua escura crina a cada raio que os iluminava. Montado sobre o negro animal, os mensageiros e das terras distantes de Moabe, com suas indumentárias escuras e encharcadas, gritam para os guardas à frente dos gigantescos portais da antiga fortaleza, na qual Balaão habitava. As imensas portas são abaixadas, enquanto eles ainda chicoteiam os alazões, ao sonido agora ocre, do trote nas pedras lavradas, recobertas de liquens acinzentados, do pátio castelar.
Da sacada superior, uma sombria figura observa a chegada dos mensageiros midianitas e moabitas. Deixando para trás suas cansadas montarias, caminham como arrastassem a si mesmos, até o grande salão de pórfiro e granito, enquanto um sombrio ajudante vai murmurando algum aviso para aquele que se assenta sobre uma gigantesca cadeira adornada de púrpura e de madeira ricamente trabalhada. Quase um trono. O mensageiro entra solene pelas portas palacianas, subindo até o lugar do grande salão rodeado de colunas de rosacrocita. Eles param subitamente e se ajoelham, enquanto as abas de suas vestimentas molhadas enchem como um vestido o lugar onde se abaixam. Na verdade, usam todos capas. Negras. Aquele que está sentado não se vira para cumprimentá-los. De costas ainda, levanta uma das mãos esqueléticas fazendo um gesto com a ponta dos dedos, sob o olhar malévolo e olhos semicerrados do sombrio homem ao seu lado direito. Os mensageiros se levantam e caminham, enquanto suas sombras se projetam na cortinada das colunas, através da luz das lamparinas acesas com óleo de baleia albina. O ruído de suas botas de couro molhadas sobressai agora no silencioso salão, reverberando a cada passo sobre o pórfiro impecavelmente polido. Próximo ao homem assentado, quando se achegam, ajoelham novamente em reverência. Fala então um dos mensageiros de Moabe:

— Ó! poderoso feiticeiro. Nossos guerreiros dalém, nas terras distantes, que batalham já a longo tempo, necessitam dos préstimos de tuas maldições. Os reis de Moabe e de Mídia me enviaram a ti para que, encontrando mercê diante de ti, dignasses a conceder-nos teus dons sobrenaturais contra um terrível povo que vem do oriente.

Quebrava-se o silêncio sepulcral através do murmúrio do vento soprando entre as frestas das pedras nas paredes. Soando tal som como fosse um antigo órgão tubular. O olhar do sombrio homem ao lado do feiticeiro, semicerrou-se ainda mais.
Finalmente o antigo feiticeiro se levantou. Arrastou a estranha roupa cheia de cangas e cordas com ossos partidos e dentes em quantidade que batiam uns nos outros, enquanto se apoiava ao bordão que possuía uma pequena caveira na extremidade, completamente enegrecida. Em suas mãos um colar de conchas e pedras, dando diversas voltas em suas mãos cadavéricas. Ele aperta as conchas com suas velhas mãos enquanto estica o indicador com horrenda unha em direção ao mensageiro.

— Que queres, tu de Balaão? Sabes que sobre quem lançar minha maldição, maldito será por toda a eternidade. Irão secar as fontes e corredeiras de sua terra, seus filhos morrerão ainda jovens de peste e as virgens já não gerará mais. Virá fome sobre as cidades, sequidão sobre as pastagens, doença no gado e nos homens. Não ficarão fracas e inúteis as mãos dos hábeis arqueiros? Não semearia eu terror sobre toda a terra? Que queres de Balaão, servo de ninguém?

- O rei meu senhor pede teus serviços. E te recompensará regiamente.

Balaão se arrasta sobre o pórfiro com uma risada aterradora. Encurvado se dirige a mesa e tomando de um líquido viscoso e cor de sangue, derrama a taça de prata enquanto gotas do líquido vermelho se derramam pelo chão. Ele se volta ao mensageiro, enquanto o barulho do bordão ressoa em todo o salão a cada passo de sua perna coxa. Então fala:


E que povo morto é este, quem serão os coitados e miseráveis sobre os quais se abaterá a palavra da maldição, que se farão como fantasmas e cujas vidas separadas para o desespero serão, que nação é essa que desaparecerá de sobre a face da terra, essa que eu terei o infortúnio de maldizer?

Os mensageiros se calam.

Balaão olha curioso. E grita:

- Respondam-me para que não morram, ainda de pé, mensageiros tolos!

Os céus relampejaram neste instante, tornando o olhar de Balaão ainda mais assustador

- É o povo d’além mar, cujos deuses destruíram a terra do Egito, aquele que de noite vai a frente a coluna de fogo e que ao amanhecer é precedido pela coluna de nuvem.

A taça cai da mão de Balaão. Rapidamente ele expulsa os mensageiros, dizendo que depois dará uma resposta.
Na noite misteriosa e chuvosa, relampeja quando os dois ajudantes misturam junto com o velho bruxo as poções, repetindo as preces e invocações de sacerdotes da antiguidade, de escritos de línguas mortas, e ritos que já não existiam.
Deixando de lado os deuses de Mídia e Moabe, esquecendo-se das divindades dos heteus e jebuseus, Balaão invoca a divindade protetora do povo além do mar. E invoca aquele que conhece por El Shadai, El Elion e Senhor. Escolhe chamar-lhe por Senhor.
Quando o invoca, Ele sente uma estranha presença. Uma poderosa presença. É ele.
Senhor havia chegado.
Senhor se apresenta ao feiticeiro. Balaão conhece pouco a Senhor. Não exigia sacrifícios humanos. Não falava ou agia como os outros espíritos com tratava. Na madrugada, claramente Balaão ouviu uma voz. E sabia quem falava com ele. Era Senhor.

- Quem são estes homens que estão contigo?

Tremendo Balaão responde: Balaque, rei dos moabitas os enviou para amaldiçoar o povo que saiu do Egito.

Senhor responde:

- Você não o fará. Eles são benditos.

E então se cala. A voz nada mais falou. Um feiticeiro só amaldiçoa um povo, se obter acordo com os espíritos que guardam tal povo. Ele os invocaria e veria o que eles pediriam para atender a Balaão. Mas não havia acordo com Senhor. Ele não negociava. Jamais.

Contrariado ele despede aos mensageiros.

- Vão embora, mensageiros de ninguém. O espírito que guarda ao estranho povo impediu-me de amaldiçoar ao estranho povo. Vão. Vão e não voltem mais.

Quando os mensageiros chegam ao amanhecer, ainda chovia sobre as planícies de Moabe. Balaque se desespera. Envia seus mais nobres príncipes com riqueza e recompensa como nunca antes um feiticeiro na terra, jamais fora agraciado. Eles chegam com ovelhas em multidão, bois, cabras e camelos. Trazem especiarias, azeite e mel, passas e damascos, vinho e leite. Mantas púrpuras e carmesim, vestidos bordados de azul e ouro.
Seus olhos faíscam com a avareza. Riqueza inimaginável.
Ele finge não se interessar. Porém ao ver tamanha riqueza, Balaão decide tentar negociar com Senhor. Mais uma vez.

Ele insiste permissão, ao menos para ir com eles. Mas, dentro de si maquina um plano. Ele invocará outros deuses e certamente haverá mais poderosos que Senhor. Ele só precisa ir.

- Vá com eles. Ao amanhecer. Mas só farás o que eu te disser.

Balaão concorda. Mentindo. Ele se ajoelha, como se pudesse enganar sua verdadeira intenção.


Ainda de madrugada, antes que amanhecesse, inquieto, preparou sua velha montaria. A mula. A velha mula. Rico. Rico, ele pensava. Mas, Senhor escutava seu coração.

Na subida dos montes em direção as fronteiras de Moabe uma velha mula se assusta. O velho animal empaca ao sentir o poder espiritual e a luz que só ela, a mula, enxerga. As crinas no pescoço acinzentado do velho animal se arrepiam ao ver a estranha criatura. E seus olhos se fixam nas mãos do anjo que carregam uma espada incendiada. Na região montanhosa Ela, a mula, quase esmaga a perna de seu dono. Ele espanca a coitada e continua a íngreme subida. Outra vez o ser aparece. E só ela, a mula, consegue enxergá-lo. Desta vez Balaão é empurrado contra a encosta rochosa. Descendo furioso do animal, ele o chicoteia sem misericórdia. Em meio aos gritos da mula, um assombro. Ela se vira para Balaão e dotada de repentina inteligência, deixando de lado os zurros, contra tudo que poderia se esperar de tal animal, ela fala.

- Porque me espancas assim? Já fiz algo contigo assim, nos muitos anos que sou tua montaria?

Balaão era um feiticeiro. Adivinhava pelas nuvens. Orava para árvores sagradas. Acostumado aos ruídos estranhos e as bruxuleantes manifestações de todas sortes de espíritos, das divindades em formas de animais, não estranha o acontecimento. Os animais em seus sonhos falavam. Ele simplesmente responde como se fosse natural conversar com um animal.

- Maldito animal, por duas vezes você quase me esmagou a perna!

Então seus olhos são abertos. Vê o que só sua mula via. O ser com uma espada incandescente. Ele cai de joelhos enquanto ouve agora, não mais a voz da mula, mas a voz do ser que se interpunha em seu caminho:

- Se teu animal não tivesse impedido, tu agora estarias morto. Foi essa a ordem que foi te dada?

- Não.

- Espera o amanhecer e vai com aqueles que eu ordenei.






A visão se desfaz. Balaão entende que nada pode esconder diante daquele, que tudo vê.

O feiticeiro volta para casa e ao amanhecer sobe até as montanhas, acompanhado de comitiva real dos moabitas.
Então chega ao cume dos montes ao entardecer, no momento em que a nuvem branca que se eleva da terra a frente da multidão, próxima a grande tenda, tornár-se em chamas e incandescer. A face de Balaão e as terras de Moabe se iluminam com as chamas da coluna que se ergue na frente da tenda do santuário, do Deus do povo d´além do mar. Balaão sabe que nada poderá fazer. Invoca suas divindades e faz seus ritos, mas não são os espíritos ancestrais que vão ao seu encontro. É ele. O protetor daquele povo. Senhor. El Shaddai. Tomado de um poder que arrebata suas entranhas e que lhe enche de palavras, profere:

De Arã, me mandou trazer Balaque, rei dos moabitas, das montanhas do oriente, dizendo: Vem, amaldiçoa-me a Jacó; e vem, denuncia a Israel.

Como amaldiçoarei o que Deus não amaldiçoa? E como denunciarei, quando o SENHOR não denuncia?

Porque do cume das penhas o vejo, e dos outeiros o contemplo; eis que este povo habitará só, e entre as nações não será contado.

Quem contará o pó de Jacó e o número da quarta parte de Israel? Que a minha alma morra da morte dos justos, e seja o meu fim como o seu.



Balaão sabia que ao pronunciar aquilo, perdia todas as riquezas prometidas. Mas nada podia fazer. Era o Senhor que falava através dele.
Quando descem do monte naquela noite, ele ainda almeja a riqueza que lhe escapou. Ainda anseia pelo ouro que lhe foi ofertado.
Então sua alma de feiticeiro fala mais forte, do que o dia em que se tornou profeta.
Ele olha para Balaque e diz:

- A única chance de Moabe, é que eles se afastem do Senhor. Usem suas mulheres mais belas. Seus ritos mais torpes. Mexam com o desejo humano. Tornem os filhos deste povo, adoradores de deuses desta terra. Contaminem sua herança. E então, vencereis...




Os conselhos de Balaâo são seguidos a risca. Milhares de mulheres moabitas e midianitas são convocadas para festividades que durariam semanas, concedidas as mais nefastas e torpes divindades de Canaã. E os ritos que misturavam prazer e vinho; incenso e orgias, contaminou de modo profundo a Israel.
Até que veio a praga. E milhares morreram enfermos.


Meses se passaram quando outra comitiva convocou o mesmo Balaão. Agora para uma guerra. Israel, tendo Moisés como comandante viria contra as forças de Balaque e Moabe.

Os exércitos se aproximam numa multidão considerável. Ao longe se destaca a figura torpe do bruxo dos bruxos. Segurando seu bastão enegrecido e invocando suas divindades, qual um sacerdote de poderes negros, ele amaldiçoa ao exército inimigo. Ele amaldiçoa a Moisés.

O profeta olha para o imenso exército e experiente exército. Olha para os doze mil separados contra a superioridade inimiga.

E de longe, encara a Balaão. O cajado negro levantado sobre o monte o denuncia.

Um segundo bastão é levantado. O cajado de Moisés. E Israel parte para a batalha sangrenta.
O exército do mago contra o exército do profeta.
Não. Contra o exército de Senhor.

Naquele entardecer um exército inteiro morre, junto ao seu feiticeiro.



Os moabitas foram proibidos de sequer se aproximar da tenda da congregação. Nenhuma geração jamais teria o direito de adorar ao Deus de Israel nem na tenda da congregação, nem no templo que um dia se ergueria em israel.



Nenhuma geração...



430 anos após a morte de Balaão.

A história de Rute

Capital de Moabe – Kir Moabe

A crise econômica tomou o oriente médio de surpresa. Meses de estiagem deixaram os pastos israelitas secos. Antigas fazendas, um dia célebres por seus produtos, agora eram sítios abandonados. Cada manhã as cidades israelitas acordavam com o monótono som das moedeiras que desde cedo batiam em seus pilões de cedro os grãos colhidos no dia anterior. Agora, em muitas cidades israelitas o que ouvia era o silencio.

Nessa época de crise, cerca de 1100 anos antes de Cristo, uma família judaica emigra para um país chamado Moabe em busca de melhores condições de vida. A família é composta de um casal e seus dois filhos. Sai então de Belém de Efrata na região chamada Judéia, descendentes de uma das doze tribos, a tribo de Judá. Noemi, seu esposo Elimeleque, e seus dois filhos, Maalom e Quelion.

Noemi: - Querido, temos que ir mesmo? Não há outra solução, é uma terra estranha, de deuses estranhos. Os costumes dos moabitas são distintos dos nossos...

Elimeleque: - Noemi, tu sabes que os pastos secaram. Nossas economias se dissipam rapidamente. Vendemos as terras que pertenceram aos nossos pais. Devemos ter esperança, quem sabe Deus não se mostra propício para que encontremos famílias que nos acolham, uma terra para semear e colher.
Campinas de Moabe

Mas a sorte não lhes favorece. Em Moabe veio a falecer Elimeleque, deixando Noemi viúva com seus dois filhos.


Pouco após a morte de Elimeleque, uma grande festa é dada por uma nobre família moabita. Duas irmãs festejevam a paixão e a alegria de se casarem na mesma época. As pétalas de flores são jogadas abundantemente no caminho das jovens enfeitadas no dia de seu casamento. Noemi ainda pesarosa da morte de seu esposo encontra consolo na chegada de duas meninas e um novo início em sua vida.
Seus filhos casaram-se em Moabe, com duas jovens chamadas Órfã e Rute.
Por alguns meses tudo melhorava. Foi quando a notícia do campo chegou. Um acidente acontecera. Um boi ainda não amansado ferira gravemente ao filho mais velho. Maalon não resistiu à gravidade dos ferimentos e então morreu.

Rute perdera seu esposo e chorava desconsolada abraçada com sua irmã, Órfã.

Seis meses se passam. Um grupo de nômades tenta assaltar as ovelhas da fazenda de seus sogros. Quilioon os enfrenta bravamente. Os afugenta, mas se fere gravemente no combate, vindo também a falecer.

Órfã agora enviuvava também, e era ela que agora chorava sobre os braços de sua irmã.
Noemi havia perdido a tudo que possuía. Terras, familiares e mesmo a esperança. Desamparada em terra estrangeira, chegam notícias a Noemi que os pastos reverdeciam e que a economia de Israel estava crescendo novamente.

Ela se preparou para partir de Moabe, mas suas noras quiseram acompanhá-la. Ela insistiu para que não fizessem isso, para que voltassem para casa de seus pais, porque mesmo voltando para sua terra, não possuía mais nenhuma possessão, que vendera para financiar sua estadia em Moabe. Voltava para a cidade natal sem perspectivas, com um futuro incerto. Diz que está velha demais para ter novos filhos para que elas possam desposar. Noemi abençoa suas noras, lembra de como foi bem tratada na sua estada em Moabe e deseja que elas tenham paz, abundancia e possam casar-se novamente.
Órfã, diante de tantos argumentos, chora e desiste de acompanhá-la, voltando para casa de seus pais. Rute permanece impassível, mesmo diante de um futuro tão pouco promissor, mesmo diante da insistência de Noemi para que ela retorne para o conforto da casa de seus pais.
Rute simplesmente diz:

- Onde quer que você for, eu vou te seguir. Tua nação será a minha. Teu Deus será o meu Deus. Onde você for enterrada, aí serei eu. Nada se não a própria morte poderá impedir que eu te acompanhe.

E assim foi com Noemi naquela viagem insólita, para um destino sem amanhã.
Despedindo-se de seus pais, ela acompanha a desafortunada Noemi.
Quando alguns dias depois elas chegam na cidade, as notícias sob sua vinda já lhe antecediam. E todos estavam admirados tanto pela tragédia que se abatera sobre sua família, como pelo fato do tremendo amor que Rute demonstrara a uma israelita.

Por séculos Moabe e Israel tiveram sérias crises, guerras, desavenças e preconceitos, em virtude de terríveis fatos entre a história dos dois povos no passado. Os moabitas, foram proibidos de ADORAREM a Deus na tenda da Congregação, não poderiam realizar sacrifícios ao Deus de Israel, tamanha era a diferença que existia entre os dois povos.

Reis moabitas impediram em tempos idos que o povo de Israel sob a direção de Moisés transitasse em suas terras, em direção a terra prometida, o que fez com que milhares de mulheres e crianças por cerca de 40 dias ou mais enfrentassem o deserto numa difícil caminhada. Certa feita, reis moabitas contratam um feiticeiro para amaldiçoar a Israel.

Noutra aceitam os conselhos para cativarem os israelitas para cultos onde havia orgias e prostituição cultual, onde milhares de adolescentes ‘se entregavam’ para cativar o coração dos israelitas à certas divindades imorais dos Moabitas. Durante séculos os moabitas roubaram as fazendas, fizeram coalizão com outros povos para destruição de cidades israelitas. Além dos problemas políticos, das guerras, havia uma questão da origem dos Moabitas. Eles eram vistos como “o povo que descendeu de um incesto” por herança do nascimento de Moabe, pai de todos os moabitas.

Depois de escapar da destruição de Sodoma e Gomorra, Ló, sobrinho de Abraão, desiludido com a vida em sociedade, torna-se um ermitão, morando em cavernas das regiões montanhosas. Lá suas filhas, após alguns semanas de afastamento das cidades e impedidas de se casarem pelas circunstancias, engendram um plano, embebedam seu pai por duas noites e ambas se deitam com ele, engravidando ambas e dando luz a dois filhos: Amom e Moabe.

O avô e pai de Moabe, Ló, por sua vez também têm uma história de desilusões e erros. Morou em duas das mais corruptas cidades que já existiram, perdeu sua esposa junto ao mar morto por causa do Juízo divino sobre essas cidades; perdeu seus bens; certa feita fora aprisionado e seqüestrado pelos reis que um dia iriam originar a Babilônia; Ló saiu de Ur dos caldeus junto com Abraaão, quando Deus chamou SOMENTE a Abraão para ir ao lugar onde todas essas coisas lhe ocorreram. Ele seguiu junto a um homem que fora chamado por Deus para realização de algo, contra a ordem dada a esse mesmo homem: “Sai da casa de teus parentes, deixa para trás teus parentes”. Ló era parente de Abraão. Entende-se então o espanto dos habitantes de Belém pela chegada e postura daquela estrangeira. E apesar de um passado amaldiçoado, de saber que seria uma pária, estrangeira, sem direitos civis, sem direitos religiosos, Rute vai assim mesmo, sem saber o que lhe aguarda. A recepção de velhos conhecidos é dramática, porque Noemi voltava de uma tremenda jornada, despojada de bens, sem uma descendência, sem seu esposo e sem os filhos.
Noemi procurou uma associação de RESPIGADEIRAS, uma classe de pessoas que possuía diante das leis de Israel o direito de catar o milho, cereais, trigo, ou uvas que caíssem das sacolas ou do colo das trabalhadoras das fazendas, como auxílio aos mais desafortunados. Essa classe de pessoa vivia do resto, do que sobrava, do que porventura não fosse colhido, dependia da sorte de encontrar donos de fazendas que exercessem misericórdia e generosidade, pois os fazendeiros avarentos enchiam suas fazendas de coletores de cereais ou revezavam os grupos que voltariam para colher o que havia sobrado, não deixando quase nada que pudesse ser colhido. Outra prática é que os moços das fazendas escolhiam as mais bonitas e deixavam cair propositalmente parte do que colhessem em troca de “pequenos favores’ principalmente de origem sexual. Ou mesmo por aquelas pelas quais se apaixonavam, realmente.
Rute era estrangeira e a lei de israel, apesar de retirar dela muitos direitos em virtude de sua nacionalidade, concedia a ela o direito de catar trigo ou centeio como todas as outras.
Era o primeiro dia e Noemi lhe orienta a respigar cevada junto de uma das fazendas da região. Rute era belíssima. Era jovem e de feições completamente diferente dos israelitas. Ela era mais alva e mais alta do que as outras jovens, dada sua ascendência e possuía os olhos claros também. Era quase uma alemã em meio a um grupo descendência árabe. Ruiva, com os cabelos avermelhados (observando como será um de seus descendentes – Davi- e também a descrição de um dos filhos de Davi - Absalão).

De onde vem a menina dos cabelos vermelhos?

A menina de cabelos cor-de-fogo pediu permissão a um dos capatazes do grupo de colhedores e este concedeu que ela e outro grupo de jovens seguissem após, por dentro das fazendas por onde trabalhavam.



E assim se passou o dia inteiro. Ao entardecer um dos donos de uma das fazendas se aproximou e ao avistar a jovem perguntou quem ela era. O capataz contou que ela estava ali desde o amanhecer, e que trabalhara atrás deles por até aquele momento, parando para descansar somente ao meio-dia. Boaz era um antigo parente. Um homem nobre, descendente da tribo de judá, que conhecera Noemi muitos anos atrás. E já sabia da história e quem era aquela jovem. Só queria ter certeza de que ela era Rute. Ele a convidou e lhe disse que ela poderia ficar respigando em sua fazenda, sempre atrás daquele grupo que lhe era de confiança, ofereceu-lhe segurança de não ser molestada por outros segadores, assim como um abrigo para descansar, água para dessedentar-se. Rute fica espantada com tamanha acolhida. A gentileza do fazendeiro era demasiada e ela se curva em reverencia agradecendo.

Seus olhos faíscam com admiração e ternura.

-Porque és tão gracioso comigo? Você bem sabe a que povo
pertenço. Sou uma estrangeira, porque me favoreces assim?


Boaz fixa seus olhos em Rute. Seus olhos também brilham. De afeto. Como a muitos anos não acontecia. Ele sorri e com a voz mansa responde a Rute:

- Eu sei quem você é. Eu sei de onde você vem. E que deixou a casa de seus pais; E que deixou o conforto de sua família. E que é viúva, assim como a mulher, que um dia também foi estrangeira na sua terra. Da qual você tem cuidado tão bem. Você deixou tudo para cuidar de Noemi. Eu te quero perto de mim. Nos meus campos. Junto aos meus segadores. E nessa noite quero que jante comigo.

Rute se ajoelha e agradece. A muito ela não tem uma boa refeição.

A jovem de cabelos vermelhos destoa na multidão das serviçais e trabalhadores assentados entre imensos feixes de trigo colhidos. Os olhares de todos se voltam para Boaz que pessoalmente serve a bela jovem. Ele é que parte o queijo e a coloca nas mãos da esfomeada Rute. Ele busca a jarra de leite, o pão e o mel. Ele sorri ao ver como ela se lambuza comendo o os bolos de centeio untados com mel. Boaz oferece uma toalha e ela desajeitadamente limpa a face, agardecendo.

Rute come esfomeada, há dias, talvez meses, não comia com tanta abundancia.

Ela quase não consegue se levantar de tanto que come.

Ainda sobra para que ela possa levar para Noemi.

Quando ela volta para seu abrigo naquele dia, o faz carregada de cevada.

Após colher as espigas, no final da tarde Rute as bateu com um pilão e dos grãos recolheu quase trinta quilos. Volta recurvada para casa sob o peso de um saco cheio de cevada. Mais do que todas as outras colhedoras.

Boaz por sua vez dá ordem expressa para seus colhedores que deixem cair de modo proposital uma quantidade maior de cereal, onde quer que Rute se encontrasse colhendo.

Na fazenda um único comentário é o motivo das conversas de todos. Boaz está enamorado.



Noemi ao retorno de Rute pergunta desconfiada:

- Filha, onde você esteve?

Rute conta o que aconteceu. Noemi reconhece a Boaz como parente e se alegra. Percebe o que esta acontecendo. E percebe que pode ser o esposo que Rute poderia alcançar, assim como um nome e ter condições de sustento. Mesmo uma descendência.
Mais do que isso...

Noemi balbucia: ...O sapato... Calçar o sapato..

Rute: O quê? Calçar o que? Eu já estou calçada...



Boaz como parente próximo poderia resgatar as terras que um dia pertenceram a Elimeleque, seu esposo, e que seria direito de seus filhos, também mortos. Rute era esposa de um de seus filhos, mas pelo fato das terras já não pertencerem mais a sua família, não poderia ter direito as terras hereditárias. A cada quarenta e nove anos uma festa acontecia em que os terrenos voltavam aos seus antigos possuidores, conforme a lei judaica. Mesmo que a pobreza ocorresse numa geração, a próxima deveria devolver aos antigos herdeiros as antigas propriedades. Mas, seus filhos e marido estavam mortos, e na época da devolução, não haveria herdeiros para reivindicá-las. A lei do resgate não favorecia a esposa do falecido.

Noemi corre até seus parcos pertences e procura entre os objetos algo que lhe tem especial valor.
Então retira uma pra de sandálias gastos, feitas de couro rudimentar que um dia pertenceram a Elimeleque. Levantas-as em direção a Rute e exclama novamente:

- Calçar os sapatos...


Havia uma possibilidade. Era chamada LEI do LEVIRATO, em que um primo, tio ou irmão, casava-se com a esposa do seu parente falecido, e invocava para ela e o direito da herança hereditária. Quando tivesse, porém, filhos com a viúva, o sobrenome dos filhos não seria o seu. Seria o do falecido, ou o nome da viúva. Como se o parente NÃO TIVESSE MORRIDO. Os filhos que tivesse eram como se não fossem somente seus, e sim TAMBÉM da pessoa que morreu. O nome do irmão ou parente próximo continuaria a existir e no tempo do RESGATE, as terras continuariam na família dos filhos de sua esposa.

Desde que a cerimônia de calçar o sapato fosse realizada.


Noemi agirá então como casamenteira. Ordena que Rute se adorne, se banhe, se perfume e volte à fazenda de Boaz, mas com o manto sobre sua cabeça, de tal modo que ele não a reconheça. Noemi pede que ela seja ousada, que verifique qual o local da fazenda ele estará dormindo e que sorrateiramente se aproxime e se deite aos seus pés. E diz que Boaz falará depois com ela, sobre o que deverá fazer.

O plano prossegue e ao anoitecer ela se aproxima da estalagem, passa por entre os capatazes, e descobrindo onde Boaz está dormindo, se aproxima e deita-se aos seus pés. Perto da meia-noite Boaz estica-se e seus pés tocam em Rute.

Ele se assusta e pergunta quem está aos seus pés. Rute responde que é ela e de modo impensado, ELA é que faz para Boaz um pedido:

- Meus senhor, estende teu manto em minha direção.. DESPOSA-ME! Casa comigo! Resgata as terras de Noemi!

Perto da meia noite um homem espantado observa as madeixas vermelhas e os olhos da jovem por que já sente grande afeição, aos pés de sua cama... lhe pedindo em casamento..

Apesar da ousadia, da quebra de protocolos, Boaz admira-se da coragem inaudita de Rute, e sendo já um “cinquentão”, recebendo no meio da noite a queima-roupa uma proposta de casamento de uma adolescente, já tendo o coração balançado desde a primeira vez que a viu, concorda imediatamente.


- É claro que aceito...


Ele pede a Rute que aguarde o amanhecer.


Ele quer invocar a lei que poderá devolver os bens a linhagem de Noemi. Mas existe um primo, que é mais próximo do que ele. Para que possa desposar a Rute, este outro terá que dar para ele este direito.

Para que ele possa calçar o sapato, outro terá que descalçar-se.

É manhã e nas portas da cidade o tumulto começou.

Os anciãos se assentam no tribunal recém criado as portas de Belém, onde Boaz solicitará o direito de desposar a menina de cabelos vermelhos.

Terá início a cerimônia de calçar sapatos.

Diante dos anciãos ele aponta para o único que possui diante da Lei maior direito a mão de Rute do que ele. O caráter da jovem era conhecido por toda a cidade. Quando Boaz solicita a contragosto ao primo de Noemi que despose a Rute para que possa cumprir a lei, imediatamente este se levanta e diz que irá desposá-la. Boaz entende bem o motivo do primo mesquinho.



Então deixa bem claro, que em nenhum momento as terras de Noemi seriam suas. Que os filhos que teria, não levariam seu nome. Que ainda, essas crianças herdariam como filhos, mas não levariam seu nome à posteridade.
Os verdadeiros motivos que levaram o primo a aceitar tão depressa o casamento arranjado caem por terra.

- Eu declino. Não quero perder minhas terras para filhos que sequer terão meu sobrenome.

Boaz:

- Então tira teu sapato.

O primo descalça as sandálias, as quais Boaz ergue na frente da multidão:

- Eu assumo o direito que o outro não quer exercer. Ele tirou as sandálias, descalço está!

Eu assumo os deveres de dar continuidade a linhagem de Noemi.


Diante da aturdida multidão, Boaz se abaixa, retira suas sandálias e calça as que seu primo retirou.

Quando fica de pé seus olhos brilham.

- Eu assumo Rute como minha esposa.

A cidade festejou por mais de sete dias.




60 anos depois de Rute nascer:

Uma criança sardenta de cabelos ruivos corre atrás das ovelhas de seu pai.

Sua avó o observa, rindo de suas peraltices.

- Davi! Vem comer teu guisado! Para de correr atrás das ovelhas! Vem logo e obedece tua avó!!!


Um milênio depois de Rute nascer:


Uma menina de nome Maria e seu esposo José procuram uma estalagem na antiga cidade de Belém de Efrata. Maria está grávida e dará luz a uma criança especial. Ela e seu esposo descendem de uma antiga linhagem real. São descendentes de Davi. Do famoso rei Davi, pai de Salomão, herdeiro ao trono da tribo de judá.

Naquela noite anjos anunciaram a um grupo de pastores que o Rei dos Reis havia nascido.


Jesus, descendente de Davi.

Descendente de uma Moabita.

De nome Rute.


Welington José Ferreira


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publicado por wellcorp às 04:34 | link do post
A história de Rute


A leste de Canaã e a oeste das montanhas de Moabe, num dos terrenos mais ásperos do deserto da Judéia, vê-se um profundo canal no centro do qual existe um lago com uma área aproximada de 930 km2. Esse corpo d'agua é chamado, em hebraico, "Inhame Hamelah", que significa "o mar Salgado". São 77 km de comprimento (norte-sul) e cerca de 16 km, na maior largura. A profundidade máxima do lago é de cerca de 400 m, estando sua superfície a pouco mais de 400 metros abaixo do nível do mar. Trata-se do local mais baixo da terra. Por milhares de anos, as águas do Jordão, ricas em minerais, abasteceram o lago. A elevada evaporação provocada pelo clima do deserto aumentou a salinidade para índices próximos a 30% (nos demais mares, 3% a 6% ), o que favoreceu a formação de cristais na superfície. A composição mineral do lago é de: 67% de cloro, 17% de magnésio e 10% de sódio; além de outros sais em menor percentual. A presença do enxofre é de 0,2%.Belíssimas formações de sal cristalizado, na superfície do Mar Morto. Antigos escritos judeus identificam esse corpo d'água como "Inhame S'dom" - "o mar de Sodoma" -, nome da cidade destruída por Deus e que era localizada em suas margens meridionais (Gn 19). Alguns peregrinos, em tempos antigos, chamaram-no de "o Mar do Diabo" ao mentalizarem o diabo centelhando, ao tomar banho nas águas do lago". Os filósofos gregos Aristóteles e Strabo escreveram sobre o lugar e chamamdo-o de "Lacus Asphaltis", ou "Lago de Asfalto".Mas, para os gregos antigos, a desolação da área e a convicção que nenhuma vida poderia sobreviver nela, foi inspiração para um nome novo: "o Mar Morto".

Cerca de 900 anos antes de Rute nascer.

Um homem triste olha para uma formação de salitre que lembra um corpo feminino caído. Onde havia uma imensa campina, bosques verdejantes de beleza ímpar, agora se estendia um imenso mar. Às margens daquele mar estranho, ainda exalando vapores de ocre odor, com o corpo coberto de fina camada de sal trazido pelo vento inconstante, um homem chora a perda de sua esposa. Ele toca na formação de sal, que parece uma mulher caída, tremendo se levanta e caminha sem direção. Ainda tremia do estrondo e do clarão que transformou as cidades de sua moradia em lenda, em conto, em agouro, numa ruína de perdição, de ruas cobertas a quatrocentos metros abaixo de onde os olhos avistavam a superfície do mar morto.

Ele, caldeu, lembra da cidade de Ur, das cadeiras e mesas das salas de aula, das danças e festividades de sua terra natal. Da cidade dos mil deuses, que há tanto tempo deixara para trás. Desde que saíra tudo aconteceu de errado. Seguiu com seu tio que disse ter tido visões com um Deus desconhecido que o chamava para uma terra prometida, com a qual também desejou sonhar. E lembra que desobedeceu a ordem do Deus estranho, que só havia chamado a seu tio àquela estranha aventura. Ele não foi convidado. Por vinte anos ele vagueou sem rumo, porque simplesmente não tinha direção. Nenhuma direção.

Ló chegou as campinas de Moabe junto com suas duas filhas, poucos dias depois da hecatombe que sinistrou a Sodoma e Gomorra. Desiludido com os homens, dos quais ele, infelizmente, conheceu o lado pior, decidiu habitar os montes e as cavernas. Suas filhas sabiam que não se casariam, naquele ermo lugar, que só viria possuir cidades centenas de anos após a solitária peregrinação de Ló.
Numa noite sinistra, quando após alguns anos elas perderam a esperança de voltar a viver perto de alguma civilização, tomadas do horror de se transformarem em duas velhas desamparadas, como bruxas morando no interior de cavernas e temendo que após décadas de solidão, lobos as encontrassem já sem forças para se defender, elas decidem que devem gerar filhos, mesmo que seja a custa de seu próprio pai.
Nessa noite perdida entre as noites de antigos povos, elas embebedam seu pai, e na madrugada envoltas na escuridão, sem nenhum pudor se deitam com ele. Sem ter plena consciência do que faz, ele as engravida. Um dos filhos desta noite sinistra se chamou Moabe.


Cerca de 430 anos antes de Rute nascer:

Um imenso grupo de gente, incontável multidão se aproximava lentamente da antiga planície. Ali habitavam os descendentes da noite que se perdeu na história.

Os descendentes viram ao longe por semanas uma tocha de fogo que se elevava aos céus, como um redemoinho em chamas que anunciava que os que tinham destruído o Egito, agora se aproximavam. Quando amanheceu os reis do recém fundado reino de Moabe receberam a delegação dos forasteiros que solicitaram passagem por suas terras. Ao longe a multidão, agora guarnecida de uma imensa nuvem que como coluna de fumaça se elevava a frente de uma estranha tenda, uma enorme tenda que sobressaia sobre as outras, aguardava a resposta.
Os reis num misto de inveja e terror, disseram não. Não lhes importava as crianças, os idosos ou o quanto iriam ganhar de tempo. Não permitiriam que aqueles deuses estranhos, nem sua coluna de fogo, nem a tal coluna de nuvem, passassem pela terra dos seus ancestrais.

Os antigos reis observam quando o ancião com o cajado perto da imensa tenda recebe a notícia de que não poderiam passar.

A massa imensa de gente levou dias para se por em marcha. E levaria meses para chegar aonde pretendiam. Mas, isso não era da conta dos soberanos de Moabe.

Muitas noites com insônia se passaram. Depois de muitos dias a tal coluna de fogo e a tal coluna de nuvem reapareceram e com elas aquela inumerável multidão.

Os reis de Moabe e de outras terras chamadas Mídia em terror incalculável resolveram convocar o poder das trevas para impedir que aquela marcha insana continuasse. De boca em boca foi passada a torpe mensagem:

- Convoquem a Balaão.

Na densa escuridão da noite, durante o período que os trovões levam, antes do próximo relampejar, trepidavam patas ferradas dos corcéis negros, ferrando as poças da lama ocre no caminho lamacento até a lendário castelo do feiticeiro mais poderoso da terra. O alvo dos olhos dos animais resplandecia, junto a sua escura crina a cada raio que os iluminava. Montado sobre o negro animal, os mensageiros e das terras distantes de Moabe, com suas indumentárias escuras e encharcadas, gritam para os guardas à frente dos gigantescos portais da antiga fortaleza, na qual Balaão habitava. As imensas portas são abaixadas, enquanto eles ainda chicoteiam os alazões, ao sonido agora ocre, do trote nas pedras lavradas, recobertas de liquens acinzentados, do pátio castelar.
Da sacada superior, uma sombria figura observa a chegada dos mensageiros midianitas e moabitas. Deixando para trás suas cansadas montarias, caminham como arrastassem a si mesmos, até o grande salão de pórfiro e granito, enquanto um sombrio ajudante vai murmurando algum aviso para aquele que se assenta sobre uma gigantesca cadeira adornada de púrpura e de madeira ricamente trabalhada. Quase um trono. O mensageiro entra solene pelas portas palacianas, subindo até o lugar do grande salão rodeado de colunas de rosacrocita. Eles param subitamente e se ajoelham, enquanto as abas de suas vestimentas molhadas enchem como um vestido o lugar onde se abaixam. Na verdade, usam todos capas. Negras. Aquele que está sentado não se vira para cumprimentá-los. De costas ainda, levanta uma das mãos esqueléticas fazendo um gesto com a ponta dos dedos, sob o olhar malévolo e olhos semicerrados do sombrio homem ao seu lado direito. Os mensageiros se levantam e caminham, enquanto suas sombras se projetam na cortinada das colunas, através da luz das lamparinas acesas com óleo de baleia albina. O ruído de suas botas de couro molhadas sobressai agora no silencioso salão, reverberando a cada passo sobre o pórfiro impecavelmente polido. Próximo ao homem assentado, quando se achegam, ajoelham novamente em reverência. Fala então um dos mensageiros de Moabe:

— Ó! poderoso feiticeiro. Nossos guerreiros dalém, nas terras distantes, que batalham já a longo tempo, necessitam dos préstimos de tuas maldições. Os reis de Moabe e de Mídia me enviaram a ti para que, encontrando mercê diante de ti, dignasses a conceder-nos teus dons sobrenaturais contra um terrível povo que vem do oriente.

Quebrava-se o silêncio sepulcral através do murmúrio do vento soprando entre as frestas das pedras nas paredes. Soando tal som como fosse um antigo órgão tubular. O olhar do sombrio homem ao lado do feiticeiro, semicerrou-se ainda mais.
Finalmente o antigo feiticeiro se levantou. Arrastou a estranha roupa cheia de cangas e cordas com ossos partidos e dentes em quantidade que batiam uns nos outros, enquanto se apoiava ao bordão que possuía uma pequena caveira na extremidade, completamente enegrecida. Em suas mãos um colar de conchas e pedras, dando diversas voltas em suas mãos cadavéricas. Ele aperta as conchas com suas velhas mãos enquanto estica o indicador com horrenda unha em direção ao mensageiro.

— Que queres, tu de Balaão? Sabes que sobre quem lançar minha maldição, maldito será por toda a eternidade. Irão secar as fontes e corredeiras de sua terra, seus filhos morrerão ainda jovens de peste e as virgens já não gerará mais. Virá fome sobre as cidades, sequidão sobre as pastagens, doença no gado e nos homens. Não ficarão fracas e inúteis as mãos dos hábeis arqueiros? Não semearia eu terror sobre toda a terra? Que queres de Balaão, servo de ninguém?

- O rei meu senhor pede teus serviços. E te recompensará regiamente.

Balaão se arrasta sobre o pórfiro com uma risada aterradora. Encurvado se dirige a mesa e tomando de um líquido viscoso e cor de sangue, derrama a taça de prata enquanto gotas do líquido vermelho se derramam pelo chão. Ele se volta ao mensageiro, enquanto o barulho do bordão ressoa em todo o salão a cada passo de sua perna coxa. Então fala:


E que povo morto é este, quem serão os coitados e miseráveis sobre os quais se abaterá a palavra da maldição, que se farão como fantasmas e cujas vidas separadas para o desespero serão, que nação é essa que desaparecerá de sobre a face da terra, essa que eu terei o infortúnio de maldizer?

Os mensageiros se calam.

Balaão olha curioso. E grita:

- Respondam-me para que não morram, ainda de pé, mensageiros tolos!

Os céus relampejaram neste instante, tornando o olhar de Balaão ainda mais assustador

- É o povo d’além mar, cujos deuses destruíram a terra do Egito, aquele que de noite vai a frente a coluna de fogo e que ao amanhecer é precedido pela coluna de nuvem.

A taça cai da mão de Balaão. Rapidamente ele expulsa os mensageiros, dizendo que depois dará uma resposta.
Na noite misteriosa e chuvosa, relampeja quando os dois ajudantes misturam junto com o velho bruxo as poções, repetindo as preces e invocações de sacerdotes da antiguidade, de escritos de línguas mortas, e ritos que já não existiam.
Deixando de lado os deuses de Mídia e Moabe, esquecendo-se das divindades dos heteus e jebuseus, Balaão invoca a divindade protetora do povo além do mar. E invoca aquele que conhece por El Shadai, El Elion e Senhor. Escolhe chamar-lhe por Senhor.
Quando o invoca, Ele sente uma estranha presença. Uma poderosa presença. É ele.
Senhor havia chegado.
Senhor se apresenta ao feiticeiro. Balaão conhece pouco a Senhor. Não exigia sacrifícios humanos. Não falava ou agia como os outros espíritos com tratava. Na madrugada, claramente Balaão ouviu uma voz. E sabia quem falava com ele. Era Senhor.

- Quem são estes homens que estão contigo?

Tremendo Balaão responde: Balaque, rei dos moabitas os enviou para amaldiçoar o povo que saiu do Egito.

Senhor responde:

- Você não o fará. Eles são benditos.

E então se cala. A voz nada mais falou. Um feiticeiro só amaldiçoa um povo, se obter acordo com os espíritos que guardam tal povo. Ele os invocaria e veria o que eles pediriam para atender a Balaão. Mas não havia acordo com Senhor. Ele não negociava. Jamais.

Contrariado ele despede aos mensageiros.

- Vão embora, mensageiros de ninguém. O espírito que guarda ao estranho povo impediu-me de amaldiçoar ao estranho povo. Vão. Vão e não voltem mais.

Quando os mensageiros chegam ao amanhecer, ainda chovia sobre as planícies de Moabe. Balaque se desespera. Envia seus mais nobres príncipes com riqueza e recompensa como nunca antes um feiticeiro na terra, jamais fora agraciado. Eles chegam com ovelhas em multidão, bois, cabras e camelos. Trazem especiarias, azeite e mel, passas e damascos, vinho e leite. Mantas púrpuras e carmesim, vestidos bordados de azul e ouro.
Seus olhos faíscam com a avareza. Riqueza inimaginável.
Ele finge não se interessar. Porém ao ver tamanha riqueza, Balaão decide tentar negociar com Senhor. Mais uma vez.

Ele insiste permissão, ao menos para ir com eles. Mas, dentro de si maquina um plano. Ele invocará outros deuses e certamente haverá mais poderosos que Senhor. Ele só precisa ir.

- Vá com eles. Ao amanhecer. Mas só farás o que eu te disser.

Balaão concorda. Mentindo. Ele se ajoelha, como se pudesse enganar sua verdadeira intenção.


Ainda de madrugada, antes que amanhecesse, inquieto, preparou sua velha montaria. A mula. A velha mula. Rico. Rico, ele pensava. Mas, Senhor escutava seu coração.

Na subida dos montes em direção as fronteiras de Moabe uma velha mula se assusta. O velho animal empaca ao sentir o poder espiritual e a luz que só ela, a mula, enxerga. As crinas no pescoço acinzentado do velho animal se arrepiam ao ver a estranha criatura. E seus olhos se fixam nas mãos do anjo que carregam uma espada incendiada. Na região montanhosa Ela, a mula, quase esmaga a perna de seu dono. Ele espanca a coitada e continua a íngreme subida. Outra vez o ser aparece. E só ela, a mula, consegue enxergá-lo. Desta vez Balaão é empurrado contra a encosta rochosa. Descendo furioso do animal, ele o chicoteia sem misericórdia. Em meio aos gritos da mula, um assombro. Ela se vira para Balaão e dotada de repentina inteligência, deixando de lado os zurros, contra tudo que poderia se esperar de tal animal, ela fala.

- Porque me espancas assim? Já fiz algo contigo assim, nos muitos anos que sou tua montaria?

Balaão era um feiticeiro. Adivinhava pelas nuvens. Orava para árvores sagradas. Acostumado aos ruídos estranhos e as bruxuleantes manifestações de todas sortes de espíritos, das divindades em formas de animais, não estranha o acontecimento. Os animais em seus sonhos falavam. Ele simplesmente responde como se fosse natural conversar com um animal.

- Maldito animal, por duas vezes você quase me esmagou a perna!

Então seus olhos são abertos. Vê o que só sua mula via. O ser com uma espada incandescente. Ele cai de joelhos enquanto ouve agora, não mais a voz da mula, mas a voz do ser que se interpunha em seu caminho:

- Se teu animal não tivesse impedido, tu agora estarias morto. Foi essa a ordem que foi te dada?

- Não.

- Espera o amanhecer e vai com aqueles que eu ordenei.






A visão se desfaz. Balaão entende que nada pode esconder diante daquele, que tudo vê.

O feiticeiro volta para casa e ao amanhecer sobe até as montanhas, acompanhado de comitiva real dos moabitas.
Então chega ao cume dos montes ao entardecer, no momento em que a nuvem branca que se eleva da terra a frente da multidão, próxima a grande tenda, tornár-se em chamas e incandescer. A face de Balaão e as terras de Moabe se iluminam com as chamas da coluna que se ergue na frente da tenda do santuário, do Deus do povo d´além do mar. Balaão sabe que nada poderá fazer. Invoca suas divindades e faz seus ritos, mas não são os espíritos ancestrais que vão ao seu encontro. É ele. O protetor daquele povo. Senhor. El Shaddai. Tomado de um poder que arrebata suas entranhas e que lhe enche de palavras, profere:

De Arã, me mandou trazer Balaque, rei dos moabitas, das montanhas do oriente, dizendo: Vem, amaldiçoa-me a Jacó; e vem, denuncia a Israel.

Como amaldiçoarei o que Deus não amaldiçoa? E como denunciarei, quando o SENHOR não denuncia?

Porque do cume das penhas o vejo, e dos outeiros o contemplo; eis que este povo habitará só, e entre as nações não será contado.

Quem contará o pó de Jacó e o número da quarta parte de Israel? Que a minha alma morra da morte dos justos, e seja o meu fim como o seu.



Balaão sabia que ao pronunciar aquilo, perdia todas as riquezas prometidas. Mas nada podia fazer. Era o Senhor que falava através dele.
Quando descem do monte naquela noite, ele ainda almeja a riqueza que lhe escapou. Ainda anseia pelo ouro que lhe foi ofertado.
Então sua alma de feiticeiro fala mais forte, do que o dia em que se tornou profeta.
Ele olha para Balaque e diz:

- A única chance de Moabe, é que eles se afastem do Senhor. Usem suas mulheres mais belas. Seus ritos mais torpes. Mexam com o desejo humano. Tornem os filhos deste povo, adoradores de deuses desta terra. Contaminem sua herança. E então, vencereis...




Os conselhos de Balaâo são seguidos a risca. Milhares de mulheres moabitas e midianitas são convocadas para festividades que durariam semanas, concedidas as mais nefastas e torpes divindades de Canaã. E os ritos que misturavam prazer e vinho; incenso e orgias, contaminou de modo profundo a Israel.
Até que veio a praga. E milhares morreram enfermos.


Meses se passaram quando outra comitiva convocou o mesmo Balaão. Agora para uma guerra. Israel, tendo Moisés como comandante viria contra as forças de Balaque e Moabe.

Os exércitos se aproximam numa multidão considerável. Ao longe se destaca a figura torpe do bruxo dos bruxos. Segurando seu bastão enegrecido e invocando suas divindades, qual um sacerdote de poderes negros, ele amaldiçoa ao exército inimigo. Ele amaldiçoa a Moisés.

O profeta olha para o imenso exército e experiente exército. Olha para os doze mil separados contra a superioridade inimiga.

E de longe, encara a Balaão. O cajado negro levantado sobre o monte o denuncia.

Um segundo bastão é levantado. O cajado de Moisés. E Israel parte para a batalha sangrenta.
O exército do mago contra o exército do profeta.
Não. Contra o exército de Senhor.

Naquele entardecer um exército inteiro morre, junto ao seu feiticeiro.



Os moabitas foram proibidos de sequer se aproximar da tenda da congregação. Nenhuma geração jamais teria o direito de adorar ao Deus de Israel nem na tenda da congregação, nem no templo que um dia se ergueria em israel.



Nenhuma geração...



430 anos após a morte de Balaão.

A história de Rute

Capital de Moabe – Kir Moabe

A crise econômica tomou o oriente médio de surpresa. Meses de estiagem deixaram os pastos israelitas secos. Antigas fazendas, um dia célebres por seus produtos, agora eram sítios abandonados. Cada manhã as cidades israelitas acordavam com o monótono som das moedeiras que desde cedo batiam em seus pilões de cedro os grãos colhidos no dia anterior. Agora, em muitas cidades israelitas o que ouvia era o silencio.

Nessa época de crise, cerca de 1100 anos antes de Cristo, uma família judaica emigra para um país chamado Moabe em busca de melhores condições de vida. A família é composta de um casal e seus dois filhos. Sai então de Belém de Efrata na região chamada Judéia, descendentes de uma das doze tribos, a tribo de Judá. Noemi, seu esposo Elimeleque, e seus dois filhos, Maalom e Quelion.

Noemi: - Querido, temos que ir mesmo? Não há outra solução, é uma terra estranha, de deuses estranhos. Os costumes dos moabitas são distintos dos nossos...

Elimeleque: - Noemi, tu sabes que os pastos secaram. Nossas economias se dissipam rapidamente. Vendemos as terras que pertenceram aos nossos pais. Devemos ter esperança, quem sabe Deus não se mostra propício para que encontremos famílias que nos acolham, uma terra para semear e colher.
Campinas de Moabe

Mas a sorte não lhes favorece. Em Moabe veio a falecer Elimeleque, deixando Noemi viúva com seus dois filhos.


Pouco após a morte de Elimeleque, uma grande festa é dada por uma nobre família moabita. Duas irmãs festejevam a paixão e a alegria de se casarem na mesma época. As pétalas de flores são jogadas abundantemente no caminho das jovens enfeitadas no dia de seu casamento. Noemi ainda pesarosa da morte de seu esposo encontra consolo na chegada de duas meninas e um novo início em sua vida.
Seus filhos casaram-se em Moabe, com duas jovens chamadas Órfã e Rute.
Por alguns meses tudo melhorava. Foi quando a notícia do campo chegou. Um acidente acontecera. Um boi ainda não amansado ferira gravemente ao filho mais velho. Maalon não resistiu à gravidade dos ferimentos e então morreu.

Rute perdera seu esposo e chorava desconsolada abraçada com sua irmã, Órfã.

Seis meses se passam. Um grupo de nômades tenta assaltar as ovelhas da fazenda de seus sogros. Quilioon os enfrenta bravamente. Os afugenta, mas se fere gravemente no combate, vindo também a falecer.

Órfã agora enviuvava também, e era ela que agora chorava sobre os braços de sua irmã.
Noemi havia perdido a tudo que possuía. Terras, familiares e mesmo a esperança. Desamparada em terra estrangeira, chegam notícias a Noemi que os pastos reverdeciam e que a economia de Israel estava crescendo novamente.

Ela se preparou para partir de Moabe, mas suas noras quiseram acompanhá-la. Ela insistiu para que não fizessem isso, para que voltassem para casa de seus pais, porque mesmo voltando para sua terra, não possuía mais nenhuma possessão, que vendera para financiar sua estadia em Moabe. Voltava para a cidade natal sem perspectivas, com um futuro incerto. Diz que está velha demais para ter novos filhos para que elas possam desposar. Noemi abençoa suas noras, lembra de como foi bem tratada na sua estada em Moabe e deseja que elas tenham paz, abundancia e possam casar-se novamente.
Órfã, diante de tantos argumentos, chora e desiste de acompanhá-la, voltando para casa de seus pais. Rute permanece impassível, mesmo diante de um futuro tão pouco promissor, mesmo diante da insistência de Noemi para que ela retorne para o conforto da casa de seus pais.
Rute simplesmente diz:

- Onde quer que você for, eu vou te seguir. Tua nação será a minha. Teu Deus será o meu Deus. Onde você for enterrada, aí serei eu. Nada se não a própria morte poderá impedir que eu te acompanhe.

E assim foi com Noemi naquela viagem insólita, para um destino sem amanhã.
Despedindo-se de seus pais, ela acompanha a desafortunada Noemi.
Quando alguns dias depois elas chegam na cidade, as notícias sob sua vinda já lhe antecediam. E todos estavam admirados tanto pela tragédia que se abatera sobre sua família, como pelo fato do tremendo amor que Rute demonstrara a uma israelita.

Por séculos Moabe e Israel tiveram sérias crises, guerras, desavenças e preconceitos, em virtude de terríveis fatos entre a história dos dois povos no passado. Os moabitas, foram proibidos de ADORAREM a Deus na tenda da Congregação, não poderiam realizar sacrifícios ao Deus de Israel, tamanha era a diferença que existia entre os dois povos.

Reis moabitas impediram em tempos idos que o povo de Israel sob a direção de Moisés transitasse em suas terras, em direção a terra prometida, o que fez com que milhares de mulheres e crianças por cerca de 40 dias ou mais enfrentassem o deserto numa difícil caminhada. Certa feita, reis moabitas contratam um feiticeiro para amaldiçoar a Israel.

Noutra aceitam os conselhos para cativarem os israelitas para cultos onde havia orgias e prostituição cultual, onde milhares de adolescentes ‘se entregavam’ para cativar o coração dos israelitas à certas divindades imorais dos Moabitas. Durante séculos os moabitas roubaram as fazendas, fizeram coalizão com outros povos para destruição de cidades israelitas. Além dos problemas políticos, das guerras, havia uma questão da origem dos Moabitas. Eles eram vistos como “o povo que descendeu de um incesto” por herança do nascimento de Moabe, pai de todos os moabitas.

Depois de escapar da destruição de Sodoma e Gomorra, Ló, sobrinho de Abraão, desiludido com a vida em sociedade, torna-se um ermitão, morando em cavernas das regiões montanhosas. Lá suas filhas, após alguns semanas de afastamento das cidades e impedidas de se casarem pelas circunstancias, engendram um plano, embebedam seu pai por duas noites e ambas se deitam com ele, engravidando ambas e dando luz a dois filhos: Amom e Moabe.

O avô e pai de Moabe, Ló, por sua vez também têm uma história de desilusões e erros. Morou em duas das mais corruptas cidades que já existiram, perdeu sua esposa junto ao mar morto por causa do Juízo divino sobre essas cidades; perdeu seus bens; certa feita fora aprisionado e seqüestrado pelos reis que um dia iriam originar a Babilônia; Ló saiu de Ur dos caldeus junto com Abraaão, quando Deus chamou SOMENTE a Abraão para ir ao lugar onde todas essas coisas lhe ocorreram. Ele seguiu junto a um homem que fora chamado por Deus para realização de algo, contra a ordem dada a esse mesmo homem: “Sai da casa de teus parentes, deixa para trás teus parentes”. Ló era parente de Abraão. Entende-se então o espanto dos habitantes de Belém pela chegada e postura daquela estrangeira. E apesar de um passado amaldiçoado, de saber que seria uma pária, estrangeira, sem direitos civis, sem direitos religiosos, Rute vai assim mesmo, sem saber o que lhe aguarda. A recepção de velhos conhecidos é dramática, porque Noemi voltava de uma tremenda jornada, despojada de bens, sem uma descendência, sem seu esposo e sem os filhos.
Noemi procurou uma associação de RESPIGADEIRAS, uma classe de pessoas que possuía diante das leis de Israel o direito de catar o milho, cereais, trigo, ou uvas que caíssem das sacolas ou do colo das trabalhadoras das fazendas, como auxílio aos mais desafortunados. Essa classe de pessoa vivia do resto, do que sobrava, do que porventura não fosse colhido, dependia da sorte de encontrar donos de fazendas que exercessem misericórdia e generosidade, pois os fazendeiros avarentos enchiam suas fazendas de coletores de cereais ou revezavam os grupos que voltariam para colher o que havia sobrado, não deixando quase nada que pudesse ser colhido. Outra prática é que os moços das fazendas escolhiam as mais bonitas e deixavam cair propositalmente parte do que colhessem em troca de “pequenos favores’ principalmente de origem sexual. Ou mesmo por aquelas pelas quais se apaixonavam, realmente.
Rute era estrangeira e a lei de israel, apesar de retirar dela muitos direitos em virtude de sua nacionalidade, concedia a ela o direito de catar trigo ou centeio como todas as outras.
Era o primeiro dia e Noemi lhe orienta a respigar cevada junto de uma das fazendas da região. Rute era belíssima. Era jovem e de feições completamente diferente dos israelitas. Ela era mais alva e mais alta do que as outras jovens, dada sua ascendência e possuía os olhos claros também. Era quase uma alemã em meio a um grupo descendência árabe. Ruiva, com os cabelos avermelhados (observando como será um de seus descendentes – Davi- e também a descrição de um dos filhos de Davi - Absalão).

De onde vem a menina dos cabelos vermelhos?

A menina de cabelos cor-de-fogo pediu permissão a um dos capatazes do grupo de colhedores e este concedeu que ela e outro grupo de jovens seguissem após, por dentro das fazendas por onde trabalhavam.



E assim se passou o dia inteiro. Ao entardecer um dos donos de uma das fazendas se aproximou e ao avistar a jovem perguntou quem ela era. O capataz contou que ela estava ali desde o amanhecer, e que trabalhara atrás deles por até aquele momento, parando para descansar somente ao meio-dia. Boaz era um antigo parente. Um homem nobre, descendente da tribo de judá, que conhecera Noemi muitos anos atrás. E já sabia da história e quem era aquela jovem. Só queria ter certeza de que ela era Rute. Ele a convidou e lhe disse que ela poderia ficar respigando em sua fazenda, sempre atrás daquele grupo que lhe era de confiança, ofereceu-lhe segurança de não ser molestada por outros segadores, assim como um abrigo para descansar, água para dessedentar-se. Rute fica espantada com tamanha acolhida. A gentileza do fazendeiro era demasiada e ela se curva em reverencia agradecendo.

Seus olhos faíscam com admiração e ternura.

-Porque és tão gracioso comigo? Você bem sabe a que povo
pertenço. Sou uma estrangeira, porque me favoreces assim?


Boaz fixa seus olhos em Rute. Seus olhos também brilham. De afeto. Como a muitos anos não acontecia. Ele sorri e com a voz mansa responde a Rute:

- Eu sei quem você é. Eu sei de onde você vem. E que deixou a casa de seus pais; E que deixou o conforto de sua família. E que é viúva, assim como a mulher, que um dia também foi estrangeira na sua terra. Da qual você tem cuidado tão bem. Você deixou tudo para cuidar de Noemi. Eu te quero perto de mim. Nos meus campos. Junto aos meus segadores. E nessa noite quero que jante comigo.

Rute se ajoelha e agradece. A muito ela não tem uma boa refeição.

A jovem de cabelos vermelhos destoa na multidão das serviçais e trabalhadores assentados entre imensos feixes de trigo colhidos. Os olhares de todos se voltam para Boaz que pessoalmente serve a bela jovem. Ele é que parte o queijo e a coloca nas mãos da esfomeada Rute. Ele busca a jarra de leite, o pão e o mel. Ele sorri ao ver como ela se lambuza comendo o os bolos de centeio untados com mel. Boaz oferece uma toalha e ela desajeitadamente limpa a face, agardecendo.

Rute come esfomeada, há dias, talvez meses, não comia com tanta abundancia.

Ela quase não consegue se levantar de tanto que come.

Ainda sobra para que ela possa levar para Noemi.

Quando ela volta para seu abrigo naquele dia, o faz carregada de cevada.

Após colher as espigas, no final da tarde Rute as bateu com um pilão e dos grãos recolheu quase trinta quilos. Volta recurvada para casa sob o peso de um saco cheio de cevada. Mais do que todas as outras colhedoras.

Boaz por sua vez dá ordem expressa para seus colhedores que deixem cair de modo proposital uma quantidade maior de cereal, onde quer que Rute se encontrasse colhendo.

Na fazenda um único comentário é o motivo das conversas de todos. Boaz está enamorado.



Noemi ao retorno de Rute pergunta desconfiada:

- Filha, onde você esteve?

Rute conta o que aconteceu. Noemi reconhece a Boaz como parente e se alegra. Percebe o que esta acontecendo. E percebe que pode ser o esposo que Rute poderia alcançar, assim como um nome e ter condições de sustento. Mesmo uma descendência.
Mais do que isso...

Noemi balbucia: ...O sapato... Calçar o sapato..

Rute: O quê? Calçar o que? Eu já estou calçada...



Boaz como parente próximo poderia resgatar as terras que um dia pertenceram a Elimeleque, seu esposo, e que seria direito de seus filhos, também mortos. Rute era esposa de um de seus filhos, mas pelo fato das terras já não pertencerem mais a sua família, não poderia ter direito as terras hereditárias. A cada quarenta e nove anos uma festa acontecia em que os terrenos voltavam aos seus antigos possuidores, conforme a lei judaica. Mesmo que a pobreza ocorresse numa geração, a próxima deveria devolver aos antigos herdeiros as antigas propriedades. Mas, seus filhos e marido estavam mortos, e na época da devolução, não haveria herdeiros para reivindicá-las. A lei do resgate não favorecia a esposa do falecido.

Noemi corre até seus parcos pertences e procura entre os objetos algo que lhe tem especial valor.
Então retira uma pra de sandálias gastos, feitas de couro rudimentar que um dia pertenceram a Elimeleque. Levantas-as em direção a Rute e exclama novamente:

- Calçar os sapatos...


Havia uma possibilidade. Era chamada LEI do LEVIRATO, em que um primo, tio ou irmão, casava-se com a esposa do seu parente falecido, e invocava para ela e o direito da herança hereditária. Quando tivesse, porém, filhos com a viúva, o sobrenome dos filhos não seria o seu. Seria o do falecido, ou o nome da viúva. Como se o parente NÃO TIVESSE MORRIDO. Os filhos que tivesse eram como se não fossem somente seus, e sim TAMBÉM da pessoa que morreu. O nome do irmão ou parente próximo continuaria a existir e no tempo do RESGATE, as terras continuariam na família dos filhos de sua esposa.

Desde que a cerimônia de calçar o sapato fosse realizada.


Noemi agirá então como casamenteira. Ordena que Rute se adorne, se banhe, se perfume e volte à fazenda de Boaz, mas com o manto sobre sua cabeça, de tal modo que ele não a reconheça. Noemi pede que ela seja ousada, que verifique qual o local da fazenda ele estará dormindo e que sorrateiramente se aproxime e se deite aos seus pés. E diz que Boaz falará depois com ela, sobre o que deverá fazer.

O plano prossegue e ao anoitecer ela se aproxima da estalagem, passa por entre os capatazes, e descobrindo onde Boaz está dormindo, se aproxima e deita-se aos seus pés. Perto da meia-noite Boaz estica-se e seus pés tocam em Rute.

Ele se assusta e pergunta quem está aos seus pés. Rute responde que é ela e de modo impensado, ELA é que faz para Boaz um pedido:

- Meus senhor, estende teu manto em minha direção.. DESPOSA-ME! Casa comigo! Resgata as terras de Noemi!

Perto da meia noite um homem espantado observa as madeixas vermelhas e os olhos da jovem por que já sente grande afeição, aos pés de sua cama... lhe pedindo em casamento..

Apesar da ousadia, da quebra de protocolos, Boaz admira-se da coragem inaudita de Rute, e sendo já um “cinquentão”, recebendo no meio da noite a queima-roupa uma proposta de casamento de uma adolescente, já tendo o coração balançado desde a primeira vez que a viu, concorda imediatamente.


- É claro que aceito...


Ele pede a Rute que aguarde o amanhecer.


Ele quer invocar a lei que poderá devolver os bens a linhagem de Noemi. Mas existe um primo, que é mais próximo do que ele. Para que possa desposar a Rute, este outro terá que dar para ele este direito.

Para que ele possa calçar o sapato, outro terá que descalçar-se.

É manhã e nas portas da cidade o tumulto começou.

Os anciãos se assentam no tribunal recém criado as portas de Belém, onde Boaz solicitará o direito de desposar a menina de cabelos vermelhos.

Terá início a cerimônia de calçar sapatos.

Diante dos anciãos ele aponta para o único que possui diante da Lei maior direito a mão de Rute do que ele. O caráter da jovem era conhecido por toda a cidade. Quando Boaz solicita a contragosto ao primo de Noemi que despose a Rute para que possa cumprir a lei, imediatamente este se levanta e diz que irá desposá-la. Boaz entende bem o motivo do primo mesquinho.



Então deixa bem claro, que em nenhum momento as terras de Noemi seriam suas. Que os filhos que teria, não levariam seu nome. Que ainda, essas crianças herdariam como filhos, mas não levariam seu nome à posteridade.
Os verdadeiros motivos que levaram o primo a aceitar tão depressa o casamento arranjado caem por terra.

- Eu declino. Não quero perder minhas terras para filhos que sequer terão meu sobrenome.

Boaz:

- Então tira teu sapato.

O primo descalça as sandálias, as quais Boaz ergue na frente da multidão:

- Eu assumo o direito que o outro não quer exercer. Ele tirou as sandálias, descalço está!

Eu assumo os deveres de dar continuidade a linhagem de Noemi.


Diante da aturdida multidão, Boaz se abaixa, retira suas sandálias e calça as que seu primo retirou.

Quando fica de pé seus olhos brilham.

- Eu assumo Rute como minha esposa.

A cidade festejou por mais de sete dias.




60 anos depois de Rute nascer:

Uma criança sardenta de cabelos ruivos corre atrás das ovelhas de seu pai.

Sua avó o observa, rindo de suas peraltices.

- Davi! Vem comer teu guisado! Para de correr atrás das ovelhas! Vem logo e obedece tua avó!!!


Um milênio depois de Rute nascer:


Uma menina de nome Maria e seu esposo José procuram uma estalagem na antiga cidade de Belém de Efrata. Maria está grávida e dará luz a uma criança especial. Ela e seu esposo descendem de uma antiga linhagem real. São descendentes de Davi. Do famoso rei Davi, pai de Salomão, herdeiro ao trono da tribo de judá.

Naquela noite anjos anunciaram a um grupo de pastores que o Rei dos Reis havia nascido.


Jesus, descendente de Davi.

Descendente de uma Moabita.

De nome Rute.


Welington José Ferreira


www.welingtoncorp.xpg.com.br


publicado por wellcorp às 04:34 | link do post
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