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Welington Corporation

Um Blog de poesia, imagens estudos das Escrituras, mensagens e textos engraçados

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08
Ago08

Pequim

wellcorp


MELANCOLIA (LAMENTO)

A nova é adorável como a flor.
Mas a antiga é preciosa como o jade.
Ondulante, a flor não se sabe conter.
Puro, o jade não muda.
A que hoje é antiga foi nova, outrora.
A nova será antiga, um dia.
Vede a casa de ouro da Rainha Ch’en:
nascem teias de aranha em suas cortinas silenciosas.

(Poema de Li T’ai Po)


Tradução: Cecília Meireles.
degraus da escada de jade

agora brancos de orvalho

orvalho da noite alta

invade as meias de gaze —

a dama que fez baixar

as persianas de cristal

contempla a transparência

a clara lua de outono


(Poema de Li T’ai Po)


Tradução: Haroldo de Campos


ODE 274


Mão de Rei Wu

não cai, só sua.

Não faz qual sol

luz só de dia.


Shang Ti (no céu)

Fez- reis Ch’eng e K’ang;

mol dou os réis;

ta lhou- lhes luz.


Gongo, flau ta soam,

tam- tam no tom,

som do bom grão

se ou ve en tão.


Quem faz, faz bem,

Quem não tem fim.

Um dom do chão

vem com o grão.


(Do Livro das Odes de Confúcio, 600 a. C.)


Tradução: Augusto de Campos
08
Ago08

Pequim

wellcorp


MELANCOLIA (LAMENTO)

A nova é adorável como a flor.
Mas a antiga é preciosa como o jade.
Ondulante, a flor não se sabe conter.
Puro, o jade não muda.
A que hoje é antiga foi nova, outrora.
A nova será antiga, um dia.
Vede a casa de ouro da Rainha Ch’en:
nascem teias de aranha em suas cortinas silenciosas.

(Poema de Li T’ai Po)


Tradução: Cecília Meireles.
degraus da escada de jade

agora brancos de orvalho

orvalho da noite alta

invade as meias de gaze —

a dama que fez baixar

as persianas de cristal

contempla a transparência

a clara lua de outono


(Poema de Li T’ai Po)


Tradução: Haroldo de Campos


ODE 274


Mão de Rei Wu

não cai, só sua.

Não faz qual sol

luz só de dia.


Shang Ti (no céu)

Fez- reis Ch’eng e K’ang;

mol dou os réis;

ta lhou- lhes luz.


Gongo, flau ta soam,

tam- tam no tom,

som do bom grão

se ou ve en tão.


Quem faz, faz bem,

Quem não tem fim.

Um dom do chão

vem com o grão.


(Do Livro das Odes de Confúcio, 600 a. C.)


Tradução: Augusto de Campos
06
Ago08

Camundongo encontrado em canteiro de Obras

wellcorp
Notícia.

Camundongo encontrado no Canteiro do Coque
20/06

Um camundongo foi encontrado morto no dia 20/6 em frente à saída de emergência do canteiro avançado do Coque. O local foi dedetizado contra roedores, porém eles vêm em busca de alimentos que por ventura caíram no chão.
....
Dia 19/06

Eram duas horas da manhã no canteiro do Coque. os céus crispados e o vento insólito varriam as poças de chuva, enquanto a chuva torrencial se abatia sobre a silenciosa e gigantesca obra do Coque da Refinaria Duque de Caxias. O guarda de plantão, com a capa amarela sintética absolutamente encharcada se dirigia com a lanterna até o veículo de gamagrafia que se aproximava do portão fechado da entrada do canteiro. O vento cortante, frio como o inverno, jogarrava gotas sobre o vidro da embaçado da janela da Fiorino com as identifi cações de radiotividade, enquanto o técnico que dirigia abaixava o vidro tentando a custo conversar com o vigilante:
- Oi! boa noite - gritava - Você tem uma garrafa de café quente aí?
- Não sei se está quente! Vou abrir o portão e vê se na garrafa creme ainda tem alguma coisa!
- Ok!
O vidro é fechado, enquanto apressadamente o vigilante solta a corrente do portão. A fiorino para próximo a porta de entrada. Os três técnicos correm para dentro da copa em busca de abrigo e café. Então as luzes se apagam.
- Muito azar! Tá dando pra enxergar a garrafa?
- Tá ali no canto. Eu acho. Vou pegar a a lanterna - disse um dos técnicos. Ele corre até a fiorino. Então tomado de súbito calafrio, enrijece. Levanta os olhos e vira lentamente a cabeça em direção a entrada do Canteiro. Os olhos da criatura brilharam numa cor avermelhada, iluminadas pelos raios que caíam, observando o técnico assustado. Quando vê a criatura, quase do tamanho de um porco com 300 kg, ele dá um grito de pavor. Solta alanterna e corre para
a Copa. os outros assustados largam os copos no chão enquanto a criatura corre em sua direção. Não tiveram tempo de reagir quando o estranho animal avança para dentro da copa. A mesa é derrubada pelo pulo de três metros da criatura, enquanto os técnicos de gamagrafia são lançados para trás. Começa uma luta desigual.
- Céus! que coisa é essa!
-Cala a boca e continua batendo!
O animal guincha quando uma cadeira é lançada em sua direção e então sai correndo de dentro da copa.
- Minha nossa! Pro carro! Pro carro!
Os técnicos correm e entram assustados enfiando a chave a custo na direção. As luzes da fiorino são ligadas e á frente do carro próximo á parede os olhos vermelhos da besta-fera brilham mais uma vez, No desespero o motorista engata a ré, quando o enorme anima bate no vidro dianteiro.
O carro sai derrapando de ré com o naimal tentando quebar os vidros, e então enguiça.
- Tira essa joça daqui! Tira! Afogou! Afogou!
- Como assim afogou?
A vidraça da frente se despedaça pela patada certeira e quando o animal se atira para dentro do carro ouve-se um estrondo de arma de fogo! O vigilante alertado pela arruaça dera um tiro certeiro no animal, que pula para fora do carro e vira-se em direção ao vigilante. Outro guincho. Um novo tiro. O animal corre e voltando-se ataca o vigilante. A arma cai no meio da lama quando uma caixa de chumbo aberta é lançada ao lado da criatura. Uma pastilha de césio 137 é exposta ao lado do animal.
Ele cambaleia, sem forças, cai.
Começa a diminuir de tamanho.
Até o tamanho de um camudongo.
A pastilha é guardada.
Quatro homens cansados observam o camundongo morto.
- E ai?
- E ai o que?
- O que foi isso?
- Sei lá. Não tenho a mínima idéia.
- Cara! vamos chamar a segurança;
-Voce ficou maluco? Querem que nos internem. Deixa essa porcaria aí e vamos embora.
- E o rato? Vai ficar ai na lama?
06
Ago08

Camundongo encontrado em canteiro de Obras

wellcorp
Notícia.

Camundongo encontrado no Canteiro do Coque
20/06

Um camundongo foi encontrado morto no dia 20/6 em frente à saída de emergência do canteiro avançado do Coque. O local foi dedetizado contra roedores, porém eles vêm em busca de alimentos que por ventura caíram no chão.
....
Dia 19/06

Eram duas horas da manhã no canteiro do Coque. os céus crispados e o vento insólito varriam as poças de chuva, enquanto a chuva torrencial se abatia sobre a silenciosa e gigantesca obra do Coque da Refinaria Duque de Caxias. O guarda de plantão, com a capa amarela sintética absolutamente encharcada se dirigia com a lanterna até o veículo de gamagrafia que se aproximava do portão fechado da entrada do canteiro. O vento cortante, frio como o inverno, jogarrava gotas sobre o vidro da embaçado da janela da Fiorino com as identifi cações de radiotividade, enquanto o técnico que dirigia abaixava o vidro tentando a custo conversar com o vigilante:
- Oi! boa noite - gritava - Você tem uma garrafa de café quente aí?
- Não sei se está quente! Vou abrir o portão e vê se na garrafa creme ainda tem alguma coisa!
- Ok!
O vidro é fechado, enquanto apressadamente o vigilante solta a corrente do portão. A fiorino para próximo a porta de entrada. Os três técnicos correm para dentro da copa em busca de abrigo e café. Então as luzes se apagam.
- Muito azar! Tá dando pra enxergar a garrafa?
- Tá ali no canto. Eu acho. Vou pegar a a lanterna - disse um dos técnicos. Ele corre até a fiorino. Então tomado de súbito calafrio, enrijece. Levanta os olhos e vira lentamente a cabeça em direção a entrada do Canteiro. Os olhos da criatura brilharam numa cor avermelhada, iluminadas pelos raios que caíam, observando o técnico assustado. Quando vê a criatura, quase do tamanho de um porco com 300 kg, ele dá um grito de pavor. Solta alanterna e corre para
a Copa. os outros assustados largam os copos no chão enquanto a criatura corre em sua direção. Não tiveram tempo de reagir quando o estranho animal avança para dentro da copa. A mesa é derrubada pelo pulo de três metros da criatura, enquanto os técnicos de gamagrafia são lançados para trás. Começa uma luta desigual.
- Céus! que coisa é essa!
-Cala a boca e continua batendo!
O animal guincha quando uma cadeira é lançada em sua direção e então sai correndo de dentro da copa.
- Minha nossa! Pro carro! Pro carro!
Os técnicos correm e entram assustados enfiando a chave a custo na direção. As luzes da fiorino são ligadas e á frente do carro próximo á parede os olhos vermelhos da besta-fera brilham mais uma vez, No desespero o motorista engata a ré, quando o enorme anima bate no vidro dianteiro.
O carro sai derrapando de ré com o naimal tentando quebar os vidros, e então enguiça.
- Tira essa joça daqui! Tira! Afogou! Afogou!
- Como assim afogou?
A vidraça da frente se despedaça pela patada certeira e quando o animal se atira para dentro do carro ouve-se um estrondo de arma de fogo! O vigilante alertado pela arruaça dera um tiro certeiro no animal, que pula para fora do carro e vira-se em direção ao vigilante. Outro guincho. Um novo tiro. O animal corre e voltando-se ataca o vigilante. A arma cai no meio da lama quando uma caixa de chumbo aberta é lançada ao lado da criatura. Uma pastilha de césio 137 é exposta ao lado do animal.
Ele cambaleia, sem forças, cai.
Começa a diminuir de tamanho.
Até o tamanho de um camudongo.
A pastilha é guardada.
Quatro homens cansados observam o camundongo morto.
- E ai?
- E ai o que?
- O que foi isso?
- Sei lá. Não tenho a mínima idéia.
- Cara! vamos chamar a segurança;
-Voce ficou maluco? Querem que nos internem. Deixa essa porcaria aí e vamos embora.
- E o rato? Vai ficar ai na lama?
02
Ago08

A parábola bíblica com o Batman

wellcorp

O Batman de Veríssimo

Texto “Poderes”, de Luís Fernando Veríssimo, no site do Estadão:

O Batman é um super-herói sem superpoderes. Não voa, não enxerga através do aço, não faz o globo girar ao contrário. O único outro exemplo da espécie que me ocorre é o Fantasma, mas o Fantasma ficou datado. Há algo de irremediavelmente antigo na sua figura, vivendo aquela fantasia de onipotência colonial entre os pigmeus. O Batman, ao contrário, é um herói metropolitano. Só é concebível num cenário urbano onde o gabarito foi liberado. E fica cada vez mais atual. Cada nova versão do Batman no cinema é mais sofisticada do que a anterior. Começou como gibi filmado, já foi comédia pós-moderna estilizada, agora - pelo que leio, ainda não vi - é uma tragicomédia com sombrias referências às paranóias do momento. Batman é reincidente e nunca fica datado porque nunca fica bem explicado, tem sempre uma conotação a mais a ser explorada, um lado da sua personalidade e da sua legenda a ser descoberto e dramatizado. E acho que o fato de não ter superpoderes tem muito a ver com a sua permanência através de todos estes anos, que não foram piedosos com os outros super-heróis clássicos, massacrados pela paródia e o esquecimento.

Desde o momento em que foi matar uma mosca e demoliu a mesa, o Super-homem conhecia seus poderes. Os poderes definiram o homem. Ele não poderia ser outra coisa além de Super-homem, sua vida estava decidida já nas fraldas. Batman escolheu ser Batman. Nada determinava a sua escolha. Não tinha nem a carga genética para guiá-lo, como o Fantasma, que pertencia a uma dinastia de Fantasmas. Se a legenda do Super-homem é uma parábola sobre a predestinação, a do Batman é uma reflexão sobre o livre-arbítrio. A única coisa que une os dois é a obsessão em fazer o Bem - o que torna a escolha do Batman ainda mais misteriosa. Ele decidiu ser um homem-morcego. Logo o morcego, bicho hemofágico e ruim, cuja única antropomorfização (com perdão do palavrão) conhecida antes do Batman foi o Drácula. Escolhendo um símbolo do Mal para fazer o Bem, Batman enfatizou seu livre-arbítrio. Nada determina as suas ações, nem a Natureza que fez o Super-homem super e o morcego asqueroso. Sua obsessão pelo Bem é uma escolha moral, desassociada de qualquer imperativo externo. Ele não é um herói para melhorar a reputação dos morcegos nem porque veio de outro planeta predestinado a ser bom, ou porque gosta de usar malha justa. O que a sua legenda nos diz, e talvez por isso dure tanto, é que o ser humano é cheio de imperfeições e maus impulsos, limitado pela biologia e condicionado por mitos e tradições, mas é livre para escolher o que quer ser. E decidir ser justo.

Está aí, um super-herói do iluminismo. Longa vida para o Batman.

02
Ago08

A parábola bíblica com o Batman

wellcorp

O Batman de Veríssimo

Texto “Poderes”, de Luís Fernando Veríssimo, no site do Estadão:

O Batman é um super-herói sem superpoderes. Não voa, não enxerga através do aço, não faz o globo girar ao contrário. O único outro exemplo da espécie que me ocorre é o Fantasma, mas o Fantasma ficou datado. Há algo de irremediavelmente antigo na sua figura, vivendo aquela fantasia de onipotência colonial entre os pigmeus. O Batman, ao contrário, é um herói metropolitano. Só é concebível num cenário urbano onde o gabarito foi liberado. E fica cada vez mais atual. Cada nova versão do Batman no cinema é mais sofisticada do que a anterior. Começou como gibi filmado, já foi comédia pós-moderna estilizada, agora - pelo que leio, ainda não vi - é uma tragicomédia com sombrias referências às paranóias do momento. Batman é reincidente e nunca fica datado porque nunca fica bem explicado, tem sempre uma conotação a mais a ser explorada, um lado da sua personalidade e da sua legenda a ser descoberto e dramatizado. E acho que o fato de não ter superpoderes tem muito a ver com a sua permanência através de todos estes anos, que não foram piedosos com os outros super-heróis clássicos, massacrados pela paródia e o esquecimento.

Desde o momento em que foi matar uma mosca e demoliu a mesa, o Super-homem conhecia seus poderes. Os poderes definiram o homem. Ele não poderia ser outra coisa além de Super-homem, sua vida estava decidida já nas fraldas. Batman escolheu ser Batman. Nada determinava a sua escolha. Não tinha nem a carga genética para guiá-lo, como o Fantasma, que pertencia a uma dinastia de Fantasmas. Se a legenda do Super-homem é uma parábola sobre a predestinação, a do Batman é uma reflexão sobre o livre-arbítrio. A única coisa que une os dois é a obsessão em fazer o Bem - o que torna a escolha do Batman ainda mais misteriosa. Ele decidiu ser um homem-morcego. Logo o morcego, bicho hemofágico e ruim, cuja única antropomorfização (com perdão do palavrão) conhecida antes do Batman foi o Drácula. Escolhendo um símbolo do Mal para fazer o Bem, Batman enfatizou seu livre-arbítrio. Nada determina as suas ações, nem a Natureza que fez o Super-homem super e o morcego asqueroso. Sua obsessão pelo Bem é uma escolha moral, desassociada de qualquer imperativo externo. Ele não é um herói para melhorar a reputação dos morcegos nem porque veio de outro planeta predestinado a ser bom, ou porque gosta de usar malha justa. O que a sua legenda nos diz, e talvez por isso dure tanto, é que o ser humano é cheio de imperfeições e maus impulsos, limitado pela biologia e condicionado por mitos e tradições, mas é livre para escolher o que quer ser. E decidir ser justo.

Está aí, um super-herói do iluminismo. Longa vida para o Batman.

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