Um Blog de poesia, imagens estudos das Escrituras, mensagens e textos engraçados
Meu pai. Meu pai.

Jun/2001 

Nessa semana eu fui assustado pela dor de uma jovem que gritava as palavras
acima, de um modo o qual jamais ouvi em toda minha vida.
Eu desci para ver o que acontecia, podia ser que alguém tivesse caido, se
acidentado.
Próximo a uma coluna da garagem um rapaz segurava uma  moça desesperada
O som de sua voz ecoou pelos prédios vizinhos, pelas janelas,
e principalmente por dentro de mim.
Eu não sabia o que tinha acontecido, eu não a conheço,
e ela ainda gritava - meu pai - quando eu me aproximava.
Antes que eu chegasse ao local,  a jovem e o rapaz que a consolava
deixaram a garagem e subiram para o seu prédio.
A coluna onde ela chorou deveria ser chamada coluna do pranto.
Entendi que um pai morrera naquela noite.
Que aquele era o choro pela perda de um pai.
Na noite posterior o porteiro me anunciou
que o diretor do hospital Rocha Faria, Mário Arcoverde Sobrinho
Fora assassinado por tentar impedir compra de remédios superfaturados.
Esse homem era o pai, pela qual a jovem chorava
E que morrera naquela noite.
Naquela triste noite.

Eu creio que existe um tipo de Evangelho
E um tipo de pregação
Que é maior que as nossas contradições teológicas.
E que somente este tipo de evangelho,
Do mesmo tipo que explodia de dentro da boca do próprio Cristo
Que ardia no interior da alma dos profetas
Que ainda incomoda e acorda os anjos
Que ainda desestrutura a própria dor

Eu creio que esse evangelho puro e não destilado
Que disse para o impossível que ele não é forte o bastante
Que diz para a morte que ela não é ninguém,
é o único capaz de colocar o dedo transversalmente sobre os lábios
de uma filha que grita

Meu pai, meu pai.

E eu creio que somente este
E outro nenhum dos feitos de palha, barro, filosofia ou boa intenção
É o verdadeiro evangelho.

E um dia.
Esse evangelho
Que explodia na boca do Senhor
Será pregado na terra.
para que nunca mais
hajam colunas banhadas de pranto
e noites banhadas de dor
de filhas gritando.
meu pai,
meu pai.
publicado por wellcorp às 05:30 | link do post
Meu pai. Meu pai.

Jun/2001 

Nessa semana eu fui assustado pela dor de uma jovem que gritava as palavras
acima, de um modo o qual jamais ouvi em toda minha vida.
Eu desci para ver o que acontecia, podia ser que alguém tivesse caido, se
acidentado.
Próximo a uma coluna da garagem um rapaz segurava uma  moça desesperada
O som de sua voz ecoou pelos prédios vizinhos, pelas janelas,
e principalmente por dentro de mim.
Eu não sabia o que tinha acontecido, eu não a conheço,
e ela ainda gritava - meu pai - quando eu me aproximava.
Antes que eu chegasse ao local,  a jovem e o rapaz que a consolava
deixaram a garagem e subiram para o seu prédio.
A coluna onde ela chorou deveria ser chamada coluna do pranto.
Entendi que um pai morrera naquela noite.
Que aquele era o choro pela perda de um pai.
Na noite posterior o porteiro me anunciou
que o diretor do hospital Rocha Faria, Mário Arcoverde Sobrinho
Fora assassinado por tentar impedir compra de remédios superfaturados.
Esse homem era o pai, pela qual a jovem chorava
E que morrera naquela noite.
Naquela triste noite.

Eu creio que existe um tipo de Evangelho
E um tipo de pregação
Que é maior que as nossas contradições teológicas.
E que somente este tipo de evangelho,
Do mesmo tipo que explodia de dentro da boca do próprio Cristo
Que ardia no interior da alma dos profetas
Que ainda incomoda e acorda os anjos
Que ainda desestrutura a própria dor

Eu creio que esse evangelho puro e não destilado
Que disse para o impossível que ele não é forte o bastante
Que diz para a morte que ela não é ninguém,
é o único capaz de colocar o dedo transversalmente sobre os lábios
de uma filha que grita

Meu pai, meu pai.

E eu creio que somente este
E outro nenhum dos feitos de palha, barro, filosofia ou boa intenção
É o verdadeiro evangelho.

E um dia.
Esse evangelho
Que explodia na boca do Senhor
Será pregado na terra.
para que nunca mais
hajam colunas banhadas de pranto
e noites banhadas de dor
de filhas gritando.
meu pai,
meu pai.
publicado por wellcorp às 05:30 | link do post
Formigas 
 
(sobre a melodia de Bailes da Vida de M.Nascimento)

Eram duas formigas
Levando nas costas seu pão
Correndo loucas
Atrás a multidão

Pois quem cair
Sem pão ficará
Eta gente faminta
Pois num dá tempo
De descansá

Eram duas formigas
Seguidas pela multidão
Será possível que num tem lugar
Pra se parar, pra descansar
Pra até pensar


Pão nas costas num alimenta
Quem carregá
Vai se matá

Eram duas formigas na noite
Fugindo sem dó
Cadê as leis, quem as protegerá...
Quando acabar
O que restará
Das pequenas que correram
Pelo seu pão
Pelo seu pão

Eram duas formigas
Fugindo da multidão
Ó formigueiro que não chega nuuunca!
Dizem depois
Que é fácil viver
Digam isso
Veementemente
Pra multidão.
Pra multidão...


Welington
publicado por wellcorp às 03:59 | link do post
Formigas 
 
(sobre a melodia de Bailes da Vida de M.Nascimento)

Eram duas formigas
Levando nas costas seu pão
Correndo loucas
Atrás a multidão

Pois quem cair
Sem pão ficará
Eta gente faminta
Pois num dá tempo
De descansá

Eram duas formigas
Seguidas pela multidão
Será possível que num tem lugar
Pra se parar, pra descansar
Pra até pensar


Pão nas costas num alimenta
Quem carregá
Vai se matá

Eram duas formigas na noite
Fugindo sem dó
Cadê as leis, quem as protegerá...
Quando acabar
O que restará
Das pequenas que correram
Pelo seu pão
Pelo seu pão

Eram duas formigas
Fugindo da multidão
Ó formigueiro que não chega nuuunca!
Dizem depois
Que é fácil viver
Digam isso
Veementemente
Pra multidão.
Pra multidão...


Welington
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Eu já disse que você é demais, mas, não custa nadi...
Você é um ser lindo!
tudo precisa de fundamento:oque significa raiz ori...
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You pretty much said what i could not effectively ...
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Maneiro!
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